O relato da testemunha cujas iniciais são APSN são tão contundentes quanto comoventes. O Anápolis Diário tomou a decisão editorial de não revelar seu nome a fim de preservar a peça central de toda a investigação, embora ele tenha se identificado aos promotores.
APSN faz um longo desabafo e dá detalhes graves. Para ele, a ausência do presidente da Agehab, Alexandre Baldy, do trabalho permitiu que as negociatas ocorressem abertamente. Baldy dividiu o tempo que passou na Agehab com a vice-presidência da montadora chinesa BYD.
“A ausência do Presidente Alexandre Baldy tem feito com que o Vice presidente tenha crescido com ações escancaradas de recebimento de propina para aceitação de coisas absurdas”, registra o servidor. “As ações do vice fizeram com que as construtoras da Agehab estejam cada dia mandando mais ao invés de favorecer o ente publico”, continua.
O engenheiro revela ao MP-GO as condições de pressão por parte dos envolvidos num esquema fraudulento a fim de mudar as regras de editais para favorecer empresas.
“Fomos obrigados a alterar os editais de contratação das construtoras para aumentar a quantidade de cheques do programa ‘Pra ter onde morar’ para as construtoras com justificativas infundadas”.
“Wendel recebe parte dos cheques de propina. Além disso, o Wendel obrigou a gerencia de Orçamentos por meio do antigo secretário executivo de projetos habitacionais a aceitar planilhas de construtoras superfaturadas, como por exemplo as planilhas das casas da Excel com serviços desnecessários e que não são executados”
SUPERFATURAMENTO
O técnico da Agehab dá exemplos de como ocorria o superfaturamento que beneficiava algumas construtoras. “As planilhas referenciais tiveram valores superfaturados com coisas irreais para poder reduzir o percentual de redução de preço das planilhas das construtoras”.
“Temos orçamentos de apartamentos custando mais de R$ 200 mil e com metragem de menos de 40m², sendo que a AGEHAB poderia construir casas com metragem de mais de 54m² com custos inferiores a 180 mil reais. Isso é um absurdo”, relata.
“Por trás disso sei que o vice presidente quer que os projetos sejam aprovados para comprar unidades prontas ou em construção para poder receber por fora pela compra. Com planilhas superfaturadas”, completa.
APSN dá detalhes do edital que deu início à investigação. “Agora estamos sendo coagidos com um Edital de Chamamento 003/2024 para as construtoras apresentarem projetos de prédios. Fizemos um primeiro edital que foi recusado pelo Wendel mandando retirar diversas restrições normativas, com o atendimento das normas de acessibilidade. Burlaram o departamento jurídico para aceitarem”, denuncia.
DESABAFO
Por fim, o engenheiro faz um desabafo de total decepção com o regramento público.
“Eu gostaria de ver o dinheiro público sendo destinado a famílias carentes e não para o bolso dos construtores e do Vice presidente e Superintendente como tenho visto descaradamente. Solicito encarecidamente que barrem esse edital de chamamento público e façam auditoria do mesmo”.
Após este depoimento na sede do Ministério Público de Goiás, a investigação foi iniciada. O processo culminou na Operação Confrades, que afastou Wendel Garcia e Júlio Morais da agência.






