Edward Junior, candidato a deputado estadual pelo Novo, desistiu da corrida por uma cadeira à Assembleia Legislativa. E, segundo informações de colaboradores de seu projeto político, também desistiu de honrar os compromissos financeiros firmados quando ainda sonhava com a Alego.
Curiosamente, Edward é o candidato mais rico de Anápolis, com patrimônio declarado superior a R$ 70 milhões. Ainda assim, há ao menos 30 pessoas, que trabalharam pelo projeto até a sua desistência, com medo de não receber o que foi prometido. Quem faz a denúncia é a profissional de Marketing Digital A.S.L. Ela procurou o Anápolis Diário para fazer este relato sob a condição de anonimato. Ela quer evitar, além do prejuízo financeiro, o risco da exposição profissional pela situação.
MILITÂNCIA DIGITAL
Segundo narra a profissional, Edward Júnior a contratou pelo valor de R$ 4 mil pelos 45 dias de campanha com a missão de coordenar um grupo de mobilização digital composto, inicialmente, por 50 pessoas. Ao final do processo de seleção, somente perto de 30 nomes foram inseridos.
O objetivo era atuar nas redes sociais: estas pessoas deveriam compartilhar os conteúdos do projeto de Edward, curtir suas postagens e fazer elogios ao candidato, gerando engajamento. O custo de cada um dos soldados digitais foi acordado em R$ 150.
O entendimento comercial era a realização de dois pagamentos a todos os integrantes deste exército digital. Metade seria pago no meio da campanha e o restante, na última semana. Só que ao invés de dinheiro, eles tiveram uma surpresa: o candidato do Novo anunciou em suas redes sociais a desistência do projeto “por motivos de foro íntimo”.

BLOQUEADA
“Quando fui questiona-lo sobre a postagem, ele confirmou a saída e alegou que o partido não teria repassado valores que ele contava para tocar o projeto e por isto tinha de desistir”, explica A.S.L. Então foi a vez da profissional tentar entender como ela e o grupo seria remunerado pelo trabalho já feito. “Ele disse que não ia ter jeito de pagar nem a mim e nem a ninguém. E logo depois me bloqueou do Whatsapp”, revela.
O AD teve acesso aos prints de toda a negociação, que não teve um contrato assinado. Em diversos momentos, Edward dá comandos para que o grupo compartilhe determinado assunto ou mesmo que vote em seu nome em enquetes virtuais sobre candidatos a deputado.

OUTRO LADO
Em resposta ao AD, o agora ex-candidato Edward Júnior classificou o fato como uma “fake news”. “Os compromissos feitos de acordo com lei eleitoral serão totalmente quitados”, garantiu para, mais a frente completar: “Não fiz nenhum contrato de pessoas”.
Apesar de não haver contrato, há uma série de diálogos, conversas e ações em conjunto do então candidato dando ordens e comandos estratégicos para a coordenadora do grupo.
Segundo A.S.L., foi enviado uma ficha cadastral que pedia dados eleitorais. “Ele disse que era para um contrato eleitoral”, explicou. Edward Júnior afirma que renunciou à candidatura “por motivos estritamente particulares”.







