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“Nossa atuação em Anápolis é obrigação de Governo, não uma estratégia política”

Governador Daniel Vilela fala com exclusividade ao AD e revela projetos para o futuro do Daia, transporte coletivo, segurança pública e Centro de Convenções

Rafael Tomazeti por Rafael Tomazeti
01/05/2026
“Nossa atuação em Anápolis é obrigação de Governo, não uma estratégia política”
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Daniel Vilela é o primeiro de sua geração a alcançar o posto político mais alto do Estado. Ao construir sua trajetória política, rapidamente criou identidade independente do pai, o ex-governador Maguito Vilela. Em 2018, fez o enfrentamento político contra o então candidato Ronaldo Caiado e deixou sua marca a ponto de ser chamado – e aceitar – o convite para deixar a oposição e somar ao projeto caiadista. A aliança entre a experiencia e a juventude funcionou: Caiado confiou sua sucessão ao vice, que se tornou titular do posto. Agora, Vilela o desafio de se consolidar como gestor e conquistar, como candidato, a reeleição para mais quatro anos. Em entrevista exclusiva do Anápolis Diário, o governador fala das estratégias de gestão, da relação com Anápolis, e do que anapolinos podem esperar.

Confira a entrevista na íntegra:

Anápolis Diário: Anápolis sofreu um baque em um dos assuntos que mais mexem com a autoestima do anapolino: a queda no ranking do PIB goiano. Como o Governo pode contribuir para dar oportunidade à cidade retomar este posto?

Daniel Vilela: Anápolis tem um papel estratégico na economia do nosso estado e uma importância enorme para o desenvolvimento de Goiás. É uma cidade com vocação industrial forte, que abriga o segundo maior polo farmoquímico do Brasil. O nosso trabalho no Governo de Goiás tem sido justamente criar as condições para que Anápolis volte a crescer em ritmo acelerado, com geração de emprego, atração de investimentos e fortalecimento da indústria. Um dos maiores exemplos disso é o DaiaPlam, que representa a maior expansão de áreas industriais dos últimos 20 anos em Goiás. Estamos falando de um projeto com 1,7 milhão de metros quadrados, que vai permitir a geração de mais de 20 mil empregos diretos e indiretos em Anápolis. E os resultados já começaram a aparecer. Estamos trazendo para o estado a empresa IBG Gases, que vai investir mais de R$ 140 milhões no município. Vai ser a primeira empresa a se instalar no DaiaPlam e uma das primeiras indústrias de grande porte na produção de oxigênio do Centro-Oeste. Também tivemos recentemente a aquisição da fábrica e do portfólio da Fresenius Kabi pela EMS, um dos maiores laboratórios farmacêuticos do país e da América Latina, fortalecendo ainda mais o polo farmacêutico de Anápolis e ampliando a capacidade industrial da cidade. Eu acredito muito na força e no potencial do povo anapolino. Estamos trabalhando para que Anápolis siga sendo protagonista econômica do nosso estado.

AD: O assunto hoje com maior expectativa em relação ao Governo do Estado é quanto à definição do novo formato de parcerias para o transporte coletivo. Há um formato já desenhado? Qual o tipo de participação é prevista pelo governo?

DV: A questão do transporte coletivo em Anápolis, assim como no Entorno do Distrito Federal, é motivo de preocupação constante por parte do Governo de Goiás. E o prefeito Márcio e eu já estamos construindo o projeto. Nós temos o compromisso de oferecer à população anapolina o melhor transporte coletivo da história de Anápolis, espelhado no que já fizemos na Região Metropolitana de Goiânia, que hoje é referência em todo o país. O que precisa ser feito inicialmente, é um estudo completo de logística e organização do sistema. Então, estamos avaliando o apoio ao prefeito Márcio nessa linha. Essa é uma ação fundamental para que todas as decisões que trarão melhorias ao transporte público de Anápolis sejam implementadas em parceria com a prefeitura. O que podemos garantir é que o mesmo nível de qualificação do transporte da Região Metropolitana de Goiânia, com ônibus com wi-fi, ar-condicionado, botão de pânico, veículos menos poluentes e câmeras de segurança, será implantado em Anápolis.

AD: Há correntes de pensamento que defendem aporte em tecnologia e mais veículos, intensificando as linhas. Outros, defendem redução de passagem? O usuário anapolino pode esperar pelo que?

