A visita do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a Goiás nesta semana ampliou o otimismo de que Anápolis tenha um centro de transplantes cardíacos – o segundo do Centro-Oeste e primeiro do estado. Nas diversas agendas públicas que fez em Goiânia, Aparecida de Goiânia, Catalão e Rio Verde, nas duas últimas ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o ministro citou a cidade como sede de uma nova referência para transplante de coração.
Em agenda em Rio Verde na terça-feira (2), Padilha disse que o processo está adiantado e “em breve teremos em Anápolis mais um centro de transplantes”. Antes, em Aparecida de Goiânia, ele também havia mostrado otimismo para autorizar o centro de transplantes no município. “Vamos avançar para que a gente possa ter mais um serviço de alta especialidade no estado de Goiás”, disse ao inaugurar uma nova sala de cirurgia no Hospital Municipal Iris Rezende Machado (Hmap).
Desde o fim do ano passado, quando o município mostrou interesse de habilitar o Ânima Centro Hospitalar como centro transplantador, o processo avançou. Nesta semana, a unidade concluiu o envio dos documentos necessários à Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO). É a autoridade sanitária estadual quem inicia os trâmites e autoriza que ele siga para o Ministério da Saúde.
A SES-GO, inclusive, já vistoriou a estrutura do Ânima depois que a unidade deu entrada no pedido. A vistoria inicial considerou que o hospital tem a estrutura adequada para seguir com o processo de habilitação para converter-se em centro de transplantes.
O hospital não se manifesta publicamente sob o argumento de evitar ruídos para não atrapalhar o processo. No entanto, há otimismo para a autorização do Ministério da Saúde. A expectativa é de que ele seja concluído até o fim do ano, o que faria de Anápolis a única cidade goiana com um centro de transplantes cardíacos, a primeira desde o fechamento do Hospital Santa Genoveva, em Goiânia, no início dos anos 2000. Em todo o Centro-Oeste, apenas Brasília tem unidade com autorização para transplantar pacientes cardíacos.
CAPACIDADE DE ATENDIMENTO
Se habilitado como centro transplantador, o Ânima atuará, num primeiro momento, apenas em convênio. Ou seja, terá um acesso mais restrito de pacientes de planos de saúde. No entanto, o plano é, depois disso, conseguir um credenciamento para atender via Sistema Único de Saúde (SUS), mas o processo é mais lento.
De cara, o hospital estima que poderia fazer cerca de 20 transplantes de coração por ano, o que dá uma média de pouco menos de dois por mês. “A demanda por convênio é menor, mas este volume já mostraria para o Ministério da Saúde que o hospital tem capacidade e aumenta o interesse”, disse o vice-prefeito Walter Vosgrau (PSDB), que é médico cardiologista e está à frente do processo.
De acordo com Vosgrau, a partir do momento que o Ânima obtiver um credenciamento para atender pelo SUS, passaria a executar uma média de até quatro transplantes por mês – que é a demanda mensal pela rede pública. “Aí iriam pacientes não só de Goiás, as de outros estados do Centro-Oeste, que não têm centros de transplante, e até de outras regiões”, explica o vice-prefeito. “Se você vai tendo resultado, começa a puxar gente de outros lugares para nossa cidade”, completou.
Como não há uma unidade habilitada para transplantes de coração em Goiás, centenas de pacientes goianos precisam se deslocar até o interior de São Paulo ou Brasília para realizar um procedimento de tamanha delicadeza. Uma habilitação em Anápolis seria a solução para centenas de famílias. “O paciente de transplante é muito debilitado. E além dele, a família tem que ir junto para o pré-transplante”, ressalta Vosgrau.
OUTRAS ESPECIALIDADES
Além do transplante cardíaco, o Ânima quer obter autorização para transplantes renais, de medula e de fígado. O primeiro, inclusive, está bem adiantado. No entanto, a avaliação do hospital é que, saindo a habilitação para a especialidade cardíaca, as demais virão mais céleres pelo histórico da unidade neste procedimento. O mais complexo é o de medula, que tem uma série de exigências.
No caso de habilitação para transplantes em quatro especialidades, o hospital passaria a receber um complemento além da média do SUS por procedimento realizado. “Nossa ideia é começar com o coração, mas o transplante renal está praticamente pronto”, disse Vosgrau. “Os outros, depois do coração, são mais rápidos, pois já está cadastrada a unidade para fazer transplante”, complementou.
O processo para credenciar o Ânima como prestador de serviço do SUS, no entanto, deve levar mais tempo, uma vez que é necessária a anuência não só do Ministério da Saúde, mas também das secretarias municipal e estadual de Saúde. O plano é dar andamento depois das habilitações para transplante.






