Casos envolvendo a morte de um recém-nascido em 2014 e lesão grave por queimadura não são isolados, de acordo com registros policiais; documentos revelam outras ocorrências envolvendo bebês atendidos na unidade
Da Redação
A Santa Casa de Misericórdia de Anápolis acumula registros policiais relacionados a lesões sofridas por recém-nascidos durante partos e procedimentos hospitalares. Documentos da Polícia Civil de Goiás revelam pelo menos três ocorrências entre dezembro de 2021 e junho de 2023, envolvendo duas fraturas de clavícula durante partos normais e uma queimadura de terceiro grau durante tratamento medicamentoso.
Os episódios se somam ao histórico de questionamentos sobre a assistência prestada pela instituição, incluindo o caso de uma criança cuja morte, em 2014, deu origem a uma disputa judicial por indenização.
QUEIMADURA
O episódio mais recente com registro policial ocorreu em 10 de junho de 2023 e envolve uma menina de apenas quatro dias de vida. Isa Rodrigues dos Santos havia nascido na Santa Casa em 6 de junho e permanecia internada para tratamento de sífilis congênita e icterícia.
Segundo o boletim registrado pelo pai, Kaique Batista dos Santos, a mãe percebeu que o braço da criança apresentava vermelhidão, hematoma e inchaço. A família afirma que solicitou repetidamente a presença da equipe de enfermagem, mas não obteve uma avaliação imediata da região afetada.
De acordo com o relato, as profissionais inicialmente desligaram o equipamento de administração do medicamento e, posteriormente, retiraram a mangueira do acesso, sem examinar adequadamente o braço da recém-nascida.
Somente após nova intervenção do pai, por volta das 19h30, o esparadrapo que fixava o acesso teria sido removido. Nesse momento, foi identificada uma lesão descrita no registro como queimadura de terceiro grau no antebraço direito, cuja gravidade teria sido constatada pelo Hospital de Queimaduras de Anápolis.
FRATURAS
Outros dois boletins, registrados em um intervalo de aproximadamente dois meses, relatam fraturas de clavícula em recém-nascidos durante partos normais realizados na maternidade.
O primeiro episódio ocorreu em 29 de dezembro de 2021. Jaqueline Rodrigues Ramos deu à luz Felipe Ramos Maia e, segundo seu relato, enfrentou complicações durante o procedimento. O bebê sofreu uma fratura na clavícula direita.
Pouco mais de dois meses depois, em 4 de março de 2022, outro recém-nascido sofreu uma fratura de clavícula durante parto normal na Santa Casa.
A ocorrência foi comunicada à Polícia Civil por Francielle Gomes de Lima, mãe de Natanael Saad Gomes Nunes, cinco dias após o nascimento.
HISTÓRICO
As três ocorrências acrescentam novos elementos ao histórico de denúncias e disputas judiciais envolvendo a assistência materno-infantil da Santa Casa de Anápolis.
Entre os episódios anteriormente abordados está o de uma mãe que busca receber indenização relacionada à morte de sua filha durante o parto, em 2014. O caso tornou-se objeto de uma prolongada controvérsia judicial sobre o cumprimento da obrigação indenizatória.
Outro episódio, ocorrido em 2018, envolve uma recém-nascida que sofreu queimaduras de segundo grau após um procedimento improvisado de aquecimento, segundo os documentos judiciais anteriormente analisados. O caso também motivou questionamentos sobre as condições de atendimento e a responsabilidade dos envolvidos.
EXPLICAÇÃO
Em nota solicitada pela reportagem, a Santa Casa afirma ter “compromisso com a qualidade da assistência, a segurança das pacientes, dos recém-nascidos e a melhoria contínua dos serviços prestados”.
Para isto, segundo a instituição, “mantém protocolos assistenciais, ações de monitoramento e avaliação dos procedimentos, com o objetivo de prevenir intercorrências e garantir a segurança materno-infantil”.
Sobre os casos em trâmite judicial, um deles já com execução de pagamento, a instituição afirma respeitar “os trâmites legais e reafirma seu compromisso, há 65 anos, com a assistência à população”.