DV: O que a população de Anápolis pode esperar é mais dignidade no dia a dia. Estamos falando de um transporte coletivo que ofereça condições adequadas para quem depende dele diariamente com mais conforto, previsibilidade, segurança e qualidade no atendimento. Nosso foco é estruturar um sistema completo, que envolve investimentos em tecnologia, melhoria e ampliação da frota, qualificação do serviço e organização das linhas, sempre com o objetivo de garantir maior eficiência e melhor experiência para o usuário. A prioridade é garantir que o transporte funcione bem, com qualidade e regularidade, sem soluções imediatistas que comprometam sua viabilidade futura. Estamos trazendo para Anápolis o que há de mais moderno em mobilidade urbana, com base em experiências que já demonstraram resultados positivos. O objetivo é consolidar um sistema sólido, alinhado às melhores práticas internacionais, que não apenas atenda às necessidades atuais da população, mas que também esteja preparado para acompanhar o crescimento da cidade e as demandas dos próximos anos.

AD: A duplicação das GOs-222, até Nerópolis, e 330, até Campo Limpo, são pleitos de empresários e motoristas. O governo tem previsão de duplicá-las?

DV: Temos ótimas notícias para os motoristas e empresários que dependem dessas rotas. Na GO-222, o projeto de duplicação entre Nerópolis e Inhumas já avançou para a fase de licitação. Adotamos o modelo de contratação integrada, o que agiliza o processo ao contratar o projeto executivo e a execução da obra simultaneamente. São 40,5 quilômetros de intervenções que incluem pista nova, restauração da antiga e a construção de pontes. O investimento previsto é de R$ 330,9 milhões. E, na GO-330, no trecho entre Campo Limpo e Anápolis, estamos formalizando um termo de cooperação técnica com a Prefeitura de Campo Limpo. O município vai ceder o projeto executivo para análise da Goinfra e, com a aprovação técnica, seguiremos para a contratação das obras de duplicação, pavimentação e restauração dos 13 quilômetros do trecho. Estamos trabalhando para tirar esses projetos do papel o quanto antes.

AD: Fala-se em transformar o Centro de Convenções de Anápolis em um rodoshopping ou na cessão do espaço para um paço municipal. Qual destes projetos está mais próximo de acontecer?

DV: Nenhuma dessas duas possibilidades está em discussão. Para compreender o momento atual do Centro de Convenções de Anápolis é preciso lembrar que o espaço era um elefante branco, com estruturas inacabadas, instalações sem condições de uso e sem as licenças necessárias. Na gestão do governador Ronaldo Caiado, enfrentamos esse desafio com seriedade e responsabilidade, resolvendo problemas estruturais e de documentação. Inclusive, ingressamos na justiça para que a construtora responda pelos prejuízos decorrentes de infiltrações e outras falhas que entendemos ser fruto de obra mal executada. Superamos cada obstáculo com eficiência e, hoje, o Centro de Convenções de Anápolis se consolidou como referência para grandes eventos e motor da economia local. Para se ter uma ideia, desde o final de 2022, quando o cantor Gusttavo Lima fez um show que marcou a entrega efetiva do CCA para a população, já recebemos quase 300 eventos no local, que movimentaram cerca de R$ 15 milhões na economia da cidade. Além disso, a administração estadual economizou mais de R$ 8 milhões em locações de espaços para formaturas, congressos e outras atividades, justamente porque passamos a utilizar o CCA. É natural que administrações públicas e empresas queiram ocupar um espaço que conseguimos colocar em pleno funcionamento e transformar em um caso de sucesso. A Prefeitura de Anápolis demonstrou interesse em ocupar um dos pavilhões, mas qualquer iniciativa nesse sentido está suspensa em respeito às restrições legais que impedem a cessão de bens públicos durante o período eleitoral. Então, quero dizer para a população de Anápolis que nossa gestão continuará tratando o Centro de Convenções com o mesmo zelo e eficiência demonstrados nos últimos anos. O objetivo é que o espaço siga recebendo inúmeros eventos, levando cultura, negócios e alegria para todos os anapolinos.

AD: A Prefeitura tem um ambicioso projeto habitacional. A Agehab vai auxiliar na construção de casas populares ou com o subsídio para a aquisição de moradias?

DV: O Governo de Goiás sempre estará de portas abertas para apoiar iniciativas sérias que ajudem a reduzir o déficit habitacional e a garantir moradia digna para a população, dentro das condições orçamentárias e da capacidade de execução do Estado. Temos feito um trabalho muito forte em Anápolis nessa área. Já entregamos 964 apartamentos do programa Pra Ter Onde Morar – Aluguel Nunca Mais, e temos outros 1.714 em construção na cidade. Também já beneficiamos 3.538 famílias com o Aluguel Social, sendo que 927 continuam recebendo atualmente o auxílio de R$ 350 por mês durante 18 meses. Além disso, entregamos escrituras para famílias que aguardavam há anos pela regularização definitiva de seus imóveis. Nosso compromisso é continuar avançando em políticas públicas que levem mais segurança, dignidade e qualidade de vida para as famílias goianas.

