O anúncio do pedido de revisão de contrato da cidade de Anápolis com a Saneago não é apenas mais um capítulo na relação conturbada da gestão Márcio Corrêa com a empresa goiana. Trata-se de um momento decisivo em que a gestão municipal exige uma contrapartida que pode chegar a 20 vezes o valor pago pela empresa de saneamento. Do contrário, um dos caminhos pode ser o rompimento do acordo, algo que conta – inclusive – com uma estratégia definida.
Renovado em 2020, durante o último ano da gestão Roberto Naves (2017-2024), o contrato previa uma compensação financeira ao município por parte da Saneago. O valor, parcelado, poderia chegar perto da casa do bilhão de reais, mas, com a antecipação financeira, chegou-se ao cálculo de algo em torno de R$ 30 milhões.
“O cálculo foi feito a partir de descontos com juros abusivos”, dispara Márcio Corrêa (PL). Em entrevista ao Anápolis Diário, o gestor detalha como pretende abordar a questão, a partir de cálculos feitos pela equipe técnica da Prefeitura de Anápolis.
“A base de negociação eram 5% em royalties. Só que foram feitos com referência de juros irreais. Isto rendeu à cidade ao em torno de R$ 30 milhões. Para se ter uma ideia, a Saneago fatura dos lares e empresas dos anapolinos R$ 32 milhões por mês”, explica Corrêa.
A exigência principal do prefeito é que seja feito um recalculo com a empresa de economia mista que explora o serviço de abastecimento de água e esgoto no município. “E que haja um ressarcimento, já que o valor é discrepante, muito distante do que a empresa ganha com a cidade”, exige.
ROMPIMENTO
Uma possível resistência da Saneago não significaria o fim da questão, mas – talvez – o fim da relação da Saneago com Anápolis. Isto porque o prefeito não esconde que pode levar adiante o rompimento deste contrato, considerado prejudicial para os anapolinos.
Um dos principais questionamentos neste cenário drástico seria a exigência por parte da empresa em um ressarcimento pelos valores já investidos na rede municipal. Márcio Corrêa tem a resposta pronta.
“Se houver o entendimento de um valor a ser pago, não tem problema. Fazemos um edital de licitação em que a empresa vencedora arque com o pagamento deste valor. O que não falta é empresa interessada numa praça do volume financeiro que é Anápolis’, aposta Corrêa.
“Não estamos aqui para criar conflito, mas para garantir qualidade no serviço e segurança econômica. É o nosso dever proteger os interesses da cidade”, finalizou.
HISTÓRICO
O histórico da relação entre a Saneago com a cidade é longo e problemático. E ficou mais evidente após a chegada de Corrêa ao gabinete municipal. O prefeito passou a reclamar dos serviços realizados, da demora e, muitas vezes, da ausência da empresa goiana em realizar reparações de asfalto e calçada após manutenções na rede.
“É nítido o desleixo na qualidade do serviço. Tem calçada arrebentada, asfalto mal feito ou esburacado. E ainda tem agora este mau cheiro que toma conta da cidade”, pontua o gestor. “Os motivos não faltam para questionar a atuação da Saneago”, completa.






