O último terço de maio reacende o fantasma da greve no transporte coletivo para os anapolinos que dependem do serviço para os deslocamentos pela cidade. Há quase um mês, o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Anápolis (Sittra) aguarda uma contraproposta da Urban em relação à proposta de data-base enviada pela entidade. O prazo, definido pela convenção coletiva, é o dia 1º de junho.
A proposta do Sittra – que contempla não apenas o pedido de reajuste, mas também a reivindicação de outros benefícios – foi enviada no fim de abril. No dia 26 do mês passado, em assembleia, houve a fixação da proposta e a consequente comunicação dos termos à empresa concessionária do transporte.
A resposta veio somente nesta quarta-feira (20). Em ofício ao Sittra, a Urban comunicou que neste momento não vai apresentar contraproposta. A empresa alega que é necessário aguardar definições administrativas e outras questões que envolvem o cenário operacional e financeiro do serviço em Anápolis.
O argumento é basicamente uma reiteração das justificativas dos últimos anos. Ela resume a hipossuficiência do sistema. No ano passado, a Urban alegava um déficit operacional mensal de R$ 3 milhões. A data-base dos motoristas do transporte coletivo foi garantida somente após decisão do Tribunal Regional do Trabalho, que reconheceu o direito da categoria e determinou pagamento da data-base.
Embora não tenha condicionado o reajuste dos trabalhadores diretamente à concessão de um subsídio público ao sistema, a Urban espera a negociação com a prefeitura e o governo do estado para saber até onde pode avançar na negociação com o Sittra.
Como mostrou o Anápolis Diário, o governo de Goiás ainda não definiu a modelagem do incentivo, mas garantiu que vai auxiliar o sistema. Tudo depende, porém, da apresentação de um projeto de reestruturação do serviço que será apresentado pela empresa à prefeitura. Entre as possibilidades está a isenção do óleo diesel da incidência de tributos estaduais, o pagamento da integralidade do Passe Livre Estudantil. O cenário mais improvável é a concessão de um subsídio direto, como ocorre na Grande Goiânia.
A pauta dos trabalhadores tem um pedido de reajuste salarial de 10%, além do aumento do tíquete-alimentação em 15% e pagamento integral dele durante as férias. Outras reivindicações incluem um abono de férias de cinco dias como premiação aos trabalhadores que não faltarem ao serviço durante o ano. Eles também pedem o pagamento de um auxílio-natalino e a criação do auxílio-deslocamento para trabalhadores da madrugada no valor de R$ 200 mensais.
FANTASMA DA GREVE
Em nota, o Sittra informou que data-base da categoria está fixada em 1º de junho de 2026 e ressaltou que não há paralisação imediata do transporte público. “Os trabalhadores aguardarão durante todo restante do mês de maio uma contraproposta da empresa, priorizando o diálogo e a construção de um entendimento que atenda às necessidades da categoria e garanta a continuidade dos serviços à população”, diz a nota.
A entidade lembra, porém, que na data-base anterior as negociações restaram frustradas, sendo necessária mediação do Tribunal Regional do Trabalho.
“O sindicato reforça que caso não haja apresentação de contraproposta ou avanço efetivo nas negociações até a chegada da data-base, os trabalhadores já manifestaram a possibilidade de paralisação do transporte coletivo urbano no município”, informa o Sittra.






