Samuel Leão
(especial para o AD)
O mês de setembro acende um alerta nacional para a prevenção ao suicídio e a valorização da vida, mas, dentro de casa, o sofrimento psíquico de um familiar ou amigo muitas vezes passa despercebido ou é confundido com cansaço e “fases difíceis”. Reconhecer a linha tênue entre uma tristeza passageira e uma crise que exige intervenção médica imediata é o primeiro passo para salvar vidas.
De acordo com a Psicóloga, Especialista em Psicologia da Saúde e Hospitalar do Ânima Centro Hospitalar, Marília Carvalho, o comportamento suicida é multifatorial, envolvendo desde dores emocionais até desregulações químicas e hormonais reais no cérebro.
“A pessoa não consegue ‘sair dessa’ sozinha não por falta de vontade ou de fé, mas porque seu organismo e sua mente estão profundamente desorganizados e precisam de suporte”, explica a especialista.
Diagnósticos prévios (como Transtorno Bipolar ou Borderline), histórico de abusos, puerpério e vulnerabilidade social são fatores de risco conhecidos. No entanto, no dia a dia, os sinais costumam ser minuciosos e variam conforme a idade.
SINAIS
A mudança brusca de comportamento é o principal termômetro. O isolamento social, a irritabilidade extrema e a perda de prazer em atividades que antes eram significativas (anedonia) exigem atenção redobrada, assim como o abuso de álcool e medicamentos sem prescrição.
“A tristeza aguda e passageira geralmente tem um fator causal evidente, como um luto ou uma demissão, e possui um tempo hábil de elaboração. Já no sofrimento psíquico profundo, a regra de ouro é: a pessoa não deve ficar sozinha. A rede de apoio precisa estar presente de forma contínua”, pontua Marília.
O QUE DIZER
Para quem está de fora, o medo de “falar a coisa errada” costuma paralisar. O pilar central da abordagem, segundo a especialista, deve ser o não julgamento. Em vez de discursos, a ajuda prática — como cozinhar, lavar uma roupa ou resolver uma pendência — demonstra cuidado real.
Frases clichês como “isso vai passar”, “é falta de Deus”, “você precisa ser forte” ou “é frescura” devem ser totalmente abolidas, pois geram mais culpa e distanciamento. O correto é oferecer escuta ativa: “Estou aqui com você, como você está se sentindo? Vamos buscar ajuda juntos?”.







