O Anápolis Diário vem acompanhando todos os desdobramentos da relação entre o setor produtivo e representantes políticos numa malfadada aventura batizada de “Prospera Anápolis”. O intuito do grupo era, em tese, destravar pautas estratégicas do empresariado. Passados mais de 100 dias deste os encontros, o resultado foi um desgaste significativo para os vereadores liderados por Andreia Rezende (Avante), criadora do grupo na Câmara, e uma verdadeira guerra de egos entre os empresários que resultou – até agora – na saída de quatro entidades do colegiado empresarial.
Quem acompanha de longe – e tem postura mais discreta – evitando fotos em grandes salas de reuniões, passou a se preocupar com outro assunto: o Plano Diretor. Esta semana o AD foi procurado por um – e depois mais dois – nomes de grosso calibre empresarial. Todos do setor imobiliário e da incorporação. Todos com uma mesma preocupação: saber se o que foi tratado na Câmara sobre o Plano Diretor vai virar “água”.
PREOCUPAÇÃO
A explicação é que nomes próximos ao setor estão também envolvidos na derrapada política liderada por Andreia Rezende. “Não pode ter sido em vão toda as reuniões, as propostas e os encontros. Além do que ficou definido como pauta”, diz um deles, responsável por trazer as outras duas vozes. Todos foram ouvidos pela reportagem sob condição de anonimato. “Se não daqui a pouco nos chamam para um café da manhã”, ironiza um deles.
Ex-secretário municipal de Obras, Wederson Lopes (União) é hoje presidente da Comissão de Urbanismo. Ele é um dos integrantes do Prospera Anápolis e tem se oferecido como referência no debate do Plano Diretor. Lopes é um dos citados como personagem ativo neste debate.
NOMES
O outro é o presidente da Associação das Imobiliárias de Anápolis, o vereador do Agir, Frederico Godoy. Além de também partícipe do “Prospera”, ele é integrante do Fórum Empresarial e ficou no meio do caminho quando a crise estourou, após o sumiço dos vereadores da mesa dos empresários.
O AD questionou a ambos o impacto do desgaste do grupo de trabalho de vereadores nas tratativas e se havia risco de que as reivindicações do segmento tenham ficado enfraquecidas.
SEM CHANCE
“Não tem possibilidade alguma de enfraquecer, até porque eu faço parte. Faço parte do Fórum Empresarial, através da AIA, e da Comissão Especial do Plano Diretor”, frisou Godoy, sem mencionar sua participação no propulsor do desgaste que impôs medo aos empresários. “Sempre recebemos demandas dos empresários, sei da dificuldade do setor. Minhas ideias foram colocadas e estamos discutindo para que elas sejam acatadas no âmbito do Plano Diretor”, completou.
NA PREFEITURA
Já o engenheiro Wederson Lopes afirma que a bola está com o Executivo e não mais com a Câmara. “A Comissão Especial finalizou a etapa de diagnóstico e as sugestões foram encaminhadas ao Poder Executivo, na pessoa do secretário Tiago de Sá”, esquivou-se.
“As discussões estão no Executivo que deve chamar audiências públicas. A Câmara deve participar, sim, das audiências públicas e continuará contribuindo até que o projeto”, afirmou o parlamentar sem garantir, por exemplo, que os pleitos recebidos do segmento estão assegurados.
VEREADORES PASSAM BATIDO
DE “AGENDA DA CONFUSÃO”
Outro questionamento feito aos dois parlamentares foi quanto à sequência das agendas do Prospera Anápolis. Ambos participaram tanto da audiência realizada na Câmara Municipal e depois da reunião que marcou a entrega do documento “Caminhos para Prosperar”, em março deste ano, na sede da Câmara de Dirigente Lojistas (CDL).
Apesar de ativos nos debates sobre Economia, Urbanismo e na relação próxima com líderes classistas, nenhum dos parlamentares sequer tocou no assunto. Os dois ignoraram a pergunta a eles feita: O Prospera Anápolis tem alguma agenda prevista para debater o PD e as reivindicações dos empresários”?
Com o silêncio é possível medir como anda a temperatura dentro da Câmara Municipal sobre a decisão política de tomar à frente a ação que gerou desgaste a debandadas na política e no PIB anapolino.






