Por Fernanda Morais
Abrahão Silva é metalúrgico e foi demitido da montadora CAOA depois de sete anos de trabalho. Como ele mesmo registra, seu registro laboral “sempre foi limpo”. “Sempre cumpri com meu dever”, reforça. Assim, a notícia de seu desligamento da empresa localizada no Daia pegou ele e sua família de surpresa, levando o industriário a levantar outro questionamento.
“Foi um ato de retaliação”, denuncia. “Estamos em plena campanha salarial de 2026. A categoria está ansiosa e mobilizada”, contextualiza. Conforme relata, no último dia 04 de maio, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Anápolis (SindMetana), Gleberson Jales, deu uma entrevista ao vivo.
Na oportunidade, Abrahão enviou uma série de questionamentos para o sindicalista. “Perguntei sem rodeios se ele iria trazer os 12% de reajuste e os R$ 15 mil de PLR que a base da Caoa aprovou, sim ou não?”, explica. A questão, conforme registra Abrahão, é um ponto sensível do debate entre trabalhadores, sindicato, e a montadora.
“Diante da resposta evasiva do presidente, que se limitou a pedir “estratégia” e “calma”, fiz uma cobrança no dia seguinte em uma publicação do sindicato. Disse, numa alusão ao futebol, que ‘atacante que não faz gol, a torcida vaia. Cadê os 12% de reajuste e 15 mil de PLR? Por enquanto, tá só no banco de reservas. A base quer escalação titular, presidente’”, escreveu.
Foi aí que, segundo Abrahão Silva, tudo mudou. O comentário rapidamente viralizou entre os colegas e alcançou muitas curtidas e compartilhamentos. “Um engajamento massivo para os padrões de nossa fábrica”, frisa. Só que no dia seguinte, em 06 de maio, Abrahão foi surpreendido com a carta de demissão.
“Sem justa causa. Após sete anos de serviços prestados, a alegação foi genérica. Não houve nenhuma infração disciplinar ou queda de produtividade”, lamenta. Para ele, a situação foi clara: perseguição política pela cobrança realizada. “A única “falta” foi ter feito, em ambiente público e de forma respeitosa, as perguntas que todos os meus colegas gostariam de fazer”, aponta.
“Tentaram me silenciar e intimidar a base no momento mais crucial da negociação. Mas a luta por melhores condições de trabalho não é sobre uma pessoa só. É sobre todos nós”, defende.

SINDICATO
Presidente do SindMetana, Gleberson Jales foi procurado pelo Anápolis Diário para se posicionar sobre o caso que envolve seu nome e o sindicato que preside. Jales se negou a dar qualquer declaração sobre o tema, alegando preferir “entrevista pessoal”. Jales convidou a repórter para um café de “corpo presente” para tratar do assunto e insistiu mesmo após a negativa da repórter, que solicitou uma nota formal do sindicato.
O presidente do SindMetana ainda tentou escalar uma agenda promocional com a questão levantada pelo AD. “Tenho um quadro, o Café com o Presidente. Podemos unir a sua matéria com meu quadro”, sugeriu. Diante da negativa, Jales disse ter disponibilidade para tratar do tema somente na terça-feira (09) na sede do sindicato.
O sindicalista ainda buscou promoção de uma pauta positiva, sugerindo que a reportagem – que estava em busca de uma declaração sobre o tema proposto – falasse sobre algo “mais produtivo”. “Vamos marcar um café e falar de vagas de emprego, cursos e saúde dos trabalhadores”, insistiu.

CAOA
Desde a última semana, o AD também tentou contato com o departamento de Recursos Humanos da CAOA a fim de obter informações sobre a demissão do ex-empregado. Ou, no caso, um encaminhamento para o setor responsável para tratar do tema. Apesar de responder às mensagens iniciais, a empresa não deu encaminhamento ao assunto.
O espaço segue à disposição tanto do SindMetana quanto da CAOA Montadora para se posicionar sobre a acusação feita pelo metalúrgico demitido.






