Roberto Naves (Republicanos) deixou a prefeitura de Anápolis em 31 de dezembro de 2024 com 19 obras inconclusas – todas do famigerado Anápolis Investe, pacote que, quando lançado, saiu com o slogan de preparar o município para as próximas décadas. No entanto, após aprovar autorizações para empréstimos que chegavam à casa de R$ 1 bilhão, poucas obras de peso ficaram prontas.
A principal delas foi a reforma do prédio onde funcionava o Hospital Jamel Cecílio, que por 15 dias atendeu como UPA da Mulher e hoje abriga, temporariamente, a UPA Alair Mafra, enquanto a unidade da Vila Esperança está em reforma.
Outras intervenções estruturantes, como o viaduto do Recanto do Sol e a Ponte Estaiada Edenval Ramos Caiado – que liga Polocentro e Morumbi sobre o Córrego das Antas – não ficaram prontas dentro do mandato.
Ao todo, são 19 obras inconclusas herdadas pela administração Márcio Corrêa (PL). Duas delas, inclusive, a da construção da nova sede da Câmara Municipal, no Residencial Cerejeiras, e o Politec, que seria um distrito industrial municipal, sequer chegaram a ir além da terraplanagem, apesar das ordens de serviço.
Destas, seis foram concluídas e entregues: viaduto do Recanto do Sol, construção da nova arquibancada e reforma do estádio Jonas Duarte, a reconstrução das escolas Dinalva Lopes, na Vila Esperança; e Realino José de Oliveira, no Jandaia; além da reforma da Escola Municipal Inácio Sardinha de Lisboa, no distrito de Interlândia. Outra obra finalizada foi na Unidade de Saúde Dr. Ilion Fleury, a famosa Osego, no Jundiaí. A reforma começou em 2024, sob Naves, e terminou em 2025, com Corrêa e agora com a nomenclatura de policlínica.
Outra obra que foi terminada no ano passado, já na atual administração, foi do prédio que abrigaria o Centro Cultural Dulce de Faria. No entanto, Corrêa mudou a finalidade da edificação. Se antes abrigaria todas as escolas culturais do município, recebeu novamente – agora totalmente reformulada – a Escola Municipal João Luiz de Oliveira, que vinha funcionando em espaço alugado.
RETOMADAS
Outras unidades educacionais cujas obras ficaram paradas estão próximas da conclusão. São os casos das reformas de dois Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs). As intervenções no Jandira Bretas, na Vila João Luiz de Oliveira; e no Arnaldo Steckelberg, no Bairro São Lourenço, ficaram paradas por muito tempo. A prefeitura retomou-as com mão de obra própria, sem nova licitação, e promete concluí-las até o fim de setembro.
A reconstrução da Escola Municipal Lions Anhanguera, na Vila Formosa, foi retomada em 2025, após meses de paralisação, mas a conclusão se dará somente em 2027. A licitação prevê R$ 9 milhões para erguer um novo complexo de ensino com dois andares e quadra coberta.
Na última sexta-feira (24), Corrêa autorizou a retomada das obras de construção da nova escola municipal do Setor Industrial Munir Calixto, que terá 17 salas e será uma das maiores da rede.

Por fim, também foi retomada a atividade no canteiro da edificação que serviria de casa para a UPA Veterinária. Pelo menos este era o projeto da administração anterior. Agora, ela passa por adaptação para abrigar um CMEI no Parque Residencial das Flores e a previsão é entregá-la ainda este ano.

OBRAS EM BREVE
Há três intervenções do Anápolis Investe que serão retomadas em breve. Para duas delas, inclusive, o prazo é a próxima semana, a primeira de agosto. Neste período haverá ordem de serviço, conforme a prefeitura, para a retomada da construção da Escola Municipal da Vila Fabril e da reforma da Escola Municipal Rodolf Mikel Ghannam, no Bairro Paraíso.
No caso da pavimentação da estrada vicinal ANS-10, que se conectaria com o Anel Viário da Daia, concluído em fevereiro pelo governo de Goiás, há um novo processo licitatório em curso. O contrato com a construtora anterior, que não chegou a fazer qualquer tipo de movimentação no local, foi rompido. Há recursos federais previstos para a intervenção e, por isso, o projeto está mantido e será executado, conforme a administração, quando a licitação definir uma nova empreiteira.

SEM PREVISÃO
Corrêa e o secretário de Obras, Habitação, Planejamento Urbano e Meio Ambiente, Thiago de Sá, ainda se debruçam sobre dois quiproquós. O maior deles, é claro, é a obra da Ponte Estaiada Edenval Ramos Caiado. A estrutura faraônica foi orçada em R$ 125 milhões. Segundo o prefeito, todo este montante foi consumido em outras rubricas, embora a obra tenha apenas cerca de 30% de execução.
Hoje, de acordo com a prefeitura, não há qualquer previsão de retomá-la, uma vez que não há orçamento ou recursos disponíveis para a continuidade. A administração diz que avalia alternativas para captação de recursos junto aos governos federal e estadual na tentativa de conclui-la.
Nas últimas semanas, Corrêa tem repetido que vai fazer no local uma ‘ponte convencional’, que teria custo muito mais baixo. Não informou, porém, se o projeto usaria as alças que já estão de pé em cada uma das pontas do canteiro de obras.

