Todos os partidos que estão com diretório ou comissão provisória em vigência em Anápolis têm homens como presidentes. Levantamento do Anápolis Diário, com base no Sistema de Gerenciamento de Informações Partidárias (SGIP-3), do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aponta que nenhum dos órgãos vigentes é liderado por mulher.
Onze legendas estão com registro ativo, todas elas presididas por homens. A Federação Brasil da Esperança (PT/PCdoB/PV) tem um homem e uma mulher dividindo as competências da presidência, mas Zeila de Oliveira – a mulher em questão – está com registro inativo junto ao TSE. Para fins legais, o comando está então a cargo apenas de Rafael Barreto Castelo Branco.
Dos 30 partidos com registro nacional, apenas 11 estão estruturados em Anápolis. E apenas PT e PSOL mantêm diretórios. União Brasil, MDB, Podemos, Solidariedade, PSB, Avante, Agir, DC e PDT se organizaram em comissões provisórias.
O PSDB recentemente anunciou que o vice-prefeito Walter Vosgrau vai presidir a legenda em Anápolis, numa reviravolta que tirou aquela que seria a única mulher presidente de um partido no município. No início do ano, era cotada para o posto a ex-vereadora Mirian Garcia, que chegou a conceder entrevista como indicada na transição.
No entanto, no mês passado, Vosgrau foi alçado ao posto numa comissão provisória que ainda não foi oficializada junto ao TSE, mas que tem Lisieux Borges como vice-presidente e Michel Roriz como secretário-geral. Os nomes não estão fechados é provável que não haja oficialização antes do período eleitoral.
CACIQUES
Caciques da política local comandam quatro partidos na cidade. Amilton Batista de Faria, pai da presidente da Câmara Municipal, Andreia Rezende (Avante), e do deputado estadual Amilton Filho (MDB), preside o União Brasil. O partido tinha Eerizania Freitas como presidente no município e foi para outro grupo político depois da derrota da candidata apoiada pelo ex-prefeito Roberto Naves (Republicanos). Ela, inclusive, retornou ao Republicanos.
O deputado estadual Coronel Adailton comanda o Solidariedade, mas não com seu próprio nome. O filho dele, Adailton Florentino do Nascimento Júnior, está na presidência da comissão provisória.
Outro cacique anapolino que preside um partido a nível municipal é o vereador Jakson Charles. Ele comanda o PSB há anos e, mesmo depois da saída de Elias Vaz, um de seus mais antigos aliados, o parlamentar permaneceu – e elogiado pela direção de Aava Santiago. No entanto, é provável que a relação esteja perto do fim. Em 2028, na janela que lhe autoriza a fazer tal movimentação, Charles deve migrar para o Democrata, ex-PMB, e também presidi-lo.
O também vereador Frederico Godoy comanda o Agir desde que deixou o Solidariedade, em 2024, na janela partidária. Até as eleições, a legenda foi presidida por um aliado, sob orientação dele, mas desde o ano passado Godoy se colocou efetivamente como presidente.
O PT é o único partido que realizou eleições para decidir a direção do diretório. Mas mesmo os partidos progressistas não têm mulheres na presidência. No consenso petista, o eleito foi Francisco Rosa. No PSOL, o incumbente é o professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG) Marcelo Moreira.
DESEQUILÍBRIO
Para a cientista política Ludmila Rosa, o afastamento da mulher do comando dos partidos e das decisões das legendas é sintoma da inefetividade da legislação que tenta ampliar a participação feminina na política. Na visão dela, há uma leniência do Judiciário e do Ministério Público com casos de fraudes, o que desestimula mulheres.
“Existem ferramentas jurídicas colocadas e não estão sendo cumpridas pelos partidos e até pelos órgãos julgadores, como Judiciário e MP. Os partidos políticos assumem o risco (de fraudes nas cotas), pois o Judiciário não aplica a lei. Há de se ter uma posição mais firme dos órgãos de controle”, destaca.
Por sua vez, Guilherme Carvalho, também cientista político, lembra que as mulheres que hoje estão na política, na maioria das vezes, tiveram como padrinho político ou fiador algum homem que já estivesse estabelecido nos espaços de poder. Observa-se, em Anápolis, por exemplo, os casos de Andreia Rezende, pai e irmão, e Vivian Naves, esposa do ex-prefeito Roberto Naves.
“Na hora da definição das candidaturas, as que competem são as que têm o apoio do marido, do pai, do irmão ou de algum homem já envolvido na política partidária. Há barreiras na inserção das mulheres. Elas também acabam tendo pouco acesso a recursos e discussão, o que desincentiva a discussão na política partidária, que é a que tem legitimidade institucional”, argumentou.
Neste cenário, de acordo com os analistas, a sociedade produz uma “democracia desequilibrada e que não abarca mulheres e outras minorias representativas.”
“Esses grupos menorizados, como as mulheres, só estarão nos partidos, ou em quaisquer espaços de representação, se de fato se sentirem participantes efetivamente. Há uma demanda reprimida de protagonismo desses grupos. O desafio não é só trazer numericamente. O desafio é trazer e saber o que fazer com eles, ouvir e participá-las das decisões dos grandes temas partidários. Se não houver esse entendimento, eu me atrevo a dizer que será muito difícil trazer e manter essas minorias sociais”, avalia Rosa. “Para isso, precisamos acabar com o caciquismo que hoje impera”, completa.
Veja os presidentes de cada partido em Anápolis:
União Brasil: Amilton Batista de Faria
MDB: Pedro Paulo Caiado Canedo
Podemos: Ildecy Rodrigues Madureira
Solidariedade: Adailton Florentino do Nascimento Júnior
PT: Francisco Ferreira Rosa
PSB: Jakson Charles
Avante: Delcimar Fortunato
Agir: Frederico Godoy
DC: Jorge Bezerra
PSOL: Marcelo Moreira
PDT: Osmar Borges






