Wendel Garcia da Silva foi nomeado para a vice-presidência da Agência Goiana de Habitação (Agehab) em 5 de julho de 2023. O cruzamento de dados realizado pelos promotores Augusto César Borges Souza, Coordenador do Grupo de Atuação Especial do Patrimônio Público e Tommaso Leonardi aponta que, a partir de sua chegada, houve uma exponencial contratação da Excel Construtora, empresa que pertence ao seu então sogro, André Luiz Hajjar.
De mesmo modo, a investigação que originou a Operação Confrades indica que houve uma evolução patrimonial incompatível com os rendimentos declarados. E mais: em 2024, Wendel Garcia teve movimentação bancária 1.391,82% superior à renda declarada.
VALORES
Na vice-presidência da agência, Garcia tinha salário de R$ 30.897,97. A declaração de Imposto de Renda referente a 2024 aponta rendimentos – tributáveis e/ou isentos – no montante de R$ 470.773,19 e patrimônio declarado de R$ 2.973.085,97.
No entanto, no mesmo período, a quebra de sigilo bancário de Wendel Garcia mostrou que o anapolino realizou transações bancárias acima de R$ 7 milhões. “Valor evidentemente incompatível com os rendimentos e o patrimônio declarado pelo dirigente da Agehab”, concluem os promotores.
“Wendel Garcia movimentou em suas contas bancárias cerca de 14 vezes mais do que o valor oficialmente auferido no período analisado, o que evidencia expressiva incompatibilidade financeira e fortes indícios de ocultação ou dissimulação de recursos”, destacam.
EMPRESAS
De acordo com a investigação, para mascarar parte da movimentação financeira, o então vice-presidente da Agehab tornou-se em 2024 sócio de duas empresas, unido-se a uma terceira já de sua propriedade. O capital social desta empresa é de R$ 20 mil. “Mas em 08 de abril de 2024, o investigado entrou no quadro societário de uma empresa de “derivado de petróleo” após pagar R$ 200 mil.
Desta forma, apontam os investigadores, Wendel conseguiu justificar um aporte de R$ 2.042.270,48 proveniente destas empresas, uma com capital de apenas R$ 20 mil e outra recém-adquirida. O inquérito sinaliza que as empresas funcionavam como uma forma de “internalizar” o dinheiro originado de desvios na Agehab.
Ainda assim, considerando o patrimônio declarado, a renda apurada no exercício de 2024 totalizaria R$ 5.486.129,64. “Contudo, o investigado realizou movimentações bancárias de R$ 7.023.091,36, isto é, Wendel Garcia realizou transações no importe de R$ 1,5 milhão sem qualquer lastro da sua origem”, concluem os promotores.






