Ex-presidente da Agência Goiana de Habitação (Agehab), Alexandre Baldy não dá sinais de esmorecimento da pré-candidatura ao Senado Federal. Ele é um dos cinco nomes da base e rejeitou bastidores que apontam que ele foi pressionado para desistir da candidatura. Também evitou comentar a investigação contra o senador Ciro Nogueiro (PP-PI), de quem é próximo, e a relação dele com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Ele também disse que a parceria entre prefeitura e Agehab – no âmbito do Meu Lote, Minha História – deveria ter sido buscada pelo então prefeito Roberto Naves (Republicanos) antes da execução do programa.
Leia a entrevista na íntegra:
Anápolis Diário: A federação PP/União Brasil projeta eleger quantos deputados federais em Goiás? E a bancada na Alego?
Alexandre Baldy: Estamos construindo uma chapa para eleger a maior bancada federal e estadual da história de Goiás, com o potencial de eleger oito federais e 15 estaduais.
AD: O senhor considera que o PP goiano perdeu protagonismo na federação com o União Brasil?
AB: Na federação o nosso poder de construção de um partido maior, ficou ainda mais efetivo. Por esta razão dividimos tarefas e buscamos construir o maior partido do estado após esta eleição.
AD: Como o senhor tem atuado na pré-campanha para consolidar sua pré-candidatura?
AB: Expandido e fortalecendo nossa articulação política com parceiros nos municípios, com muito diálogo com a população apresentando o trabalho prestado.
AD: Numa eleição com nomes já consolidados como sendo da preferência dos goianos, qual será a bandeira ou estratégia para abrir espaço no poder de escolha do eleitor?
AB: O eleitor goiano valoriza quem tem capacidade de execução e serviço prestado. Já são mais de 14 anos trabalhando pelos 246 municípios goianos, realizando entregas nas mais diversas áreas. Sou o goiano que mais trouxe recursos na história para os municípios.
AD: O senhor manterá sua pré-candidatura ao Senado até o fim ou cogita desistir?
AB: Eu sou pré-candidato ao Senado da República.
AD: Houve algum tipo de pressão para que o senhor retire a candidatura?
AB: Nunca houve qualquer pressão, sou presidente de partido e ninguém teria coragem de fazer pressão neste sentido.
AD: A base do governo tem cinco pré-candidatos ao Senado. Este cenário não prejudica a eleição de nomes da base?
AB: A pluralidade de nomes demonstra a força do grupo político que compõe a base aliada do governador Daniel Vilela. É natural tentarem convergência no momento adequado, sendo uma avaliação circunstancial. O importante é estarmos alinhados com o projeto de continuidade e desenvolvimento para Goiás.
AD: O senhor estima ter apoio à sua candidatura em quantos municípios?
AB: Como deputado federal, ministro de Estado das Cidades e presidente da Agehab, levei obras e recursos a praticamente todos os municípios goianos. Mais do que números, o importante é a consolidação de alianças sólidas e representativas em diferentes bases políticas. No momento oportuno, as lideranças políticas se posicionarão.
AD: Em 2022, o senhor teve mais de 32 mil votos em Anápolis. Foi o segundo mais votado na cidade e teve o apoio do prefeito à época. Neste ano, quais lideranças do município vão apoiá-lo?
AB: De fato, a população da minha cidade, Anápolis, nas minhas duas disputas, me deu votações expressivas. Quanto ao apoio, no momento oportuno, as definições serão tomadas. E elas não costumam acontecer agora, mas após a transição de pré-candidaturas para candidaturas.
AD: O senador Ciro Nogueira, que preside o PP nacionalmente e é próximo ao senhor, é investigado no âmbito da Operação Compliance Zero e há suspeitas de atuação dele para favorecer o Banco Master no Congresso. A relação dele com Daniel Vorcaro pode prejudicar sua candidatura?
AB: Não comento investigações em andamento pelo respeito que tenho as instituições. O senador Ciro Nogueira é uma das principais lideranças do Progressistas no país, com papel relevante na condução do partido e na articulação política nacional. Seguimos focados no fortalecimento do PP em Goiás e na construção de um projeto sólido, mantendo diálogo e alinhamento institucional dentro da nossa base partidária.
AD: Antes de sua saída da Agehab, houve algum projeto habitacional que ficou desenhado para implementação em Anápolis?
AB: Sim, a parceria com prefeito Marcio Correa para construir 5 mil apartamentos em Anápolis, dos quais 1.166 apartamentos que nós já entregamos pela Modalidade Aluguel Nunca Mais, além de mais de 4 mil cartões do Aluguel Social, mais de 50 escrituras de imóveis, tínhamos o projeto para a construção das Casas a Custo Zero e de novos empreendimentos pelo Aluguel Nunca Mais.
AD: No início do ano, enquanto presidia a Agehab, o senhor faltou da possibilidade da destinação de casas a custo zero em Anápolis. Este projeto ficou pronto?
AB: Sim, houve tratativa para construção de unidades habitacionais do Programa Casas a Custo Zero.
AD: Quando o senhor presidia a Agehab, o então prefeito Roberto Naves chegou a consultá-lo sobre algum tipo de subsídio às famílias do programa Meu Lote, Minha História?
AB: Até o dia da minha saída, não havia projeto com o município de Anápolis que tratasse especificamente dessa parceria. Mas é de total interesse do Estado, dentro dos limites de capacidade orçamentária e financeira, apoiar iniciativas que contribuam para a redução do déficit habitacional.
AD: O Meu Lote, Minha História tornou-se um imbróglio para a administração. Pela sua experiência na Agehab, quais saídas são possíveis para que as famílias consigam realizar o sonho da casa própria?
AB: O desafio de déficit habitacional exige integração entre os entes, ou seja, município, Estado e União. Em Goiás, por exemplo, temos o Casas a Custo Zero, um programa que é referência em todo o Brasil. A Prefeitura cede a área e a Agehab constrói as casas. Tudo isso sem qualquer custo para a população de baixa renda e em situação de vulnerabilidade social. Ajuda a resolver a questão do déficit e ainda movimenta a economia. Mas é uma decisão a ser tomada antes da doação do lote ao cidadão.





