Foi oficialmente dada a largada para a discussão sobre a Anápolis do futuro. A prefeitura iniciou nesta terça-feira (24) a primeira etapa de um plano de quatro fases para a revisão do Plano Diretor do município, que rege todo o crescimento, planejamento urbano e desenvolvimento territorial para os próximos dez anos.
Por determinação do Estatuto das Cidades, a iniciativa parte exatamente do poder executivo, que contratou a empresa URBTEC, de consultoria especializada, para auxiliar no desenvolvimento da nova proposta para o futuro de Anápolis. A primeira etapa, chamada de mobilização, reuniu lideranças comunitárias, empresariais, entidades de classe e a Câmara de Vereadores para apresentação de um plano de trabalho.
De acordo com o engenheiro da empresa, Douglas Vieira, que fez a apresentação, é o momento de se apresentar estratégias metodológicas e convocar a população para o debate.
A etapa seguinte é de diagnóstico. A URBTEC, neste passo, avaliará a cidade em três aspectos centrais. O primeiro é o urbanístico é territorial. “Vamos fazer uma leitura do territórios, seus aspectos demográficos, entender como cresce, para onde cresce. Também sobre a composição do PIB, o que representa mais ou menos para a economia da cidade, o que cresceu e o que não”, explicou Vieira. No masterplan, vão ser aprofundados diagnósticos em áreas limitadas, ou seja, um bairro ou uma região que careça de maior atenção, por exemplo.
O segundo eixo é o de mobilidade. A prefeitura vai atualizar o Plano de Mobilidade, que teve estudo concluído mas não chegou a virar lei, e a ideia é simples: entender a mobilidade local, das ciclovias e calçadas ao transporte individual e coletivo.
Por fim, o terceiro eixo fará uma análise climática e projeto de arborização. “Vamos buscar historicamente eventos climáticos que aconteceram e impactaram a cidade e a capacidade de resposta das autoridades”, detalha o engenheiro da URBTEC. Também será feito um inventário amostral da atual arborização da cidade. Tudo isso será apresentado em uma primeira audiência pública.
“Vamos fazer uma leitura técnica do território. Depois avaliaremos criticamente a lei em si, se os objetivos do Plano Diretor anterior, do macrozoneamento e leis acessórias foram atingidos, como foram ou como não foram, se a cidade se desenvolveu de forma contrária ao que estava previsto e tudo isso”, destacou.
A terceira fase do plano de trabalho é a apresentação de propostas. Um corpo técnico, em discussão com a sociedade, define objetivos e diretrizes para o futuro da cidade. Neste momento vão ser realizadas novas oficinas técnicas e participativas. Serão três ao todo.
Depois disso tudo ainda há uma segunda audiência pública para construir as propostas – que partem da definição dos objetivos. A URBTEC também entregará projeções de cenários a partir daquilo que for proposta de alteração. “Vamos entender como o município estará daqui dez anos se nada mudar e continuar como está. Nós faremos cenários otimistas, medianos e pessimistas para cada uma das ideias”, destaca.
Chega-se, por fim, à quarta etapa do plano de trabalho, que é consolidar o que foi elaborado. As propostas vão para discussão na Câmara, que também fará audiência pública para debater a proposta de Plano Diretor com a sociedade. “Tudo será sempre acompanhado da participação social, com oficinas participativas, audiências públicas, mecanismos digitais e a mobilização de entidades”, disse Vieira.
CRONOGRAMA
Os trabalhos, oficialmente iniciados nesta terça-feira (24), terão 12 meses de duração. Segundo a URBTEC, há um mês para consolidar o plano de trabalho apresentado e também já foi iniciada a etapa de diagnóstico, além da elaboração de propostas.
“Ao longo do cronograma serão feitas entregas intermediárias, uma vez que o volume de informações é muito grande”, explicou o engenheiro.
O secretário de Obras, Habitação, Planejamento Urbano e Meio Ambiente, Thiago Sá, diz que a administração tem uma “vontade muito grande de finalizar até o meio do ano” e quer “a lei aprovada até o fim do ano e em execução já em 2027”.
Sá avalia que a revisão do Plano Diretor é “uma oportunidade ímpar de deixar um legado para a cidade de Anápolis”. Como questões prementes à administração ele cita que há um crescimento irregular, que seriam “empreendimentos que trazem prejuízo para o urbanismo e a qualidade de vida dos cidadãos”, mas sem especificar exatamente quais são.
O secretário também indica que a prefeitura não tem intenção de expandir a área urbana. Um dos principais motivos é que há “uma demanda muito grande por serviços quando a cidade se espalha”. Ele diz ainda que Anápolis tem “muitas áreas disponíveis para crescer e pode se verticalizar”. Ademais, há questões ambientais. O município é cercado pela Bacia do Piancó e pela APA do João Leite.
Agora, a prefeitura tem focado em concluir um diagnóstico. “Estamos com ele em campo e vamos atualizar as demandas da cidade do ponto de vista comercial, industrial, de serviço, para que determine-se o crescimento ordenado da cidade”, frisa.






