São nomes recorrentemente citados, usados como pontos de referência e indicações por centenas de anapolinos todos os dias. Todos são personagens importantes da construção da cidade ao longo das décadas. Mas grande parte deles são totalmente desconhecidos, já que seus nomes – ou o local que recebem homenagens – se misturam com números, datas e outros nomes de alcance nacional.
O fato é que Anápolis está cheia de justas homenagens a personalidades locais que passam desapercebido do conhecimento de quem todos os dias passa por eles e nem sabe de quem se trata. Conheça a (breve) história de alguns deles.
Dom Emanuel Gomes de Oliveira — Praça Dom Emanuel
Dom Emanuel Gomes de Oliveira foi uma das personalidades mais influentes da Igreja Católica em Goiás. Natural de Salinas (MG) tornou-se bispo em 1923 e permaneceu à frente da então Diocese de Goiás até a sua morte, em 1955. Participou diretamente do processo de modernização educacional do estado. Presidiu a comissão de 1932 que escolheu o local onde seria construída a nova capital goiana. Em Anápolis, teve papel decisivo na consolidação de duas instituições católicas. Em 1934, convidou as Filhas de Maria Auxiliadora, da Congregação Salesiana, para assumir uma obra educacional na cidade. Também promoveu a vinda dos frades franciscanos de Nova York, que chegaram à cidade entre 1943 e 1944 e tiveram participação na educação e na vida religiosa. A praça foi implantada no começo da década de 1940, durante a abertura do Bairro Jundiaí, considerado o primeiro loteamento planejado de Anápolis.

Dr. Genserico Gonzaga Jayme — Rua Dr. Genserico
Foi o primeiro médico a se estabelecer profissionalmente na cidade. Formado no Rio de Janeiro, retornou a Anápolis em 1922, quando o município ainda dispunha de uma estrutura sanitária precária. O Hospital Evangélico Goiano seria fundado somente em 1927, pelo médico e missionário James Fanstone. Em 1931, foi eleito presidente da primeira diretoria definitiva do antigo Anápolis Sport Club. Na política, elegeu-se deputado constituinte em 1934 pela Coligação Libertadora e integrou a primeira legislatura da Assembleia Legislativa instalada após a Revolução de 1930. Além da rua no Centro, é homenageado pelo CEPI Dr. Genserico Gonzaga Jaime. Ele também dá nome a uma honraria proposta pela Câmara para reconhecer profissionais da saúde.

Antônio Marmo Canedo — Parque da Matinha
Antônio Marmo Canedo foi uma liderança política de trajetória muito curta. Nasceu em 1941 e morreu em 17 de janeiro de 1972, em Anápolis, aos 30 anos. Era bancário e irmão do ex-deputado constituinte Pedro Canedo. Marmo Canedo chegou a presidir a Câmara Municipal no biênio de 1971–1972. O parque, inaugurado em 1972, recebeu no ano seguinte o nome em homenagem ao político. A área, com aproximadamente 50 mil metros quadrados, tornou-se uma das reservas verdes urbanas tradicionais de Anápolis e, hoje, passa por nova modernização e revitalização do espaço.

