Pelo menos dois dos ex-presidentes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) subseção Anápolis se posicionam publicamente contra uma eventual venda da área que hoje sedia o Centro de Cultura, Esporte e Lazer (CEL) da OAB. Desde o início do ano, a entidade tornou público aos advogados a possibilidade de comercializar a área nas Chácaras Americanas, o que causou reações.
A abertura de uma negociação para eventual venda da área que hoje sedia o Centro de Cultura, Esporte e Lazer (CEL) da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Anápolis mexe com a advocacia local e divide opiniões. Enquanto há quem tema perder definitivamente um importante espaço de lazer, outros entendem que o clube hoje não tem mais a demanda de outrora e mantê-lo é economicamente inviável.
MOMENTO
O Anápolis Diário conversou com três ex-presidentes da OAB subseção Anápolis que opinaram sobre a negociação. Antônio Rodovalho e Washington Pacheco mostraram-se desfavoráveis à eventual venda da área, embora tenham reconhecido que existe um déficit operacional, que é o principal argumento da subseção para a negociação.
Rodovalho avalia que agora “não é momento de venda”. “Imóvel está em baixa. Não tem ninguém interessado em pagar um bom preço. Quem for comprar, vai comprar no preço que quer pagar. Os juros estão muito altos e isso afetou o mercado imobiliário”, opinou.
NÚMEROS RUINS
Pacheco diz que, no início do ano, participou de uma reunião em que foi apresentado um balanço para demonstrar o déficit da operação do CEL. O ex-presidente reconhece que é grande, mas lamenta a possibilidade de comercializar o terreno. “Pessoalmente sou contra a venda. Deveríamos tentar (viabilizá-lo). Na nossa época administramos sem muito recurso e deu certo”, resumiu.
Ele admite, porém, que “os números de hoje são bem ruins” e que “não pode ficar como está”. “Acredito que com gestão seria possível administrar para manter a área. Não está fácil mesmo manter um clube, mas eu tentaria outros modelos”, argumentou.
NATURALIDADE
Jorge Henrique Elias, outro ex-presidente ouvido pelo Anápolis Diário, preferiu não fala diretamente sobre a negociação, uma vez que alegou não ter conhecimento dela. No entanto, relatou que desde o período em que presidiu a subseção Anápolis, entre 2019 e 2021, havia uma preocupação com o custeio do CEL.
“Vejo com extrema naturalidade que as atuais diretorias estudem alternativas para equilibrar essa conta e permitir que os recursos da Subseção sejam cada vez mais direcionados à Advocacia Anapolina, não apenas na área social, mas também em estrutura, serviços e suporte ao exercício profissional”, disse ao AD.
EX-PRESIDENTES QUEREM REUNIÃO
Antônio Rodovalho relatou que um grupo liderado pelo advogado Antônio Heli de Oliveira, também ex-presidente da OAB Anápolis, tenta articular uma reunião com o presidente da seccional, Samuel Santos, para entender em que pé está a negociação. O que eles pedem é que haja um diálogo com a classe, uma vez que não houve consulta à advocacia.
“Queremos marcar uma reunião dos ex-presidentes para, junto com o presidente atual, formar uma opinião. Não queremos impedir a venda, mas entendemos que a subseção precisa ser ouvida. Há um conselho de beneméritos e é preciso entender tudo isso”, avaliou o ex-presidente.
Os ex-presidentes, no entanto, são consensuais quanto à relevância do CEL como patrimônio da advocacia anapolina. Elias e Rodovalho destacam a estrutura do clube, com salão de festas, campo de futebol, quadras de tênis, parque e piscinas. Ambos também esperam que uma eventual venda reverta-se noutros investimentos para a classe no município.
“O que defendo, em qualquer hipótese, é que eventual solução seja conduzida com transparência, diálogo institucional e respeito à advocacia local”, pontuou Jorge Henrique Elias. “Se algum dia houver decisão pela venda, permuta, locação, parceria ou qualquer outra forma de aproveitamento da área, entendo que os benefícios decorrentes devem ser revertidos, prioritariamente, em investimentos permanentes para a advocacia anapolina”, completa.
O AD também tentou contato com Antônio Heli de Oliveira e com Jeovah Borges Júnior, mas não conseguiu retorno.






