Marconi Perillo (PSDB) não quis o PT. Ao contrário de nomes nacionais como Aloísio Nunes (que pediu votos para José Dirceu) e, principalmente, do vice-presidente Geraldo Alckmin, que deixaram o passado de embates para trás e passaram a integrar um novo projeto mais próximos ao Partido dos Trabalhadores, o principal tucano de Goiás resistiu.
O motivo foi claro: a pressão de líderes políticos e empresariais, alguns deles fieis desde o Tempo Novo que não queriam ver o ex-governador pedindo votos para Lula (PT) no Estado. O recado era claro: se Lula entrar, nós saímos. Marconi estava numa encruzilhada e escolheu seu caminho.
A contagem dos votos no último domingo não deixou dúvidas ao experiente político goiano que, se não havia escolha certa, havia a mais errada. E foi a que ele fez. Marconi Perillo, que segurou a segunda posição do começo ao fim da eleição, chegando a vislumbrar com um segundo turno, foi esvaziado justamente pelo grupo que jurou fidelidade, mas que, pelo visto, não se comprometeu com o tucano como o esperado.
A maior prova foi sua posição: pior do que a quarta posição foi ter ficado justamente atrás do candidato-tampão do PT. O ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno foi escolhido às pressas na modalidade “quem sobrou”. Ficou em terceiro, passando Marconi em 40 mil votos.
O protagonismo de Perillo, bancado pelos bolsonaristas tucanos, voou de última hora para Wilder Morais. Os petistas, que poderiam pousar no ninho ficaram firmes à fidelidade vermelha. Deu no que que deu.
Em Anápolis, Marconi tem um histórico amplo de obras, benefícios e ações pelo município. Na campanha, ganhou as ruas misturando tucanos clássicos e apoiadores antigos e fieis como Mirian Garcia, Lisieux Borges (ex-petista) e Nassin Farah, ao lado de defensores do bolsonarismo, como o vereador Fred Caixeta (PRTB) e o presidente do Avante, Delcimar Fortunato.
Ficou em quarto lugar na cidade, com 7% dos votos. Enquanto o petista Luis César Bueno, que deve ter pisado duas vezes em Anápolis no período que foi deputado, teve 9,13% dos votos anapolinos.
Não por acaso, na postagem que fez sobre a visita de Marconi em Anápolis, o vereador Fred Caixeta usou como trilha sonora a canção “Highway to Hell”, da banda australiana AC/DC, cuja tradução livre é: “Estrada para o Inferno”. Após a contagem dos votos, a escolha se torna quase premonitória.
Como a carreira de Perillo está longe de terminar e há um patrimônio político evidente – ainda que não proporcionalmente demonstrado neste 2026, o recado está dado para as possíveis próximas escolhas.






