Por Prof. Danianne Marinho*
Em 19 de setembro o SUS completou 36 anos. Um sistema que não deve ser lembrado apenas como uma sigla: ele precisa ser reconhecido como um projeto civilizatório construído por disputas, participação popular e decisão democrática. Se hoje o sistema é um dos maiores e mais complexos modelos públicos de saúde do mundo, isso decorre de um processo histórico que transformou a saúde, outrora um privilégio, agora um direito.
A história da saúde pública no Brasil ensina que nada disso foi dado gratuitamente. O SUS nasceu da força da Reforma Sanitária, da produção acadêmica, da mobilização social e da redefinição constitucional que consagrou a saúde como dever do Estado e direito de todos. Antes dele, grande parte da população ficava à margem de um atendimento fragmentado, excludente e vinculado à lógica da previdência ou da caridade.
Por isso, reduzir o SUS à imagem de hospitais e consultas é ignorar sua verdadeira dimensão política e social. O sistema só existe porque compreendeu que saúde depende de vigilância, prevenção, promoção da saúde, financiamento adequado e ação articulada entre União, estados e municípios. Em outras palavras, saúde pública não se resume a tratar doenças. Ela exige reorganizar o país para que a doença não se torne destino.
É justamente aí que reside sua grandeza. O SUS representa uma das maiores conquistas da democracia brasileira porque afirma, na prática, que dignidade não pode depender da renda, do CEP ou do tipo de vínculo trabalhista. Vacinação, atenção básica, vigilância epidemiológica, transplantes e resposta a emergências revelam um sistema que sustenta a vida cotidiana e protege coletivamente a população.
Ainda assim, celebrar o SUS também é defender sua existência concreta, e não apenas sua ideia. Subfinanciamento, pressões políticas e instabilidade administrativa ameaçam sua capacidade de cumprir integralmente os princípios de universalidade, integralidade e equidade. Conhecer sua trajetória, portanto, não é um exercício de memória, e sim uma forma de resistência em favor de uma política pública universal, integral e permanentemente protegida.
Viva os 36 anos de SUS!
* Professor, bacharel em fisioterapia, administrador hospitalar.





