Anápolis conseguiu, depois de seis anos, reverter a queda no Índice de Participação dos Municípios (IPM). A participação da cidade na repartição do bolo do ICMS subirá 2,15% em 2027. O resultado foi divulgado nesta quinta-feira (16) pelo Conselho Deliberativo de dos Índices de Participação dos Municípios (Coíndice) – e obtido em primeira mão pelo Anápolis Diário.
Em 2026, o município teve índice de 4,6044131. Para o próximo ano, Anápolis tem índice 4,6773863. Entre as dez cidades de maior arrecadação no estado, Anápolis teve o maior crescimento percentual, à frente de Senador Canedo (1,77%) e Aparecida de Goiânia (1,1%). Goiânia viu seu IPM recuar 3,53%, enquanto o de Rio Verde teve queda de 0,74%. Neste ano, o município foi representado no Coíndice pelo deputado estadual Antônio Gomide (PT).
Apesar da alta, Anápolis segue em quarto lugar. Goiânia tem índice 12,77. Rio Verde manteve o segundo lugar, com 5,65, e Aparecida de Goiânia é terceira, com 5,59, com distância considerável para os 4,67 registrados por Anápolis. A cidade, porém, conseguiu um fôlego ante Senador Canedo, que se aproximava muito fortemente e ficou com 4,49.
A alta do Valor Fiscal Adicionado (VAF) foi o grande trunfo anapolino para o primeiro resultado positivo na década de 2020. Trata-se de um indicador econômico-contábil que mede a riqueza gerada em um município, calculado a partir da diferença entre as saídas, ou seja, as vendas, e as entradas ou compras das empresas locais.
O VAF responde por 70% do cálculo do IPM. Neste item, Anápolis avançou 2,08% com destaque para a Caoa, cuja riqueza gerada no município subiu R$ 1,9 bilhão em apenas um ano, e na Ambev, que é a maior geradora de riqueza da cidade, com R$ 2,6 bilhões. Somente cinco maiores empresas da cidade garantiram uma ampliação de VAF na ordem de R$ 2,9 bilhões em um ano. O VAF total foi avaliado em R$ 3,870 bilhões, dos quais 60% estão na indústria.
Anápolis também melhorou sua posição no ICMS Educacional – que representa 10% do bolo avaliado pelo Coíndice. Este critério avalia qualidade de ensino, equidade, taxa de aprovação e número de matrículas. A alta foi de 13,43%. Na saúde, que representa 5% da cota-parte, houve ligeira melhora, de 0,07%. Este critério baseia-se no volume de cadastros ativos no Cartão SUS, no desempenho e a amplitude da rede de saúde local.
O resultado poderia ter sido melhor se o município não sofresse uma queda de 75,58% no valor do ICMS Ecológico. Neste ano, a prefeitura não enviou dados à Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Semad) e, pela primeira vez, não atingiu nota máxima. O ICMS Ecológico representa 5% da cota-parte.
Os valores ainda são provisórios. O Coíndice abre prazo para recurso, mas raramente há mudanças nos números. No campo prático, a prefeitura terá 2,15% a mais em receitas de ICMS para trabalhar.
ALERTA
Durante o processo de avaliação, o deputado estadual Antônio Gomide, que representou Anápolis no Coíndice, teve audiências na Secretaria de Estado da Economia e tentou contato com o secretário municipal de Economia, Marcelo Olímpio, mas não foi atendido. Um dos alertas feitos pelo parlamentar à época era para que o município não deixasse de enviar os dados de educação, saúde e meio ambiente para ampliar a receita.
“Não crescemos mais porque não foram enviadas as informações para a Semad. Não teve nada. Repetiram o que tinha do ano anterior. Aí ficamos com este valor baixo no Ecológico. Se tivesse empatado, o crescimento seria até maior. Pelo menos, no geral, crescemos mais de 2%”, disse o parlamentar ao AD.





