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Casa Cidades Anápolis

“Esperamos que as obras de drenagem resolvam o problema pelos próximos 50 anos”

Redação por Redação
25.09.2026
“Esperamos que as obras de drenagem resolvam o problema pelos próximos 50 anos”
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Antes de assumir a robusta pasta de Obras, Habitação, Meio Ambiente e Planejamento Urbano, Thiago de Sá Lima podia ser chamado de um cigano da Engenharia. Formado pela UEG, foi contratado por gigantes do setor de grandes obras e passou por Rio de Janeiro, São Paulo, Pará e Santa Catarina até decidir abandonar o circuito de cidades e voltar a Anápolis. O retorno coincidiu com a vitória de Márcio Corrêa e o convite para assumir a missão de tocar as obras da cidade. Em uma ampla entrevista, Sá Lima fala sobre os principais temas da infraestrutura da pauta na cidade. Confira.

 

Por Rafael Tomazeti e Henrique Morgantini

 

Anápolis Diário – A drenagem urbana foi a área em que o município conseguiu mais recursos do PAC. Que tipo de obras serão feitas e que impacto é esperado?

Thiago de Sá Lima – Hoje nós temos três tipos de problema de drenagem. Há os bairros que são muito antigos e em que a rede está subdimensionada, caso do Jundiaí e do Centro, por exemplo, em que todo ano vai abrir um buraco na via. Lá a rede é subdimensionada. Temos de refazer essas redes. Depois, tem áreas como o Bairro de Lourdes, que não tem drenagem alguma. Um bairro daquele tamanho. Na região das chácaras, se vê um volume de água enorme passando pela superfície, com risco de mortes. Então você tem um problema de rede antiga e um problema de falta de rede em alguns bairros. E por fim temos o problema de macrodrenagem que reverbera aqui na região central de Anápolis, com a ligação de três grandes córregos: o Antas, o João Cesário e o Góis. Esses três se unem aqui e isso cria um grande problema, porque é muito volume para uma região muito plana e muito baixa. Com esses R$ 30 milhões que foram captados — e isso não é empréstimo, é captação de recurso que vem sem custo para o município —, faremos a construção de obras de macrodrenagem. Elas vão tentar fazer o que o Parque Onofre Quinan foi concebido para fazer, em alguma parte: reter um grande volume de água lá em cima.

 

AD – Que é o que Curitiba faz.

TSL – Que é o que Curitiba e outras cidades modernas fazem. Estamos praticamente na fase de aprovação dos projetos. Acredito que as obras dessas duas grandes bacias sejam iniciadas após as chuvas, em abril de 2027.

 

AD – Para a gente que é leigo, o que seriam exatamente essas bacias?

TSL – São represas, mas com a possibilidade de comportas. No dia a dia normal, sem chuva, você deixa a água do rio passar. Quando vem uma chuva muito grande, fecha a comporta e ela segura essa água. Em vez de a água descer em um volume muito grande, há uma capacidade de retenção.

 

AD – E isso seria suficiente para garantir segurança?

TSL – Pelo nosso estudo, precisaríamos de mais duas nessas mesmas regiões. A gente teve que adequar o projeto ao recurso que veio. Então conseguimos adequar essas duas bacias ao que estimamos. Nelas ainda há uma parte de microdrenagem, para garantir também. Em uma condição normal, são obras pensadas para um tempo de retorno de pelo menos 50 anos.

 

AD – O assunto do lixo foi resolvido? Parou de ser pauta?

TSL – Temos um contrato novo desde maio. Foram acrescentados recursos, quantidade de caminhões, e hoje temos um dimensionamento que atende a cidade inteira. Claro que ainda precisamos ficar muito atentos à qualidade do serviço prestado. Aí já é cobrança do fornecedor, e temos feito isso. Mas a redução das reclamações com relação ao lixo é significativa. Hoje temos poucas reclamações.

 

AD – E a iluminação, também deixou de ser pauta?

TSL – O problema da iluminação diminuiu. Infelizmente, tivemos uma modernização de parte da estrutura com baixa qualidade técnica. Herdamos muitas lâmpadas que deveriam durar cinco anos, mas estavam durando menos de um. Isso causou, principalmente no período de chuva, uma demanda de trocas muito rápida e um custo muito alto.

Com a adequação da CIP (Contribuição da Iluminação Pública), hoje já temos uma arrecadação que permite manter a iluminação em dia e, aos poucos, modernizar o que ainda falta na cidade. Ainda estamos pagando pelo que aquilo nos custou no começo, mas tenho certeza de que agora isso será pago com a própria CIP, que também manterá a iluminação.

 

AD – A revitalização do centro ficou muito na pauta ano passado. O que tem sido possível fazer? O que o senhor acha que será possível fazer até 2028?

