A varrição mecanizada será a grande novidade tecnológica do novo contrato da limpeza urbana em Anápolis. Na semana passada, a prefeitura concluiu o processo licitatório que definiu a permanência da Québec Ambiental na concessão do serviço, mas há uma série de novidades, confirmadas ao Anápolis Diário com exclusividade pelo secretário de Obras, Habitação, Planejamento Urbano e Meio Ambiente, Thiago Sá. Em entrevista, ele confirmou avanços como a inclusão de caminhões movidos a biodiesel, que serão abastecidos a partir do biometano gerado no aterro sanitário. Confira a entrevista na íntegra:
Anápolis Diário: O novo contrato da limpeza urbana já foi assinado? Valerá por quantos anos?
Thiago Sá: A licitação será homologada nos próximos dias, visto que havia o imbróglio no Tribunal de Contas dos Municípios em relação a técnica e preço. Houve uma liminar que permitiu a continuidade do processo licitatório. Houve vencedor, mas a liminar exige novo parecer para continuidade e assinatura do contrato. Estivemos no TCM para dar explicações e nos próximos dias deve ocorrer a homologação. O contrato é anual, mas pode ser prorrogado por até dez anos.
AD: Segundo a empresa, o contrato anterior, de 2019, estava subdimensionado. O termo de referência desta licitação é capaz de atender à demanda atual?
TS: A vida útil deste contrato depende até da forma como a cidade cresce. Quanto mais a cidade cresce horizontalmente, mais a demanda aumenta. E a cidade cresceu muito horizontalmente. De fato, o contrato tinha incapacidade de atender o crescimento. A quantidade de caminhões de resíduos agora passa de 16 para 22. Com esse novo contrato, bem dimensionado, não vamos ter problema de coleta, de alcance em toda cidade. E, caso seja necessário nos próximos anos, claro que vai depender do desempenho da empresa, podemos avaliar aditivos.
AD: Recentemente a empresa iniciou testes de coleta mecanizada. O novo contrato prevê a expansão desta tecnologia? Quantos contentores a cidade passaria a ter? Qual o perfil dos pontos em que serão instalados?
TS: O novo contrato sai de 240 para a possibilidade de 500 contentores. A licitação, porém, não especifica a coleta mecanizada. Fizemos esse trabalho de modernização com a empresa, visto que o sistema atual tem problemas. Vamos renovar esse compromisso desde que assinamos o contrato de buscar melhorias. Queríamos conhecer a tecnologia. Um caminhão daquele pode atuar em 300 contentores ao dia. É algo que deve ser negociado e tratado, mas a princípio não tem no contrato. A gente entende que é um caminho normal a mecanização para melhorar o serviço. Os contentores ficam nas regiões mais comerciais, onde exige-se que a pessoa mantenha o lixo nesses pontos específicos para evitar descarte de lixo nas ruas.
AD: No contrato anterior vários loteamentos mais novos não estavam incluídos e muitos bairros ficaram sem a coleta residencial. Todos os bairros da cidade estão contemplados?
TS: Todos. Tanto do ponto de vista de coleta como de varrição. E vem nesse novo contrato uma exigência de varrição mecanizada. Cinco equipamentos de varrição mecanizada. Eles (empresa) têm um ano para esta modernização. A varrição mecanizada vai alcançar todos os bairros. A demanda de roçagem e capina, que também é muito grande, está contemplada e o novo contrato vai aumentar a capacidade da empresa, especialmente em áreas públicas e canteiros.
AD: O contrato advindo desta licitação prevê alteração de cronograma da coleta de lixo em alguns bairros, como maior ou menor frequência, por exemplo?
TS: A princípio é no mesmo formato. A cidade é dividida e faz-se um dia sim, um dia não. Fazer uma coleta diária nos bairros seria muito difícil e talvez não tenha essa demanda. Para algumas regiões, as comerciais, é exigido que a coleta seja diária.
AD: Estão previstos novos caminhões em contrato? Quantos vão operar no município?
TS: Na questão da técnica que foi definida nessa licitação há uma exigência de adequação nos padrões em relação à questão ambiental. Os caminhões serão do ano máximo 2023 – ou 2025 – para alguns tipos. E eles serão abastecidos a partir do biometano. Vão usar o próprio gás do aterro sanitário para os caminhões. Devem subir para 22 o número de caminhões.
AD: Há alguma nova tecnologia exigida para o serviço de coleta?
TS: No contrato de limpeza urbana, a varrição mecanizada é a principal tecnologia. Caminhões de biometano, coletas de ecopontos que não era previsto e agora está previsto. É uma nova tecnologia. Acontece ecopontos quase no improviso e agora temos isso.
AD: Quanto ao aterro sanitário, o contrato obriga algum tipo de investimento por parte da concessionária?
TS: Um outro grande diferencial é no aterro. O tratamento de chorume. É uma exigência nova, posterior ao contrato em vigor, que foi feito nos últimos 12 meses, através de um TAC (Termo de Ajuste de Conduta) para que ela mantivesse esse tratamento. Não se pode lançar esgoto por ser crime ambiental. O aterro sanitário de Anápolis é um dos três em Goiás que trabalha formalmente e regularmente junto à Semad (Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável) e também pelo chorume. Outra tecnologia que vem junto ao aterro é sobre o RCC, que são os resíduos de construção civil. Hoje eles ocupam área de resíduo comum. Vamos ter em um ano a possibilidade de reciclar e reutilizá-lo.






