A chegada da Universidade Federal de Goiás (UFG) a Anápolis empolga a gigantesca indústria farmacêutica local. Mais do que atender ao clamor de décadas por maior qualificação profissional, a perspectiva é de que a instituição traga para mais próximo do segundo maior polo farmoquímico do país uma expertise que permitirá um avanço possível apenas pela academia.
A UFG é a pioneira no curso de Inteligência Artificial (IA), que tem figurado recorrentemente entre as três graduações mais concorridas do país, e se consolidou a instituição como um dos principais polos de excelência tecnológica da América Latina.
Como toda Indústria, a Farmacêutica já bebe na fonte da IA. Em Anápolis, a UFG pode ter o impacto de “décadas em poucos anos”, na avaliação de Marçal Soares, que preside o Sindicato das Indústrias Farmacêuticas do Estado de Goiás (Sindifargo).
“A indústria farmacêutica tem se desenvolvido rapidamente com o uso da Inteligência Artificial para fazer pesquisa, seleção de IFAs (Ingredientes Farmacêuticos Ativos) e na criação de novos medicamentos. Nós estamos carentes dessa tecnologia. E a UFG tem o maior campus de tecnologia de IA do mundo. Com essa associação com a IA, teremos uma evolução de décadas em poucos anos”, disse ao Anápolis Diário.
TRIAGEM
A IA também trouxe revolução ao setor a partir da aceleração da descoberta de medicamentos, otimização de ensaios clínicos e garantia de conformidade regulatória. A estimativa é de que a automação desses processos possa dobrar o lucro operacional do setor até 2030. E é atrás disso que o polo farmoquímico anapolino está.
A ferramenta já é capaz de realizar triagem molecular de forma rápida, prevendo a eficácia e toxicidade de substâncias antes mesmo dos testes de laboratório. Ela também é vital no reposicionamento de medicamentos, permitindo que fármacos aprovados sejam testados para novas doenças em tempo recorde.
ANÁLISES
Algoritmos também identificam os perfis exatos de pacientes ideais para testes clínicos por meio da análise de grandes bases de dados, o que acelera o processo e viabiliza terapias customizadas de acordo com o genoma. A IA preditiva analisa históricos de vendas e fatores climáticos para prever demandas, gerenciar estoques e evitar a falta de medicamentos.
A esperança da indústria farmacêutica anapolina é que o setor tenha cada vez mais acesso ao Centro de Excelência em Inteligência Artificial (Ceia). A estrutura na UFG conta com laboratórios de ponta e supercomputadores equipados com chips de processamento de última geração. Ela já atua no desenvolvimento de tecnologias para o agronegócio, segurança e, recentemente, expandiu sua atuação para a Faculdade de Medicina. A farmácia pode ser a próxima.

Instalação em Anápolis aumentará parceria com setor fármaco
Outra grande demanda do polo farmoquímico do Daia é a mão de obra. Há décadas existe um clamor não atendido por qualificação profissional. Hoje, pelo menos metade das vagas que exigem nível técnico elevado são ocupadas por estrangeiros ou brasileiros de outros estados, de acordo com o Sindifargo.
“Hoje o que o setor é mais carente é de profissionais de alto conhecimento, de alta técnica. A gente importa estrangeiros, brasileiros de outros estados. Compramos tecnologia e fazemos pesquisa fora. Trazer para Anápolis é excelente”, resumiu Soares.
AMPLIAÇÃO
O Sindifargo diz que a parceria com a UFG já rende frutos há anos para o desenvolvimento tecnológico no setor e o avanço que se espera, de fato, a partir da implantação do campus em Anápolis, é a ampliação de oferta de mão de obra qualificada.
As grandes indústrias do Daia costumam recorrer a consultorias de fora ou mesmo as locais – que se formam com ex-funcionários que exploram um mercado rentável e de muitas oportunidades. “Nas indústrias, levamos cerca de três anos para transformar um recém-formado em um técnico de conhecimento ao menos médio. Quando se forma e se especializa, o perdemos porque a carência é muito grande”, explica.
A instituição tem mantido diálogo com diversas pastas do governo federal e já adiantou que quer firmar parcerias com o polo farmoquímico do Daia. Uma das ideias é implantar uma residência em farmácia industrial, o que requer convênios com as gigantes instaladas em Anápolis. Segundo Marçal Soares, “as portas sempre estiveram e sempre estarão abertas”.
CONTATOS
“É evidente que essas boas notícias são muito bem-vindas. Todo mundo vai colaborar e cooperar para esta formação. Somos muito carentes desta formação. Todo mundo vai colaborar. É um interesse de todos. O grande tripé da aliança da inovação é a academia, o poder público e o setor privado”, ressaltou. “Não existe inovação, desenvolvimento tecnológico se o setor produtivo não estar alinhado e unido com a academia”, completou.
O Sindifargo já recebeu contato do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e terá uma agenda conjunta com a UFG para tratar da implementação do campus em Anápolis.