O outro entrave diz respeito à construção do CMEI do Jardim Promissão. O bairro, que reúne alta demanda por educação infantil, aguarda a conclusão da creche, mas ainda não há estimativa sequer para a retomada das obras. Como ela foi erguida com recursos de um dos financiamentos – muito criticados por Márcio Corrêa – a administração avalia como obter os recursos necessários para executá-la.
DESCARTADOS
Dois projetos licitados no Anápolis Investe – e com cerimônia de ordem de serviço – foram totalmente descartados. São os casos da nova sede da Câmara Municipal, que seria no Residencial Cerejeiras, e do Polo Industrial Tecnológico de Anápolis (Politec), que seria às margens da BR-153, na região Norte da cidade, próximo ao Parque de Exposições Agropecuárias.
Por sorte, nenhuma delas chegou efetivamente a começar. No caso da nova sede da Câmara, foi feita uma terraplanagem. Hoje, quase dois anos depois, os montes de terra colocados na área pública tem sido retirados por caminhões da prefeitura e levados para outros locais. Em vez da construção de um novo prédio, o poder legislativo vive a expectativa de migrar para onde hoje funciona o Centro Administrativo Adhemar Santillo, cuja transferência para o Centro de Convenções já foi anunciada.

O Politec teve cerimônia de ordem de serviço em 2023. Porém, para além da foto, houve somente a retirada de mato para abrir espaço para as ruas, mas sem qualquer tipo de pavimentação. Depois disso, o mato voltou a tomar conta. No fim de 2024, máquinas voltaram ao local, mas novamente só retiraram a a vegetação e não houve qualquer tipo de avanço prático na intervenção.
Crítico do distrito industrial, que chamou de inviável, Márcio Corrêa sempre disse que não seguiria adiante, pois no local sequer há a oferta necessária de água ou energia para abrigar empresas. Ademais, os chamamentos executados pela Secretaria de Indústria e Comércio durante a administração Roberto Naves não conseguiram captar empresas interessadas em se instalar no espaço.

Obras do Anápolis Investe que ficaram empacadas:
Centro Cultural Dulce de Faria
Viaduto do Recanto do Sol
Ponte Estaiada
Pavimentação da vicinal ANS-10
Reforma da Escola Municipal Inácio Sardinha de Lisboa – Interlândia
Reforma da Escola Municipal Rodolf Mikel Ghannam – Novo Paraíso
Reforma da Escola Municipal Dinalva Lopes – Vila Esperança
Reforma da Escola Municipal Realino José de Oliveira – Jandaia
Reforma da Escola Municipal Lions Anhanguera – Vila Formosa
Nova Escola Municipal da Vila Fabril
Nova Escola Municipal do Munir Calixto
Reforma do CMEI Jandira Bretas – Vila João Luiz de Oliveira
Reforma do CMEI Arnaldo Steckelberg – Bairro São Lourenço
Novo CMEI do Jardim Promissão
Reforma da Osego
Reforma do Estádio Jonas Duarte
UPA Veterinária
Nova sede da Câmara Municipal
Politec
Obras concluídas pela administração de Márcio Corrêa:
Centro Cultural Dulce de Faria* – estrutura voltou a abrigar a Escola Municipal João Luiz de Oliveira
Viaduto do Recanto do Sol
Reforma da Escola Municipal Inácio Sardinha de Lisboa – Interlândia
Reforma da Escola Municipal Dinalva Lopes – Vila Esperança
Reforma da Escola Municipal Realino José de Oliveira – Jandaia
Reforma da Osego – unidade de saúde Dr. Ilion Fleury foi convertida em policlínica
Reforma do Estádio Jonas Duarte
Obras retomadas pela administração de Márcio Corrêa e em curso:
Reforma da Escola Municipal Lions Anhanguera – Vila Formosa
Nova Escola Municipal do Munir Calixto
Reforma do CMEI Jandira Bretas – Vila João Luiz de Oliveira – previsão de conclusão para setembro
Reforma do CMEI Arnaldo Steckelberg – Bairro São Lourenço – previsão de conclusão para setembro
UPA Veterinária* – estrutura passa por conversão para CMEI no Parque Residencial das Flores
Obras que serão retomadas:
Escola Municipal da Vila Fabril – ordem de serviço será emitida na primeira semana de agosto
Reforma da Escola Municipal Rodolf Mikel Ghannam – ordem de serviço será emitida na primeira semana de agosto
Pavimentação da ANS-10 – contrato anterior foi rescindido e há nova licitação em curso
Quiproquós:
CMEI do Jardim Promissão – está sob avaliação quanto à viabilidade de obtenção dos recursos necessários para sua execução. No momento, ainda não há previsão para o início dos trabalhos.
Ponte Estaiada – sem previsão orçamentária nem recursos disponíveis para a continuidade. São avaliadas alternativas para captação de recursos junto aos governos federal e estadual.
Projetos descartados:
Nova sede da Câmara Municipal
Politec






