Apesar de manter uma taxa média de crescimento populacional de 1% ao ano, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Anápolis terá uma redução de 2% no tamanho do eleitorado no pleito de 2026. São quase 6 mil eleitores a menos que na eleição de 2024, o que representa uma queda sem precedentes na história do município.
Em 2024, quando os anapolinos votaram para escolher o prefeito e 23 vereadores, havia 292.600 eleitores – número mais alto da história até aqui. Esperava-se que este volume chegasse aos 300 mil para 2026. No entanto, o efeito foi reverso.
A Justiça Eleitoral contabilizou, ao fechamento do prazo para regularização do Título, 286.705 eleitores aptos a votar no dia 4 de outubro, ou seja, 5.895 a menos que em 2024. O número é provisório, pois ainda serão atendidas 670 pessoas até o fim desta semana. Também será feito um crivo nas informações para então fechar definitivamente o cadastro. Estes movimentos, porém, não serão capazes de alterar a queda no eleitorado local.
O movimento deve ser acompanhado pelo estado de Goiás como um todo. Em abril, a um mês do fim do prazo de regularização, havia quase 100 mil eleitores a menos que o registrado para votar em 2024, o que também configuraria uma queda inédita. O Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) projeta fechar todo os dados do contingente eleitoral para o pleito deste ano até o fim da próxima semana.

DESINTERESSE
Os pleitos eleitorais em Anápolis têm sido marcados, cada vez mais, pelo desinteresse. A prova disso são as altas taxas de abstenção. Em 2024, o município bateu o recorde do período de pandemia de Covid-19. No segundo turno, 34,24%, ou seja, mais de 100 mil eleitores não compareceram às urnas para decidir entre Márcio Corrêa (PL) e Antônio Gomide (PT).
As abstenções, somadas ao voto branco e nulo, superaram a votação de Corrêa, candidato eleito com 106 mil votos naquela ocasião. O chamado ‘não-voto’ teve, ao todo, 111.215 adesões, num claro sinal de estafa do cidadão anapolino com a política.
O recado tem sido dado há algumas eleições. Em 2020, por exemplo, Roberto Naves (Republicanos) foi eleito também com menos votos que o ‘não-voto’. Na disputa com Gomide, o ex-prefeito obteve 101.349 votos, enquanto abstenções, brancos e nulos chegaram a 104.161. Naquele ano, a taxa de abstenção foi de 32,91%, a mais alta da história.
Na eleição geral de 2022, o número foi menor. Foram 61.838 abstenções no segundo turno, na disputa entre Lula (PT) e Jair Bolsonaro (PL), o que representou 24,32% do eleitorado à época. Somado aos brancos e nulos, o não-voto chegou a 69.881, ou seja, pouco mais de 30% de todo o contingente eleitoral do município.
Em 2022, quando Bolsonaro derrotou Fernando Haddad (PT), 59 mil anapolinos não foram às urnas, o que à época representava 22% do eleitorado local. Ou seja, há uma ampliação progressiva do desinteresse. Se no início dos anos 2010 um a cada cinco anapolinos estava ausente na eleição, agora um a cada três abre mão do voto.
TÍTULOS CANCELADOS
Os Títulos de Eleitor cancelados também têm dado um salto histórico, conforme os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Se em 2013 havia 3,4 mil títulos cancelados – o que ocorre a partir da ausência em três turnos consecutivos – em Anápolis, em 2025 o município bateu a marca de 20 mil. No início do ano, o Cartório Eleitoral informou que, com a adição dos cancelamentos mais recentes, o total chegou a 65 mil.
Os dados do TSE também mostram que apenas 3% dos eleitores que têm o título cancelado em Anápolis procuram a Justiça Eleitoral para regularizá-lo. Em 2025, por exemplo, 20.937 eleitores completaram três eleições de ausência, ou seja, estavam em condição de cancelamento. Destes, apenas 773 buscaram a regularização.







