Rafael Tangerino*
A proximidade das eleições recoloca diante do setor produtivo uma responsabilidade que vai além das preferências partidárias. Levantamento do Instituto Quaest mostra que o eleitorado goiano reúne conservadores, progressistas e uma parcela expressiva de independentes. Essa diversidade confirma que o voto deve ser orientado também por critérios objetivos.
Para a indústria, o ponto de convergência precisa ser um ambiente favorável a quem produz: segurança jurídica, regras estáveis, tributação equilibrada e condições para que as empresas ampliem a produção, gerem empregos e invistam com confiança.
Por trás de cada CNPJ existem muitos CPFs. Uma indústria não representa apenas seus proprietários. Reúne trabalhadores, fornecedores e famílias que dependem de sua capacidade de crescer. Defender o setor produtivo, portanto, é defender renda, oportunidades e desenvolvimento para toda a sociedade.
É natural que a eleição presidencial concentre as atenções. Entretanto, existe uma eleição dentro da eleição que não pode ser tratada como secundária: a escolha de deputados e senadores. É no Congresso Nacional que avançam ou são interrompidas reformas, regras tributárias, marcos regulatórios e decisões que influenciam a atividade econômica.
No Senado, a Comissão de Assuntos Econômicos debate temas como dívida pública, economia verde, transição energética e segurança jurídica para os minerais críticos e estratégicos. Na Câmara, tramitam propostas capazes de estimular investimentos ou ampliar custos e incertezas para quem empreende.
Goiás precisa eleger representantes comprometidos com uma reforma tributária que alivie o peso suportado por quem produz, com a modernização de leis antigas e com o desenvolvimento sustentável da indústria. Precisamos conhecer não apenas os discursos dos candidatos, mas suas propostas, prioridades e disposição para dialogar com o setor produtivo.
O debate eleitoral não pode ficar restrito à polarização. Devemos observar quem compreende que o Brasil somente avançará com produção, inovação, emprego e segurança para investir. A escolha do próximo presidente é decisiva, mas a composição do Congresso também determinará os caminhos do país. Dar atenção a essa eleição é uma oportunidade concreta de fazer a diferença.
*Rafael Tangerino Melo é empresário, presidente do SinproCimento Goiás.






