O penúltimo semestre legislativo da atual mesa diretora se encerra em junho e está dada a largada pela disputa de sucessão ao posto de presidente da Câmara Municipal de Anápolis. Nesta altura, há três nomes com chances e um cenário completamente indefinido, sobretudo porque há pela frente uma eleição que pode mexer com o contexto.
A atual presidente Andreia Rezende (Avante) é um dos nomes que figura na lista. Hoje ela está longe de ter o apoio que a conduziu para o comando da mesa diretora. Rezende perdeu força entre os pares, que jamais engoliram as medidas da austeridade que ela tomou, como os cortes na verba de gabinete – que recebeu inúmeras críticas de colegas.
Outro fator que levou à perda de prestígio é o que alguns vereadores chamam de ‘autoisolamento’. Em muitos momentos do mandato, a presidente encasulou-se com dois assessores de sua plena confiança e fez poucas consultas aos colegas.
Ademais, Rezende não goza de prestígio com os servidores. No biênio que se encerra em dezembro, a presidente também não concedeu reajuste algum aos trabalhadores do poder legislativo, sob a alegação de falta de recursos suficientes para tal, e perdeu qualquer simpatia que teria.
O aspecto decisivo, no entanto, mora a dois quilômetros de distância. No gabinete do prefeito repousa quem muito provavelmente determinará o curso da sucessão. E a primeira pergunta a ser feita: Márcio Corrêa (PL) bancará a permanência de Andreia Rezende a despeito dos desgastes que ela acumulou nos primeiros dois anos?
Interlocutores do prefeito ficaram descontentes com o fato de o Prospera Anápolis, iniciativa que a Câmara Municipal patrocinou para discutir a queda do município nos rankings econômicos e elaborar propostas para reaquecer a economia local, não incluiu Corrêa. O prefeito não foi a nenhum dos encontros justamente por ter sido desprestigiado. E o programa ficou esvaziado sem o principal ator na mesa.
O apoio do prefeito é imprescindível para Andreia Rezende diante de todo este cenário, sobretudo porque, para eventual recondução, o regimento interno precisaria ser alterado. O texto hoje veta reeleição dentro da mesma legislatura e, hoje, não há disposição suficiente na Casa para alterá-lo.
Apesar das adversidades, o nome de Andreia Rezende não está descartado. Há a compreensão de que o fator eleição pode fazer renascer a esperança da vereadora. Tudo vai depender do desempenho do irmão dela, o deputado Amilton Filho (MDB), candidato à reeleição apoiado pelo prefeito e que tenta se cacifar para disputar a presidência da Assembleia Legislativa.
A INCÓGNITA
A Câmara tem hoje duas alternativas a Andreia Rezende. O primeiro nome da lista é o de José Fernandes (MDB). O líder do prefeito, porém, exerce diversas outras atividades e até hoje não se sabe se ele terá ou não disposição para ocupar um posto que exige muito tempo com pequenas e grande decisões cotidianas. Para topar, o parlamentar talvez busque uma forma de conciliar todas as suas atividades ao exercício da presidência.
Fato é que se José Fernandes quiser, ele é hoje o mais cotado para suceder Andreia Rezende. Há alguns pequenos focos de resistência ao nome dele, mas nada que seja suficiente para evitar com que ele ocupasse o gabinete da presidência. Basta querer, mas quer?
O AZARÃO
O cenário de indefinição está colocado e um vereador tem corrido por fora para tentar aproveitar as brechas que se abriram. O experiente Jakson Charles (PSB), que faz as vezes de líder informal do prefeito, tem feito todo o possível para se colocar como uma alternativa a Andreia Rezende, caso José Fernandes decida não participar do pleito.
Um dos movimentos mais ousados foi apoiar a reeleição do deputado estadual Amilton Filho, irmão da atual presidente, para assegurar, no mínimo, uma vaga de vice-presidente na mesa diretora. No entanto, o acordo tem outros termos: se ela não concorrer, ele teria o apoio de Amilton pela presidência da Casa.
Jakson já reúne outras credenciais que agradam Márcio Corrêa. É um aliado de longa data e quem mais se expõe na defesa do prefeito. Interlocutores do prefeito também entendem que o pessebista na presidência seria mais veemente com a oposição, que tem emplacado algumas pautas eloquentes com Domingos Paula (PDT) e Rimet Jules (PT).
O decano da Casa, todavia, divide opiniões. Há aqueles parlamentares que o rejeitam e consideram lançar suas próprias candidaturas caso ele apareça como nome à presidência. Por outro lado, como resumem alguns colegas, “Jakson tem muitos vereadores na mão”.
Na escala de prioridades, hoje o pessebista talvez seja o último do trio, mas é quem mais tem tentado articular e aquele que mais acertou o ritmo das ações políticas em busca de apoio para presidir a mesa diretora.






