Recém-empossado presidente do Sindicato dos Construtores de Anápolis (Sinduscon), Juliano Pereira dos Santos avalia como positivo o debate ocorrido na Câmara Municipal sobre o possível aterramento da fiação na cidade. O engenheiro detalha quais seriam os desafios para o município em promover o aterramento nas áreas já consolidadas, como o Centro. Por outro lado, demonstra otimismo em levar o debate adiante para os novos empreendimentos urbanos.
“Nós todos lamentamos as mortes causadas pelo abandono da fiação e, por isto, parabenizamos a gestão municipal em buscar estas soluções”, destaca. Em uma análise geral sobre o cenário urbano, o profissional diz que um projeto de aterramento demanda “muita cautela”.
“Os custos são exorbitantes. A cidade não foi planejada para isto, então um projeto assim impactaria em diversas outras redes, como sistemas de esgoto, de água, nas redes pluviais e até mesmo nas ligações dos ramais com as residências”, explica, referindo-se à necessidade de mudança e adaptação a fim de distribuir os espaços sob o chão.
“Além das escavações, há ainda a necessidade de abrir áreas técnicas para tornar a estrutura viável. Pode demandar até mesmo desapropriações”, completa Juliano que coloca em dúvida se este seria o “momento da cidade” em tocar um projeto assim. O presidente do Sinduscon defende que haja um aumento da fiscalização e da própria regulamentação do uso da fiação aérea como soluções mais viáveis.
NOVAS ÁREAS
Juliano Pereira, por outro lado, vê com bons olhos o debate sobre a adequação de fiação subterrânea em novos loteamentos. “Ficaria mais caro, mas possível de ser planejada e executada. Uma parceria entre os empreendedores e a prefeitura podem encontrar uma solução de viabilidade econômica”, sugere.
O líder classista propõe, ainda, um norte ao debate. “Uma desoneração nos custos de legalização, de contrapartidas em prol de uma infraestrutura enterrada é um ponto positivo de discussão”, emenda.
O empreendedor alerta o que considera um fato imutável no debate: “O importante é sempre entender que quem paga a conta é o cliente”. “Mas seria muito interessante que nos novos projetos a gente pudesse evoluir a cidade”, reitera.
CUSTO
Convidado a estimar – ainda que superficialmente – sobre o custo de impacto no metro quadrado num loteamento com o uso da fiação soterrada, Juliano diz ter feito um levantamento com loteadores da cidade a fim de apresentar um dado coerente.
“O custo da rede elétrica fica de cinco a oito vezes maior, a depender da característica do loteamento. Isso irá refletir em um aumento superior a 20% no preço de venda do loteamento”, aponta.

Classista sugere Redes Neutras para resolver cabos: Prefeitura já prepara projeto para instalar sistema
“Hoje, existe um sistema de rede neutra de telecomunicações. Uma rede única que pode ser compartilhada por vários provedores de internet. Apenas uma empresa, ou até mesmo a prefeitura, estrutura a rede e loca para os provedores”, explica Juliano Pereira a respeito de um modelo de negócio que vem crescendo nas cidades justamente como alternativa para o aterramento.
Se fazer toda a fiação do centro passar por debaixo do chão seria algo oneroso e até mesmo causador de inúmeros incômodos, Pereira acredita que o uso das redes neutras “seria uma solução para melhoria do aspecto visual da cidade e da segurança”.
PREFEITURA
O prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL) confirmou ao Anápolis Diário que o sistema das chamadas Redes Neutras (saiba mais no box nesta reportagem) já será aplicado em toda a cidade. “Vai acontecer na cidade inteira. Ele resolve parte do problema, que são os cabos de internet. Já está sendo confeccionado um modelo de Parceria Público Privada para viabilizar o sistema”, revela.
Corrêa dá a dimensão da gravidade do problema envolvendo o cabeamento de redes de celular e de internet. “Encontramos postes com 58 cabos diferentes, grande parte deles já abandonados. O de energia não é problema: ele é só um”, explica.
A gestão municipal estuda, inclusive a possibilidade de aterramento do sistema de rede neutra, uma vez que é um custo e uma intervenção bem menos agressiva. “Com este sistema de internet e todas as empresas puxam seus sinais por ela”, aponta.

O QUE É REDE NEUTRA?
A Rede neutra é um modelo de negócios no setor de telecomunicações onde uma empresa independente constrói e gerencia a infraestrutura física, como cabos de fibra óptica ou convencional, e a aluga para múltiplos provedores de internet. Em vez de cada operadora construir sua própria rede, todas compartilham a mesma estrutura para atender seus clientes finais.
O uso deste tipo de tecnologia poderia, além de gerar uma estética favorável às regiões tomadas por fios, também facilitar a expansão das empresas, uma vez que o sistema pode alcançar novos setores. Além disto, é claro, diminuiria o risco de contato das pessoas com redes energizadas, como ocorreu recentemente.
“Saneamento” de fios e cabos começou com debate na Câmara
Recentemente, um adolescente morreu ao encostar em um poste energizado na região da Igrejinha. Antes, em um caso que comoveu toda a cidade, o menino João Victor morreu em uma praça na região central ao tocar em um cabo de internet que estava solto do poste. Seu nome foi homenageado pela gestão municipal, que pês seu nome em uma área de lazer infantil no Parque Ipiranga.
Estes dois casos motivaram o debate sobre a possibilidade de aterramento dos cabos aéreos, iniciado pelo vereador Jean Carlos (PL), que levantou a possibilidade. O acúmulo e, principalmente, o abandono de fios energizados que se desprendem pela falta de controle e manutenção tem colocado em risco a vida de milhares de pessoas que transitam próximos a estes pontos.
DIFICULDADES
Presidente da Associação das Imobiliárias de Anápolia (AIA), Frederico Godoy (Agir) reagiu à propositura. Para ele, uma possível exigência para que novos loteamentos demandassem de aterramento iria inviabilizar nos investimentos na cidade.
“O empresariado está esbarrando em várias dificuldades. Uma fiação subterrânea seis a dez vezes mais cara que a convencional. Se o vereador [Jean Carlos] soubesse a dificuldade e o custo de manutenção, ele não proporia isto”, ponderou Godoy, colocando o gargalo financeiro como um empecilho para o aumento da segurança pelo aterramento da fiação. “O custo do lote está muito caro”, completou.
Jean Carlos, no entanto, insistiu na tese. “Sei da sua preocupação da questão econômica e em especial do mercado imobiliário. Mas caro é um pai de família perder um filho por conta de um fio energizado. Caro é estarmos sujeitos a outros casos como este”, respondeu, garantindo haver espaço para “estudar os avanços”.
OUTRAS OPINIÕES
Rimet Jules (PT) apoiou o debate proposto por Jean Carlos. “É impossível barrar os avanços tecnológicos. Esta discussão não é para ser feita em toque de caixa, mas é necessário que haja este debate entre Prefeitura, Câmara e os empresários”, defendeu. Para o parlamentar é inquestionável o impacto financeiro, mas é preciso também levar em conta os avanços que um projeto de aterramento pode trazer.
Decano da Câmara Municipal, Jakson Charles (PSB) escolheu o “caminho do meio” na polêmica da fiação. Para ele a dificuldade não é somente financeira “Há uma inviabilidade técnica por conta de espaços já consolidados, como o centro”, avaliou. Charles, no entanto, destacou a importância do tema trazido pelo colega Jean Carlos. “O vereador tem uma preocupação importante só a preocupação dele já merece nossa atenção e debate”, apoiou.







