Ao longo das argumentações do Habeas Corpus (HC) impetrado por André Hajjar pelo seu representante legal a fim de anular o impacto da apreensão de drogas em sua residência pela Operação Confrades, o texto faz uma revelação: Wendel Garcia usava um imóvel de propriedade do empresário envolvido na operação do Ministério Público de Goiás (MP-GO).
O ex-vice-presidente da Agência Goiana de Habitação fazia uso do imóvel em Goiânia, segundo a defesa, que minimiza a informação, apontando ser este apenas um elo fraco da relação de ambos. O Anápolis Diário obteve acesso exclusivo do documento impetrado no dia 24 de março.
A defesa de Dedé Hajjar, como é conhecido em Anápolis, argumenta que o empresário seria um “efeito colateral” da operação que estaria toda focada nas ações criminosas de Wendel Garcia. Detalhe: Wendel manteve um relacionamento amoroso com a filha de André Hajjar.
“APENAS”
“A decisão constrói toda a sua narrativa em torno da conduta atribuída a Wendel Garcia da Silva, Vice-Presidente da Agência Goiana de Habitação. O Paciente [André Hajjar] é mencionado exclusivamente em razão de dois fatos: ser sócio da Excel Construtora e ser pai de Georgia Cavalcante Hajjar, que mantinha relacionamento afetivo com Wendel Garcia da Silva”, diz o texto do HC.
Mais à frente completa: “A esses elementos soma-se apenas a circunstância de que Wendel residia em imóvel de propriedade do Paciente. E nada mais”.
Conforme tese defendida por Hajjar, “não há indicação de um único ato concreto praticado pessoalmente por André Luiz Hajjar que configure participação, coautoria ou qualquer forma de concurso em conduta criminosa”.
“Não se aponta nenhuma reunião, nenhuma comunicação, nenhuma tratativa, nenhum ato de gestão, nenhuma movimentação financeira, nenhuma interferência do Paciente em procedimentos licitatórios ou contratuais da Agência Goiana de Habitação”, completa.
Segundo o MP-GO, o esquema gerido por Wendel Garcia beneficiou a empresa do “sogro” em uma suspeita de R$ 80 milhões em desvios de verbas públicas para a construção de casas populares. A investigação do MP-GO indica para uma “dependência financeira de Wendel Garcia” em relação ao empresário da Excel Construtora. Wendel morava em um imóvel de alto padrão, no Setor Marista, que é de propriedade do empresário.