AD: O Daia revolucionou a indústria goiana nos anos 1970. Depois, vieram os polos fármacos e as montadoras. O próximo salto do distrito pode ser agora com a vinda de empresas que vão explorar a vantagem logística?

DV: O Daia já se consolidou como uma das principais plataformas industriais e logísticas do centro do país, impulsionado pela localização estratégica e por uma infraestrutura completa. O distrito reúne acesso a rodovias e ferrovias importantes, aeroporto de cargas, complexo alfandegário com o Porto Seco e o anel viário recentemente entregue, que melhora a circulação e amplia a competitividade da região. Com essa base, o Daia reúne condições para um novo ciclo de expansão, acompanhando as mudanças nas cadeias produtivas e na distribuição de mercadorias, com potencial de avanço também na área logística.

No governo, nossa estratégia é atrair novos investimentos e ampliar a presença de empresas desse segmento no distrito e esse movimento vai ser reforçado pela parceria com a prefeitura de Anápolis.

AD: O Mercado Livre está confirmado para a cidade? E a Shopee?

DV: No último dia 22, assinamos um decreto que deixa de exigir a inscrição estadual para fornecedores de produtos para empresas de comércio eletrônico, que, de fato trata-se de uma simplificação tributária, que promete atrair centenas de milhões de reais em investimentos e deve refletir em Anápolis, no Daia, e em diversos outros municípios de Goiás. Sobre a Shopee, já estamos bastante avançados em relação à ampliação de suas operações no estado. Recentemente, assinamos um memorando de entendimento que visa fortalecer a cooperação institucional que vai viabilizar a implantação e expansão da operação da empresa em Goiás, que propiciará incremento na logística e na ampliação do armazenamento de produtos de vendedores no atual centro de distribuição da empresa, com a previsão da expansão, gerando mais empregos e desenvolvimento econômico para o estado. Serão 3 mil empregos ao longo de 5 anos. Já o Mercado Livre confirmou a instalação de um novo centro de distribuição em Goiás. A escolha por nosso estado reforça a posição estratégica do nosso estado que oferece acesso facilitado ao Sudeste, Norte, Nordeste e Distrito Federal, ampliando de forma significativa nossa participação nos setores de indústria, comércio, serviços, e-commerce e logística.

AD: A sua proximidade com Anápolis, promovendo anúncios e dando atenção às pautas locais, podem mudar o perfil das votações majoritárias do MDB na cidade?

DV: A presença do Governo de Goiás em Anápolis é um compromisso administrativo e institucional com uma das cidades mais estratégicas do nosso Estado. Anápolis é um polo logístico, industrial e econômico fundamental para o desenvolvimento de Goiás. É uma cidade que conecta regiões, atrai investimentos e gera oportunidades. Por isso, a nossa atuação ali, com obras, programas e anúncios, é uma obrigação de governo, não uma estratégia político-partidária. Quando o poder público se faz presente, trabalha e entrega resultados, isso pode refletir na percepção da população sobre a gestão. O nosso foco é governar bem, atender a população e garantir que cidades como Anápolis continuem crescendo, com qualidade de vida e oportunidades para todos.

AD: As terras raras se tornaram um debate nacional. O senhor recentemente disse que havia morosidade no debate no Governo Federal e até o deputado Rubens Otoni concordou com a demora do Congresso em dar protagonismo ao debate. Qual a sua visão sobre o modelo ideal na exploração destas riquezas?

DV: De fato, o Governo Federal vem encarando a questão das Terras Raras como uma certa letargia, com diversas reuniões improdutivas sendo marcadas, sem sair, de fato, do lugar. Isso tem feito com que o país perca o protagonismo nessa discussão que é de interesse mundial. Em Goiás, segundo mapeamentos recentes, temos reservas minerais que representam 25% da disponibilidade mundial. Ou seja, nós somos referência no setor e, por conta disso, realizamos acordos com os governos do Japão e dos Estados Unidos, com o intuito de que o processamento dessas Terras Raras seja feito em Goiás. Hoje, os minerais extraídos em Goiás são enviados à China para processamento, seguindo a dinâmica internacional. O Estado assinou esses memorandos de entendimento visando instituir a industrialização localmente, agregando valor, inovação tecnológica e gerando empregos para o Brasil. Buscamos e exigiremos investimentos na agregação de valor desses recursos em nosso estado. Este é o nosso principal objetivo, evoluir a tecnologia e tornar Goiás uma referência geoeconômica mundial.

AD: Qual a expectativa do governo com a implementação do que vem sendo chamado de Pequi Bank?

