Um condomínio fechado em Anápolis escondeu por meses o que a Polícia Civil de Minas Gerais (PC-MG) agora descreve como o “quartel-general” de um dos mais audaciosos ataques cibernéticos recentes do país. No centro das investigações sobre o desvio de R$ 75 milhões da Zema Financeira, instituição ligada à família do ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo), está a advogada anapolina Jessika Lorrane Bastos de Castro, de 35 anos.
A profissional, que mantém sua inscrição ativa na Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil em Goiás (OAB-GO), é apontada pelas autoridades como peça-chave no apoio logístico e operacional do esquema liderado por seu companheiro, o empresário Douglas Silva de Oliveira Azara, de 26 anos. O caso revela como a infraestrutura de uma cidade em pleno crescimento econômico, conhecida por seu forte polo industrial e farmacêutico, serviu de base para uma fraude digital com ramificações internacionais.
A investigação da PCMG cruzou dados de inteligência e informações telemáticas, chegando a uma conclusão contundente: as conexões de IP utilizadas para ordenar os saques e pagamentos fraudulentos contra a Zema Financeira saíram diretamente da residência onde Jessika e Douglas moravam, em Anápolis. O ataque, ocorrido entre novembro e dezembro de 2025, teria sido viabilizado pelo uso indevido de uma credencial vazada da Stefanini Consultoria, empresa contratada para desenvolver o aplicativo da financeira.
INVESTIGAÇÃO
O papel da advogada anapolina, segundo a polícia, foi além de abrigar a infraestrutura do ataque. Jessika teria cedido suas próprias contas bancárias e uma empresa individual para servir como “duto” no fluxo dos valores ilícitos repassados pelo grupo.
Para aprofundar a blindagem das operações em Goiás, o esquema contou com a participação do irmão de Jessika, Maycon Douglas Bastos de Castro. Como sócio da empresa Mayconst Ltda., Maycon assinou o contrato de locação do imóvel residencial em Anápolis em nome de sua pessoa jurídica.
A manobra foi descrita pela Justiça de Minas Gerais como uma tentativa de ocultação patrimonial e de localização, visando impedir que ordens judiciais chegassem rapidamente ao líder do esquema. Maycon foi preso pela Polícia Civil de Goiás em 23 de junho.
ATUALIZAÇÃO
Ao contrário do que foi afirmado na reportagem do Anápolis Diário, a advogada Jessika Lorrane Bastos de Castro foi presa no último dia 21 de julho. A detenção foi feita após o cumprimento de uma demanda da Polícia Civil de Minas Gerais, que apura o caso. A advogada foi presa na casa da mãe. O irmão de Jéssika, Maycon Douglas Bastos de Castro, também foi preso pela Polícia Civil em uma ação coordenada e liderada pelo delegado Luiz Cruz.
A operação foi filmada pela câmera corporal de um policial. O vídeo da ação de prisão da advogada foi usado em uma postagem recente do próprio delegado anapolino para exemplificar – e defender – o quanto os registros das ações são importantes para garantir a idoneidade e legalidade nas ações policiais.
De acordo com a legislação brasileira, todo cidadão possui o direito à presunção de inocência, o que significa que a advogada não pode ser considerada culpada até o trânsito em julgado de uma sentença penal condenatória. As acusações apresentadas pela Polícia Civil ainda deverão ser provadas durante o devido processo legal.