Wenefredo Bacelar Portela — Avenida Engenheiro Portela
O engenheiro Wenefredo Bacelar Portela participou da condução técnica das obras e, principalmente, da definição do local onde seria instalada a estação ferroviária. A escolha foi decisiva para a reorganização urbana de Anápolis: a estação, inaugurada em 7 de setembro de 1935, passou a concentrar a circulação de passageiros, mercadorias, hotéis, armazéns e estabelecimentos comerciais. A atual Engenheiro Portela chamava-se originalmente Rua 12 de Abril. A denominação foi alterada em 1935, justamente no período da chegada dos trilhos. A chegada dos trilhos integrou Anápolis aos mercados do Sudeste, reduziu custos de transporte e fortaleceu sua condição de entreposto comercial.
Manuel Francisco D’Abbadia — Rua Manoel D’Abadia
Comerciante, fazendeiro, juiz municipal e uma das primeiras autoridades políticas da antiga Vila de Santana das Antas, Manuel Francisco D’Abbadia nasceu em Paracatu (MG) em 1861, e morreu em Anápolis em 1945. Foi intendente municipal — equivalente, com ressalvas institucionais, ao cargo de prefeito — entre 9 de julho de 1897 e 9 de julho de 1899. Voltou ao comando do município em novembro de 1911, mas renunciou em 1913. Sua primeira passagem pela Intendência ocorreu dez anos antes de Santana das Antas receber oficialmente o nome de Anápolis, conforme narra o escritor Abílio Wolney Aires Neto em “História dos Poderes em Anápolis’.
Onofre Quinan — Central Parque
Onofre Quinan nasceu em Vianópolis em 1926 e morreu em Brasília, em 14 de janeiro de 1998. Embora tenha alcançado projeção nacional, construiu parte importante de sua vida empresarial em Anápolis. Em 1950, fundou a Quinan & Companhia, voltada ao comércio de ferramentas agrícolas. Em 1956, criou a Onogás, responsável pelo engarrafamento e distribuição de gás de cozinha. A empresa cresceu até se tornar uma das maiores distribuidoras do Centro-Oeste, projetando Quinan como um dos principais empresários goianos de sua geração. Foi diretor da Acia, presidente do Rotary Club, cofundador do Clube de Diretores Lojistas. Foi eleito vice-governador em 1982. na chapa de Iris Rezende. Assumiu o governo em fevereiro de 1986, quando Iris deixou o cargo para ocupar o Ministério da Agricultura, e permaneceu como governador até março de 1987. Em 1990, elegeu-se senador pelo PMDB. Morreu durante o exercício do mandato. O Central Parque Onofre Quinan ocupa uma área que originalmente pertenceu ao médico James Fanstone e durante décadas ficou conhecida como Represa do Fanstone.

José Lourenço Dias — Avenida Senador José Lourenço Dias (Contorno)
Natural de Pirenópolis, José Lourenço Dias transferiu-se para Anápolis em 1930 e foi advogado, jornalista, empresário e político. Foi integrante do Conselho Consultivo de Anápolis a partir de 1932, órgão que auxiliava a administração municipal durante o período posterior à Revolução de 1930. José Lourenço Dias chegou ao Senado como suplente e exerceu o mandato durante parte de 1950, representando Goiás. É o patriarca de uma família com forte presença intelectual e política. Entre seus filhos estavam Adahyl Lourenço Dias, jurista, vereador, presidente da Câmara e prefeito de Anápolis, e Benedito Lourenço Dias, advogado, jornalista e deputado estadual.
Os romeiros de Aparecida — Praça dos Romeiros
A Praça dos Romeiros é uma das homenagens mais recentes e remete a uma tragédia rodoviária. A praça, localizada no Jardim Alexandrina, é um memorial às vítimas de um acidente ocorrido em setembro de 1998. Em torno de cem fiéis deixaram Anápolis em dois ônibus com destino ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em São Paulo. Os passageiros pertenciam principalmente às paróquias Nossa Senhora Aparecida, do Bairro Alexandrina, e São Pedro e São Paulo. A romaria havia sido organizada por Gracinda Maria da Silva, que pretendia agradecer a cura de um câncer. Na volta, em 08 de setembro, os ônibus se envolveram num acidente: 55 romeiros anapolinos e quatro pessoas de São Paulo. A Praça dos Romeiros foi construída em 2000. Seu monumento central, produzido pelo artista plástico e arquiteto anapolino Silvio Morais, toma como referência a “Pietà”, de Michelangelo. Desde o acidente, uma missa é celebrada anualmente em 8 de setembro no local. Em 2023, a praça foi tombada como patrimônio histórico de Anápolis.
Cônego José Trindade da Fonseca e Silva — Praça Cônego Trindade
A Praça Cônego Trindade, na Vila Góis, homenageia José Trindade da Fonseca e Silva. Nascido em Jaraguá em 1904, ele foi sacerdote, historiador, genealogista, professor, jornalista e político. É uma referência para a historiografia religiosa de Goiás. Pesquisou documentos e tradições sobre o surgimento das primeiras paróquias, a presença do clero e a expansão do catolicismo no território goiano. Seus escritos são utilizados até hoje pela Diocese de Anápolis na reconstituição da história eclesiástica regional. Também atuou fora da Igreja. Foi deputado federal e secretário estadual da Educação, reunindo numa mesma trajetória religião, pesquisa histórica e administração pública. Doou a Chácara São José, local em que viria a integrar a Universidade Católica de Goiás, atual Pontifícia Universidade Católica de Goiás.





