Dados do Ranking de Competitividade dos Municípios, divulgado pelo Centro de Liderança Pública (CLP), mostram os principais potenciais e desafios para Anápolis ser uma cidade mais competitiva – e com mais qualidade de vida. Os melhores indicadores do município são qualidade da educação, saneamento, capital humano e inovação.
Por outro lado, Anápolis ainda encara gargalos no acesso à educação, nas telecomunicações, de sustentabilidade fiscal e também ambientais. O estudo é um dos mais respeitados do país e teve sua sétima edição divulgada no dia 26 de agosto. No ranking nacional, a cidade subiu cinco posições e está em 190º, além de ganhar uma no ranking estadual – onde é quarta colocada.
POTENCIALIDADES
A melhor posição de Anápolis está no item qualidade da educação. O pilar mede se o ensino oferecido pelas redes locais – pública e privada – gera aprendizado efetivo e desenvolvimento humano. Ele é composto por quatro indicadores específicos extraídos de bases de dados oficiais, do Ministério da Educação e do Inep.
Embora tenha caído quatro posições em relação a 2025, Anápolis tem a qualidade da educação como seu principal destaque e é 37ª colocada a nível nacional. O que mais contribui para o desempenho é a nota do Ideb – Ensino Médio, que empata em primeiro com a de outros municípios.
No indicador também é levado em consideração a avaliação de alfabetização, que analisam a fluência em leitura e escrita na idade certa; e a Taxa de Distorção Idade-Série, que nada mais é que o percentual de alunos que estão com a idade acima da recomendada para o ano que estão cursando, refletindo reprovações e abandono.
Outro aspecto positivo avaliado pelo CLP em Anápolis é o saneamento. O município aparece em 111º lugar no ranking nacional. Embora tenha perdido 24 posições em um ano, este ainda é o segundo pilar mais bem avaliado na cidade. Neste item, o ranking mede a infraestrutura básica e o acesso da população a serviços essenciais de água e esgoto. Ele está inserido na dimensão “Sociedade” e reflete diretamente a qualidade de vida e a saúde pública de uma cidade.
Os dados utilizados são extraídos do Sistema Nacional de Informações sobre o Saneamento (Sinisa) e avaliam a porcentagem da população que conta com o recolhimento dos dejetos residenciais; quanto do esgoto coletado pela cidade é efetivamente tratado antes de ser devolvido à natureza; o alcance da rede de água potável encanada para os moradores; e o volume de água tratada que é perdido nos sistemas de distribuição (devido a vazamentos, desvios ou falhas comerciais) antes de chegar às torneiras.
Pesa também o serviço de coleta e tratamento de lixo. E é a efetividade da destinação do lixo que faz Anápolis se destacar. Neste indicador, o município é o primeiro – junto a outras cidades do país, indicando uma expressiva melhora no processo. Por outro lado, a cidade é 285º na cobertura do serviço, ou seja, há muitas regiões de fora da rota dos caminhões da Québec.
No que concerne à economia, Anápolis avançou 49 posições em um ano no pilar Capital Humano, que mede o nível de qualificação, produtividade e engajamento da força de trabalho da cidade. Ele avalia se o município possui profissionais preparados para atender às demandas de uma economia moderna e inovadora, o que é um fator decisivo para a atração de novas empresas. Os dados são extraídos de bases como o Ministério do Trabalho e Emprego (RAIS/CAGED) e o Censo/Pnad do IBGE. Considera-se qualificação da mão de obra, produtividade, diversidade econômica no emprego e adesão ao mercado de trabalho.
O que contribuiu para o saldo de Anápolis foi o crescimento expressivo no número de matrículas no ensino técnico e profissionalizante. A grande contradição é que a taxa bruta de matriculados em ensino superior caiu e deixa a cidade apenas em 285º no número de estudantes de ensino superior.
Por fim, no pilar Inovação e Dinamismo Econômico. Este afere a capacidade do município de se modernizar, gerar riqueza e criar um ambiente atraente para novos investimentos e empreendimentos de alta tecnologia. Anápolis perdeu oito posições no ranking nacional, mas fica este ainda é o quarto item melhor avaliado na cidade, que é 144ª no país.
Para produzir a avaliação, o CLP considera o volume de profissionais trabalhando em setores que exigem alta inovação (como TI, engenharia, biotecnologia e indústria aeroespacial); crescimento dos empregos de alta e média-alta tecnologia; patentes requeridas; a quantidade de profissionais dedicados à pesquisa e desenvolvimento contratados pelo setor produtivo local; crescimento do PIB per capita; diversificação da pauta de exportação; abertura de empresas; e atratividade de investimentos.
O PIB per capita foi, inclusive, um problema. A cidade é 331º no país neste subitem. Contudo, houve avanço no crédito per capita. A cidade foi elevada a 72º lugar no ranking nacional neste indicador, o que manteve uma avaliação mais alta no pilar.

MAIORES DESAFIOS
O pilar que trouxe a Anápolis a pior avaliação no ranking foi o de Telecomunicações. O ranking avalia, para defini-lo, o nível de conectividade, a qualidade da infraestrutura digital e o acesso da população às tecnologias de comunicação. Ele aponta se a cidade oferece a base tecnológica necessária para o funcionamento de empresas modernas, trabalho remoto e serviços digitais. As informações são coletadas a partir da base de dados da Anatel.
Houve melhora, com um avanço de quatro posições em um ano, mas Anápolis ainda é 399ª no país. O melhor indicador dentro do pilar foi para acessos de telefonia móvel, no qual o município atingiu a 138ª posição. Porém, há um evidente problema de infraestrutura de fibra ótica – indicador que deixa a cidade em 374º lugar.
O pilar Sustentabilidade Fiscal é outro gargalo. Foram incríveis 240 posições perdidas em um ano no item que mede a saúde financeira da prefeitura. Os dados são extraídos do Siconfi (Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro) e do Tesouro Nacional. São avaliados dependência fiscal, endividamento, liquidez e gastos com pessoal, entre outros.
Neste caso, Anápolis conseguiu reduzir a dependência fiscal, ou seja, o município elevou receita própria e diminuiu a necessidade de receber repasses da União e do Estado. Por outro lado, há uma piora na Taxa de Investimento, que calcula a porcentagem do orçamento total que sobra para a prefeitura investir de fato em melhorias estruturais, ou seja, em asfalto, pontes, reformas de postos de saúde, e outros.
A cidade também ficou em posições ruins em Acesso à Educação, que avalia a capacidade do município de oferecer estrutura de ensino para as crianças e adolescentes residentes; e Meio Ambiente.