TSL – É um tema que não envolve só obras. Envolve outras discussões, inclusive do Plano Diretor. A revitalização do centro tem sido discutida com a CDL, com a Câmara, porque envolve mais do que obras: envolve incentivos e investimento do setor privado. Temos uma reconfiguração do mercado. O varejo não vem mais para o centro como antes; lojas estão fechando. Já temos uma minuta de lei sobre incentivos para que outros tipos de serviço venham para o centro. O varejo está na Internet. Hoje sabemos que os serviços atraem gente para o centro. Esse é um passo. No Plano Diretor, é preciso olhar para o centro expandido, não é só o centrinho de três ou quatro ruas. Precisamos trazer incentivos para a habitação, para que as pessoas comecem a construir moradias nesses locais. Outra questão é a revitalização do ponto de vista das obras. Isso precisa ser trabalhado aos poucos, senão eu paro o centro. Temos a iluminação, a arborização, as calçadas, o sistema viário, a drenagem e o saneamento. Inicialmente, tínhamos a ideia de enterrar todos os cabos, mas isso se mostrou muito oneroso. O que os lojistas têm pedido, e que tentamos resolver no curto prazo, é a questão das vias. Estamos fazendo o recapeamento agora.  Há também a liberação das calçadas. Temos um projeto piloto para lidar com os ambulantes que ocupam esses espaços. Vamos apresentar, nos próximos dias, um local para onde poderemos movimentá-los, de forma que as calçadas fiquem livres.

 

AD – Dentro desse debate sobre o Plano Diretor, já existe uma mudança conceitual definida em relação ao centro inteiro?

TSL – Existe. Estamos com uma minuta de lei. A empresa que está nos ajudando com o Plano Diretor fez a minuta com base no que conversamos. Há também a questão fiscal. Hoje o que você mais se vê ali são imóveis fechados. Isso causa um transtorno. Os aluguéis ficam altos e as pessoas não se interessam em movimentar aquilo. Nesse projeto de lei possivelmente virão incentivos fiscais para quem instalar serviços e atividades que atraiam movimento de volta ao centro. Serão privilegiadas essas atividades, porque às vezes as pessoas ficam tentando manter o varejo, mas não dá certo. Serviços, restaurantes, entretenimento: é isso que precisa ir para lá. Na prática, haverá benefícios para quem fizer isso na região central. E há a habitação: incentivar a verticalização na região que não corresponde àquele núcleo comercial.

 

AD – Isso virá na mudança da lei?

TSL – Na mudança da lei virá a possibilidade de construções mais modernas e mais altas nessa região.

 

AD – Existe previsão, neste primeiro momento, de fechamento, ainda que parcial, de alguma via?

TSL – Hoje existe um estudo para a Rui Barbosa, naquele trecho entre a General Joaquim Inácio e a 15 de dezembro.

 

AD – Goiânia está avaliando o projeto Morar no Centro. Qualquer revitalização do centro hoje também coloca a habitação como foco.

TSL – Sim. Primeiro, quando uma empresa avalia onde construir, olha a viabilidade: custo do terreno em relação à capacidade construtiva. Hoje, no centro, já é possível construir em 100% da área. Em outras regiões da cidade, você só pode construir em 70%; ali, pode construir em 100%. Em tese, já é um lugar atrativo. Mas é preciso trabalhar também nas regras sobre a altura permitida. Há limitações na lei urbanística e no Código de Edificações que restringem essa possibilidade.

 

AD – Sobre o Plano Diretor, o que deu para avançar na mobilidade?

TSL – Percebemos um problema sério no transporte coletivo. Isso é fácil de ver, mas o estudo trouxe números. A concentração das linhas no terminal urbano desestimula as pessoas a utilizar o transporte público. A primeira questão é a necessidade de descentralizar. Já existe uma proposta com pontos onde ficariam microterminais, baratos de construir, para que todas as linhas não precisem vir ao centro e possam ligar bairros de regiões mais afastadas. O estudo verificou que a frota de veículos cresceu mais do que a população. É o caso de incentivar outras formas de deslocamento: transporte coletivo e ciclovias. Com os recursos que conseguimos no PAC, deve ser construída uma boa quantidade de ciclovias, utilizando canteiros das principais vias. São ciclovias pensadas para o deslocamento ao emprego, inclusive com esses novos equipamentos elétricos, para reduzir a carga nas vias principais. Hoje estão em estudo 14 pontos de gargalo na cidade. Com pequenas obras, podemos destravá-los.

 

AD – Hoje está completamente descartado o debate sobre ampliar a área urbana?

TSL – Se você falar apenas em quantidade de área, não. Mas é possível avaliar casos pontuais, porque o desenho da área urbana não é simétrico. Ele tem variações, às vezes por questões ambientais. Pode haver uma região próxima ao Daia que faça sentido incorporar e que não tenha sido contemplada. Em outra região pode existir muita área disponível, mas longe do Daia, o que não atende àquela necessidade. Teria que ser um estudo muito específico. Do ponto de vista da quantidade, apenas 50% da área urbana hoje está sendo utilizada.

Agora, existe um problema especialmente do lado da APA do João Leite. Toda a área desde o Centro de Convenções até a Lapa é inviabilizada por causa do João Leite. A cidade acaba sendo empurrada para outra direção, não por seus interesses, mas pelos interesses de Goiânia e da região metropolitana, por causa da represa.

 

AD – E quanto às ações ambientais, que também dizem respeito à sua pasta?

TSL – Estamos fazendo silenciosamente na questão ambiental e que pode trazer bons resultados no médio prazo. Estamos plantando algumas ações como a revisão da portaria de supressão vegetal em Anápolis. Antes, a pessoa tirava uma árvore e tinha que doar cem mudas. Isso não faz sentido. Hoje ela precisa se comprometer a plantar outras árvores e cuidar delas até a vida adulta. Também há o plano de arborização e um recadastramento das nossas APPs. Essa questão é fundamental para uma cidade como Anápolis, cortada por vários rios, onde a água que bebemos sai de dentro do próprio município.

 

 

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