Após anos de impasses burocráticos e batalhas judiciais, a Aurora EADI anuncia um novo capítulo para a estação aduaneira de Anápolis. A empresa, que venceu a licitação há oito anos com proposta tarifária 40% inferior à praticada na época, obteve o Alvará de Funcionamento Condicionado emitido pela Prefeitura. A operação do terminal logístico, que promete impulsionar a economia regional, depende agora apenas do alfandegamento pela Receita Federal.
Em entrevista ao Jornal Opção, a CEO da Aurora EADI, Paola Di Gregorio, detalhou os desafios e os planos para o empreendimento. O investimento inicial soma R$ 150 milhões, com previsão de chegar a R$ 300 milhões. A executiva afirma que a implantação sofreu atraso de sete anos em relação ao cronograma de 2019, marcado por dificuldades na obtenção de licenças municipais na gestão anterior.
“Em 2018, ganhamos a licitação com um terreno que possuía a certidão de uso do solo. Logo após, essa certidão foi cassada pela Prefeitura, sem que fôssemos informados ou tivéssemos direito de resposta”, relatou Di Gregorio. A situação exigiu a busca por nova área, adjacente ao Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia), e o enfrentamento de um longo período sem diálogo com o poder público. Posteriormente, a Justiça reconheceu erro da administração ao cancelar o documento.
Apesar dos percalços, a Aurora EADI construiu uma estrutura de ponta. O novo Porto Seco conta com tecnologia de última geração, câmaras frias e docas climatizadas, preparado para atender desde o setor farmacêutico até o automotivo e agroindustrial. O grupo traz a experiência de mais de 50 anos em logística e operação de portos secos em Sorocaba (SP) e Manaus (AM) desde 1998.
QUESTIONAMENTOS
Sobre questionamentos da concorrência a respeito da capacidade de se cumprir a proposta financeira, a CEO foi categórica: “O Tribunal de Contas da União já analisou nossas tarifas e a questão foi decidida. Nossa proposta é plenamente exequível. Não faríamos um investimento de R$ 150 milhões sem a convicção de que ele é viável”.
A expectativa agora se volta para a Receita Federal. Assim que o órgão emitir o comunicado ativando o novo recinto, os clientes terão até 90 dias para transferir suas cargas. “O foco principal é oferecer soluções personalizadas para atender às necessidades dos clientes e indústrias”, ressaltou Paola, destacando que a empresa pretende contribuir ativamente para atrair novos investimentos para Anápolis.
O início das operações da Aurora EADI marca não apenas o fim de um imbróglio jurídico, mas também a promessa de modernização e maior competitividade para o setor logístico do Centro-Oeste brasileiro.






