Paulo e Naiara Carvalho decidiram vender o veículo da família, um Hyundai I-30, para aplicar em outras prioridades do casal. Ao anunciar o veículo na plataforma OLX, de cara receberam uma proposta de uma loja especializada em revenda de automóveis. “Fomos informados que eles tinham um comprador e queriam fazer negócio”, relata Paulo.
O contato foi feito, segundo o registro do boletim de ocorrência, no dia 24 de agosto e, mediante negociação, ficou acertado que eles repassariam o carro por R$ 45 mil. O compromisso firmado em contrato é que a loja só pagaria o acerto 10 dias depois, o que foi aceito pelos vendedores.
“Só que no dia combinado, o pagamento não veio”, relembra o proprietário do I-30. No dia 04 deste mês, como agendado, o eletricista anapolino foi receber o valor. Mas saiu da loja Euro Veículos, sem ver dinheiro, mas com um promessa: que retornasse depois do feriado e o dinheiro estaria à sua espera.
PRAZO
A partir daí o que houve foi uma sequência de promessas. “Vou pagar hoje até às 20h, nos disseram, mas nunca foi feito pagamento”, completa. Até que, diante da insistência de Paulo, que disse que só sairia da loja com o pagamento feito, ouviu de um dos donos da loja, de nome Humberto, um novo compromisso: o pagamento na noite daquele dia, sob risco de uma multa de 20% no valor original. Paulo topou o acordo. “Ele só queria fazer eu ir embora de lá”, reconhece. Naquela noite e em nenhuma outra houve repasse de qualquer valor.
A solução foi buscar o Procon Municipal e a Polícia Civil. Naiara Rosendo de Carvalho, titular da propriedade do veículo, formalizou um Registro de Ação Integrada (RAI), o conhecido “Boletim de Ocorrência”, para oficializar o calote, uma vez que já se passaram 16 dias e nenhum valor foi repassado. “Apenas promessas vazia”, lamenta o eletricista.
“ACALMADA”
O Anápolis Diário entrou em contato com o proprietário da loja, Leonardo Alves Coelho, da empresa Euro Repasses. Ele reconheceu a situação, a dívida com o casal e as diversas promessas quebradas com o casal. Atribuiu a situação a “imprevistos” de outros parceiros e pagamentos que não caíram e que impediram, mais de 15 dias depois, que ele honrasse o valor e o contrato.
“Outro parceiro atrasou com a gente e infelizmente nós atrasamos com eles”, explica Leonardo, que minimiza o medo do casal de levar um calote na negociação. “Não há nada de errado, até falei com a esposa dele e vou falar com ele e dar uma acalmada”, justificou o empresário. “A previsão é fechar uma negociação hoje e fazer o pagamento no mais tardar amanhã”, prometeu Leonardo, desta vez, ao AD.
Ainda segundo o responsável pela empresa, “não é nada fora do normal”. “Infelizmente é só um atraso de pagamento”. A previsão, segundo o empresário, é pagar integral ou parcialmente, ainda hoje. “No máximo amanhã”, estendeu. Após o contato do AD, Leonardo fez novo contato com Paulo e renovou o compromisso para “hoje, no mais tardar amanhã”. Até esta sexta-feira (11), não havia nenhum pagamento de Leonardo ou da Euro Repasses para Naiara ou Paulo.
DIA SEGUINTE
Acontece que, no dia seguinte ao combinado, Leonardo Coelho não fez pagamento, mas ofereceu uma saída: um outro carro como garantia. O veículo, segundo ele, teria valor maior que devido e serviria apenas como “garantia”. Paulo e Naiara pegaram o veículo. Só que na hora de assinar um contrato para formalizar a transação que deveria ser temporária, já que o interesse do casal era receber o dinheiro, tomaram um susto.
“O contrato não era para dar garantia, mas sim um compromisso de compra e venda na qual nós teríamos de pagar pelo carro como se estivéssemos comprando”, explica Paulo que foi orientado no próprio cartório onde deveria formalizar o documento a não assinar. “Saímos de vendedores com dinheiro a receber para devedores de um carro que não quisemos comprar”, revolta-se.
Diante do cenário, Paulo acionou um advogado para obter uma busca e apreensão de seu antigo veículo e desfazer completamente qualquer vínculo com a empresa Euro Veículos. “Quero fazer isso porque quando fui lá já tinha umas outras 10 pessoas reclamando de golpe. Não quero que outros passem pelo que estou passando”, avisa.