DV: A nossa expectativa em relação ao Pequi Bank é promover um verdadeiro salto tecnológico e estabelecer um novo marco no desenvolvimento, na inclusão e na eficiência governamental do nosso Estado. Para os micro e pequenos empreendedores, a plataforma vai revolucionar e democratizar o acesso ao crédito produtivo e a diversos serviços financeiros de qualidade, com redução drástica dos custos bancários. Isso vai ser possível graças ao uso da tecnologia de ponta, operando como um super app, ou seja, um hub financeiro de vanguarda, de última tecnologia. Nós vamos utilizar a inteligência artificial e a análise de dados para realizar o que chamamos de fomento ativo. Na prática, o Estado não vai mais esperar passivamente, nós vamos antecipar as demandas do mercado e ofertar oportunidades de forma proativa e personalizada na palma da mão do empreendedor goiano, fortalecendo as cadeias produtivas locais e gerando mais emprego e renda. Além disso, o Pequi Bank será um importante instrumento de modernização e transparência na gestão pública. O sistema vai garantir a rastreabilidade e a auditabilidade em tempo real da aplicação de recursos nas políticas públicas de desenvolvimento econômico e social, assegurando total conformidade perante os órgãos de controle. E o mais importante para o cidadão pagador de impostos é que toda essa infraestrutura vai funcionar por meio de uma parceria estratégica com o setor privado, sem aporte financeiro direto e de custeio por parte da administração pública.

AD: O senhor é de uma nova geração e sempre teve uma trajetória política ligada à inovação, à tecnologia. O governo, sob seu comando, prevê a chegada destas inovações ao serviço público?

DV: Com certeza. Não existe mais espaço para uma administração pública analógica em um mundo que respira inovação. A tecnologia é o meio mais eficiente de levar dignidade e agilidade para o povo goiano. Nosso estado já é um dos mais digitais do Brasil e uma das metas do nosso governo é consolidar Goiás como o estado da transformação digital e da inteligência artificial. Já estamos fazendo isso levando, por exemplo, conectividade aos moradores do campo e incluindo idosos no mundo digital, com nosso programa Cidadão Tech, e transformando a vida das nossas crianças e jovens com robótica e drones pelo programa Start. Temos, em cada uma das Escolas do Futuro, mais de R$ 7 milhões investidos em equipamentos de ponta na tecnologia, inclusive levando os jovens com maior desempenho para intercâmbios de um mês nos países referência em tecnologia e inovação, como Singapura, Austrália e Inglaterra. Os próximos passos agora são escalar nossa atuação em inteligência artificial, na qual já somos referência no Brasil, e estabelecer a inovação na ponta do serviço público. Queremos que o cidadão resolva sua vida pelo celular, com processos desburocratizados e inteligência de dados para prever demandas na saúde e na segurança. Goiás já é referência no agro e agora estamos mostrando que somos referência em capital humano. Inovação no serviço público é respeitar o tempo do cidadão e garantir que o Estado seja um facilitador, e não um obstáculo. É esse o legado de modernização que estamos construindo dia após dia.

AD: O programa IA Contra o Crime tem mostrado resultados efetivos na capital e no Entorno. Há data para que seja estendido a Anápolis?

DV: O IA Contra o Crime já vem trazendo resultados muito positivos para Goiás. Nós estamos usando tecnologia de ponta para fortalecer o trabalho das forças de segurança, agilizar investigações e combater a criminalidade com mais inteligência e eficiência. É um programa inovador, que coloca Goiás na vanguarda da segurança pública no Brasil. Neste momento, ainda não temos uma previsão definida para a implantação do programa em Anápolis. Mas posso garantir que estamos trabalhando para ampliar essas ferramentas de forma responsável, estruturada e eficiente, sempre buscando levar mais segurança para todas as regiões do estado. E os resultados já mostram que estamos no caminho certo. Entre março de 2025 e março de 2026, com apoio do programa, as forças de segurança solucionaram mais de 1.170 casos, com aumento de 50% na resolução de crimes prioritários, como homicídios, tentativas de homicídio, roubos e furtos. Além disso, cerca de 775 veículos foram recuperados nesse período.

AD: Entre os nomes ventilados para a vida em sua chapa há diferentes perfis de idade, de geração, de representação. Há quem tenha peso eleitoral, há quem tenha representatividade em segmentos importantes. O senhor já tem critérios definidos para a escolha?

DV: Ainda não há uma definição sobre o nome que vai compor nossa chapa como vice-governador. Neste momento, nossa prioridade é seguir governando Goiás, mantendo o ritmo das entregas e das ações que têm transformado o estado. O processo político acontece no tempo certo e as definições serão construídas mais adiante, no momento adequado. Até lá, vamos continuar dialogando com toda a nossa base, ouvindo lideranças, avaliando cenários e buscando construir uma composição que represente bem Goiás, tanto do ponto de vista político quanto regional e social. Mas o foco principal agora é trabalhar, entregar resultados e cuidar da população goiana.

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