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Disparada de aluguéis faz empresários “fugirem” do Centro e do Jundiaí e mirar novas regiões

Enquanto tradicionais setores de oferta de comércio e serviços definham, outros bairros ganham cada vez mais expressão entre lojistas e comerciantes

Rafael Tomazeti por Rafael Tomazeti
15/05/2026
Disparada de aluguéis faz empresários “fugirem” do Centro e do Jundiaí e mirar novas regiões
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Rafael Tomazeti

 

Já há muitos anos não é raro observar lojas de portas fechadas, pontos comerciais vazios e um abandono cada vez maior no Centro de Anápolis. Este é mais um sintoma de uma enfermidade complexa. Insegurança, sujeira, falta de estacionamento, desordenamento urbano e pouco espaço para o pedestre completam as notas de uma já conhecida canção do réquiem central.

Dados da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) apontam que 16,4% de todos os imóveis comerciais da região estão desocupados – o que representa cerca de 200 estabelecimentos a menos entre aqueles em funcionamento. O percentual se assemelha ao levantado em São Paulo, que também sofre com a deterioração do Setor Central, com 20% dos imóveis abandonados e fica abaixo dos assombrosos 30% de Porto Alegre – capital que tem lutado contra um êxodo de seus moradores, há mais de uma década, para cidades do interior ou da região metropolitana. O destaque, porém, é que este volume é um recorde e inabitual para os padrões de Anápolis, que historicamente viveu no Centro seu esplendor comercial.

 

JUNDIAÍ

A própria CDL diz que o índice é elevado. A entidade diz que, entre os imóveis desocupados, a maioria é de estabelecimentos de menor porte, mas também há cerca de 20 que abrigam empreendimentos maiores.

No Jundiaí, o cenário também começa a ser alarmante. O bairro nobre, o mais badalado da cidade, que começou há pouco mais de duas décadas concentrar a boemia anapolina e a gastronomia mais refinada na cidade, também definha. Se antes os melhores bares e restaurantes estavam de portas abertas em avenidas como a São Francisco ou a Pinheiro Chagas, o que se vê em 2026 são dezenas de imóveis com placas de ‘aluga-se’. E alguns deles já há vários anos.

No bairro da região leste, o índice de vacância é mais baixo que o do Centro e está em 8%, mas também é considerado elevado pelo Fórum Empresarial, até porque o Jundiaí ainda é majoritariamente residencial.

 

MUDANÇA

O curioso, no entanto, é que muitos destes empreendimentos não morreram. Eles só resolveram migrar. Há casos emblemáticos, como o do Bar Coliseu, por exemplo, que escolheu a região da Vila Jaiara depois de o preço elevado dos aluguéis pesar na contabilidade do empreendimento.

Outro exemplo emblemático é o Vegas Gastrobar. Inicialmente instalado na Avenida São Francisco, no Jundiaí, a casa optou por uma mudança de endereço e escolheu o final da Avenida Fernando Costa, quase em frente ao Parque da Jaiara para – entre outras vantagens – fugir o preço dos alugueis. E é justamente esta uma das maiores moléstias dos empresários que decidiram deixar para trás os tradicionais pontos de comércio da cidade.

“Aquele empreendedor da região central, do Jundiaí, que têm aluguéis mais altos, fecha seu negócio ou busca bairros mais afastados, com valores de aluguéis mais módicos para continuar com seu negócio”, explica o presidente da CDL, Luís Miguel Mendes.

 

ASSOCIAÇÃO

A Associação das Imobiliárias de Anápolis (AIA) pondera: “o aluguel, para quem paga, é muito, e para quem recebe, é pouco”. Segundo o presidente da entidade, Frederico Godoy, os valores dos aluguéis são calculados a partir do valor venal do imóvel. A média é de 0,5% para os residenciais e 0,7% para os comerciais. De acordo com Godoy, o cenário também tem impactado os proprietários de imóveis.

“Muitos desses empresários estão preferindo, muitas vezes, vender seu imóvel comercial e colocar no banco. O banco está rendendo 1%. Então, esse é um problema também que vem atrapalhando muito o comércio desses imóveis que estão fechados ali no Centro”, explica.

 

Alta dos aluguéis tem aberto novos eixos de comércio e gastronomia

As cada vez mais comuns placas de ‘aluga-se’ no Centro e no Jundiaí não querem dizer que os estabelecimentos que estavam ali fecharam as portas. Muitos dos empreendedores buscaram espaço em novos eixos de desenvolvimento do município, como por exemplo as regiões do Recanto do Sol e da Jaiara. Outro ‘hub’ comercial em ascensão é o Parque Brasília. Em bairros como Munir Calixto e Filostro Machado, por exemplo, os pequenos negócios tomam conta das avenidas.

“Hoje, muitos comerciantes estão migrando para os bairros. Você pega alguns bairros, como o Recanto Sol, a Grande Jaiara, temos comércios fortes. O próprio Jundiaí, em que muitos bancos migraram para lá. E o que levava o centro a ser pujante era esse Comércio, eram os bancos, algumas lojas-âncora, como a gente fala destas lojas grandes. Hoje estão saindo do centro e estão migrando para shopping centers ou, muitas delas, estão fechando, trabalhando com comércio eletrônico”, analisa Godoy.

Para a AIA, a expansão do comércio eletrônico é um dos fatores preponderantes nesta realidade. A CDL concorda e também avalia que outros fatores macroeconômicos impulsionam o fechamento de lojas. “O setor agropecuário está com endividamento altíssimo, o que impacta giro de dinheiro na economia, no comércio. O fator do comércio eletrônico também tira vendas dos serviços, comércio de rua e shopping e, por fim, o alto índice de inadimplência no país”, completa Luis Miguel Mendes.

 

 

Revitalização tem projeto, mas ainda não foi aplicado no centro

O prefeito Márcio Corrêa (PL), ainda enquanto candidato, se comprometeu, no plano de governo, a revitalizar o Centro de Anápolis, assumindo um compromisso que é cobrado há décadas pelas entidades empresariais. Em abril de 2025, ele anunciou um concurso para escolher os melhores projetos. Foram três selecionados.

Por ora, efetivamente não há obras no chamado quadrilátero central. Os planos incluem aterramento de fiação em algumas ruas, alargamento das calçadas, revitalização de praças, implementação da Área Azul no estacionamento e, em última instância, até a construção de unidades habitacionais para repovoar o Setor Central.

 

MUDANÇAS

Há, porém, mudanças em curso que são mais simples e têm potencial para, em breve, mudar a realidade de clientes e lojistas. A prefeitura já deu prazo para que os vendedores ambulantes se adequem às normas e sejam realocados em um novo espaço, próximo à antiga Estação Ferroviária, liberando as calçadas.

O processo de recadastramento dos permissionários também deve abrir espaço para pedestres. Segundo a administração, 78% dos quase 5 mil licenciados para atuar em áreas públicas não fizeram o procedimento obrigatório. Nesta semana, abriu-se o período de notificações dos quase 4 mil permissionários agora irregulares, que após notificados terão cinco dias úteis para apresentar documentação. Caso contrário, poderão responder a processo simplificado para declaração de perda da permissão de uso ou autorização.

A administração também alega que tem priorizado as ações de limpeza e segurança, como demandado pelos lojistas.

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