Apesar de aporte milionário, Maternidade Dr. Adalberto suspendeu parte dos serviços por falta de pagamento: uma das medidas é uma prestação de contas no Legislativo e até mesmo a abertura de uma CEI; presidente da comissão de saúde diz estar “acompanhando de perto” a situação
Somados os anos de 2025 e 2026, a atual legislatura municipal destinou à Maternidade Dr. Adalberto Pereira da Silva um montante superior a R$ 3,5 milhões em emendas impositivas. Os números do investimento chamam atenção: em 2025, um quarto das emendas parlamentares municipais foram para este único endereço, com 22 dos 23 parlamentares enfiando dinheiro na maternidade. A exceção ficou por conta do vice-presidente José Fernandes (MDB).
No ano seguinte, uma mudança repentina de comportamento. Dos 22, “apenas” 17 apostaram na maternidade, o que promoveu uma queda de 45% no aporte, que ficou em R$ 1,26 milhão.
Some-se a esta conta o convênio 041/2022 do Poder Executivo, que prevê a destinação de mais de R$ 6 milhões até janeiro de 2027, e chega-se ao aporte de quase R$ 10 milhões na maternidade que, na última sexta-feira (31) entrou em greve e deixou de atender demandas de rotina, limitando a urgência e emergência.
Mesmo com este cenário, a Câmara Municipal não pediu neste período sequer um recibo da maternidade, algo que comprove os investimentos e o uso do dinheiro foram para consultas, urgências e emergências.
Como a premissa fundamental do Poder Legislativo é fiscalizar a destinação, aplicação e uso do dinheiro público, torna-se imperativo que a Câmara Municipal abra um debate sobre o cenário da instituição de utilidade pública e gerida por associação sem fins lucrativos.
Um dos caminhos é a convocação para uma extensa e detalhada prestação de contas da entidade no próprio legislativo. Outro caminho possível – e proporcional dada a circunstância – é a abertura de uma investigação como, por exemplo, uma CEI – Comissão Especial de Investigação – da maternidade.
É fundamental que os vereadores realizem um pente-fino para saber o que está acontecendo internamente para que os trabalhadores estejam, segundo relatos, a oito meses sem receber.
COMISSÃO DE SAÚDE
Presidente da Comissão de Saúde da Câmara Municipal, Suender Silva (PL) garante estar “acompanhando de perto” a situação. “Já solicitei esclarecimentos à direção da maternidade e à Secretaria Municipal de Saúde. O objetivo é identificar a verdadeira causa do problema, seja por falha na gestão, insuficiência de recursos ou qualquer outra questão administrativa”, explica.
“É preciso apurar onde está a falha para que as providências sejam tomadas com rapidez e responsabilidade. O mais importante é garantir um atendimento digno, eficiente e de qualidade para toda a população”, completa o parlamentar.






