A foto do movimento de reação político-empresarial de Anápolis, que deveria ser a mais importante após uma década de clara desaceleração econômica, na última sexta-feira (27), evidenciou uma chaga que há muito castiga o desenvolvimento da cidade: a desunião política.
Em prol de garantir protagonismo a si própria e ao irmão, o deputado estadual Amilton Filho (MDB), a presidente da Câmara, vereadora Andreia Rezende (Avante), limitou a participação de lideranças de outros grupos políticos locais na iniciativa nomeada de Prospera Anápolis.
Antônio Gomide (PT), Coronel Adailton (SD) e Vivian Naves (PP), também deputados estaduais baseados na cidade, disseram ao Anápolis Diário que não receberam convites da Casa, que lançou o movimento – elogiado pelo setor produtivo, diga-se – para o evento que marcou a entrega da pauta de reivindicações do Fórum Empresarial. O deputado federal Rubens Otoni (PT), único da cidade em Brasília, foi convidado para a sessão de lançamento do movimento, mas não para o passo seguinte, na sede da CDL.
A reunião também ficou esvaziada de vereadores. Um movimento tão importante, que endereça um dos temas mais sensíveis à população neste momento, teve a presença apenas de apenas cinco parlamentares municipais. Além de Rezende, sentaram-se à mesa Fred Godoy (Agir), também empresário, Wederson Lopes (UB), Alex Martins (PP) e Ananias Júnior (Agir).
A sintomática ausência de 18 vereadores – depois de uma primeira reunião de sucesso no plenário da Câmara – indica, conforme apurado pelo AD, uma leitura da maioria dos componentes da Casa de que o Prospera foi lançado para catapultar a campanha de Amilton Filho, que sentou-se em posição de destaque, ao lado da irmã e do presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) e anfitrião Luis Miguel Mendes.
O patriarca da família e assessor especial do prefeito Márcio Corrêa (PL), Amilton Batista de Faria, também esteve no evento e reforçou os sinais já identificados pela classe política anapolina. O próprio prefeito, talvez já ciente da articulação para destacar a dupla, não compareceu e foi representado por Karin Abrahão, secretário de Indústria e Comércio.
Ao passo que municípios como Aparecida de Goiânia e Rio Verde deixaram brigas políticas e pequenas picuinhas de lado para projetar as cidades a um crescimento que as fez deixar Anápolis no retrovisor, a política anapolina corre o risco novamente de pecar na desunião.
Por certo Amilton Filho obtém posição de destaque e pode liderar o processo. Mas é a união que faz a força e poucas delas se viu no município nos últimos dez anos.






