O prefeito Márcio Corrêa (PL) voltou a criticar a atuação da Saneago no município e, desta vez, ameaçou rever o contrato de concessão do serviço de abastecimento de água e saneamento e ‘buscar outra empresa’.
A declaração foi dada nesta semana, durante evento de entrega de 400 títulos de posse de imóveis no bairro Novo Paraíso. Em discurso, Corrêa cobrou entrega de obras previstas no contrato e renovou a crítica à estatal de saneamento.
As obras em questão são de extensão das redes de esgoto na região do Novo Paraíso, uma das mais carentes de Anápolis. O prefeito também reclamou do serviço de tapa-buraco da Saneago e disparou: “por onde eles passam, deixam mau cheiro. Ninguém aguenta”.
No evento, Corrêa relatou ter ouvido diversas reclamações de moradores do Paraíso e Novo Paraíso sobre o mau cheiro e a demora na execução das obras de extensão da rede de esgoto.
Segundo o prefeito, a empresa foi notificada e multada pela Agência Reguladora do Município (ARM), que disse agora estar estruturada para aumentar a fiscalização sobre as exigências do contrato.
“Se não tiver como, vamos aonde for e vamos buscar uma outra empresa”, disparou o prefeito, aplaudido por moradores.
CONTRATO É CUMPRIDO, DIZ EMPRESA
A Saneago, por sua vez, afirmou que estão em fase final as obras de ampliação do sistema de esgotamento sanitário de Anápolis, que contemplam melhorias do tratamento preliminar e secundário, além da implantação de tratamento terciário com desinfecção ultravioleta na ETE e a execução de 130 km de redes coletoras nas bacias Antas e Felizardos.
“A iniciativa, que envolve investimento total de R$ 73,4 milhões, amplia a capacidade operacional do sistema, contribui para a preservação ambiental e fortalece a qualidade do tratamento de esgoto. Além disso, possibilita a expansão da prestação dos serviços para novas localidades”, disse a empresa em nota.
A concessionária afirmou ainda que a “Estação de Tratamento de Esgoto de Anápolis é submetida a monitoramento operacional e laboratorial com acompanhamento dos parâmetros de qualidade do efluente tratado, em atendimento aos padrões e condições de lançamento estabelecidos pelas Resoluções Conama nº 357/2005 e nº 430/2011, bem como às exigências dos órgãos ambientais competentes.”
Quanto às críticas do prefeito ao tapa-buraco, a Saneago disse que “vem intensificando a fiscalização dos serviços executados pela empresa contratada, especialmente quanto ao cumprimento dos prazos e à regularidade dos atendimentos” e garante que, pelo elevado número de intervenções em Anápolis, “acompanha continuamente a execução contratual e aplica, quando cabíveis, as sanções previstas, visando assegurar maior eficiência e qualidade na recuperação dos pavimentos.”
“Destacamos, ainda, que vêm sendo regularmente cumpridas as metas contratuais relacionadas à cobertura urbana dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário, à qualidade da água distribuída, ao tratamento do esgoto, à redução de perdas de água e à continuidade do abastecimento. A Saneago reafirma seu compromisso com a legalidade, mantendo diálogo constante com os mais diversos entes, especialmente com a Prefeitura de Anápolis, para acompanhamento das ações da Companhia, esclarecimentos e informações solicitadas”, finaliza a nota.
NÃO É A PRIMEIRA VEZ
A elevação de tom de Corrêa contra a Saneago não é inédita. Logo que assumiu, ele fez diversas críticas à estatal, sobretudo pela distribuição de água barrenta em vários bairros da cidade. Àquela época, houve vários testes e uma força-tarefa que reuniu diretores de alto escalão da empresa até resolver o problema de turbidez. Àquela época veio a primeira ameaça de rompimento.
O prefeito também fez críticas à demora da empresa em reconstituir calçadas quebradas pelas obras de ampliação da rede de esgoto. Já em 2026, Corrêa reclamou dos royalties pagos pela Saneago ao município e falou em rever valores.
A Saneago e o município de Anápolis assinaram, em 2020, um novo contrato de concessão com validade de 30 anos, ou seja, até 2050. O acordo original de 30 anos previa investimentos de R$ 600 milhões, mas a prefeitura avalia que a antecipação de royalties em gestões anteriores gerou um desequilíbrio financeiro severo ao município.






