Numa semana em que cuidadoras independentes de Anápolis se manifestaram na Câmara Municipal pela conclusão da obra da UPA Veterinária, a vereadora Thaís Souza (Republicanos) defendeu uma agenda contínua de políticas públicas voltadas aos animais – como a castração – para reduzir o grave quadro de abandono no município. Ela também abordou a decisão da Justiça de proibir o bem-estar animal no Centro de Zoonoses.
O Anápolis Diário também fez os mesmos questionamentos à vereadora Seliane Santos (MDB), também defensora da causa animal, mas ela não respondeu.
Confira a entrevista na íntegra abaixo:
Anápolis Diário: A Justiça atendeu a um pedido do MP e determinou que a prefeitura pare de usar o Centro de Zoonoses como abrigo. Avalia que foi a decisão é correta?
Thais Souza: Lá era Centro de Zoonoses e Bem-Estar Animal. Não vejo como correta a decisão. Poderia haver uma decisão com prazo para a prefeitura contratar clínica para atender os animais. Como fica a questão de atendimento? Nós não temos. O MP dá prazo para a prefeitura se readequar, informar outro local de atendimento, de castração. Temos um ano e meio sem esse atendimento. Isso é problema. Só quem vive a realidade sabe o que há de animais doentes e procriando nas ruas.
AD: Apoiadores da causa animal divergem sobre a instalação de abrigos públicos para animais de estimação. Qual sua posição sobre uma estrutura desta para Anápolis?
TS: Visitei seis cidades do interior de São Paulo que fizeram abrigo público para os animais. Todas estavam desesperadas para desfazê-los, pois o prefeito respondia por crime ambiental e de improbidade. Os locais viram despejos de animais. A prefeitura não consegue ter controle e municípios vizinhos despejam outros animais. Vira um campo de concentração.
AD: Tutores têm tido dificuldades com o serviço de castração no município. Quais medidas podem ser tomadas para solucionar este problema?
TS: Sabemos da dificuldade de conscientização. Precisamos de um trabalho contínuo de políticas públicas, como a castração diária. E que as leis sejam efetivamente cumpridas, como fiscalização e punição. No momento não há serviço de castração que atenda o município há um ano e meio. Foi feito um chamamento para clínicas veterinárias que não estão funcionando. A cidade precisa de castração diária. A gente só vence o abandono e a reprodução constante dos animais com castração em massa.
AD: O prefeito Márcio Corrêa afirmou, no ano passado, que poderia terminar a obra da UPA Veterinária caso as vereadoras da causa animal apontassem fontes para custeio. Qual sua sugestão para viabilizar o pleno funcionamento da estrutura?
TS: O prefeito nunca me chamou para tratar deste assunto. A gente tem deputados parceiros para trabalhar e estamos à disposição, pois queremos somar com a causa. Vivo essa causa há mais de 25 anos e sei da realidade. Bate na minha porta todos os dias. Os próprios órgãos públicos mandam procurar nossa entidade. Todos os dias batem pessoas na porta com animais doentes, de maus-tratos, abandonados. Mas sozinhos não conseguimos resolver o problema da cidade.
AD: Numa avaliação geral, que nota daria para a gestão pública no tema bem-estar animal em Anápolis?
TS: É difícil dar nota. O órgão não iniciou atividades. Só tem gente trabalhando lá com cadastro para atender a população. Não há ação efetiva nenhuma para atender a população. Não tem nem como avaliar, pois não foi feita ação concreta por esse órgão. Queremos ações concretas. Animais nas ruas é problema de saúde pública e de mobilidade urbana.






