Da Redação
As planilhas de prestação de contas referentes ao segundo bimestre de 2026 da Prefeitura de Campo Limpo de Goiás indicam um déficit primário de R$ 1.203.626,30. Este desempenho é particularmente preocupante quando contrastado com a meta estabelecida na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que previa um superávit primário de R$ 5.354.200,00.
O município empenhou R$ 30.900.710,57, dos quais R$ 19.565.789,65 foram liquidados, mas somente R$ 18.744.668,36 efetivamente pagos. A taxa de liquidação de 63,32% sobre o empenhado indica um volume significativo de despesas contratadas pendentes de execução efetiva do serviço ou entrega do bem. O total em “aberto” referente ao período é, de acordo com os documentos oficiais, de R$ 11.334.920,92.
O cenário orçamentário do segundo bimestre exige atenção. A receita realizada até o momento totaliza R$ 17.875.713,79, o que representa uma execução de 31,37% em relação à Receita Corrente Líquida (RCL) de R$ 56.977.367,21. No segundo bimestre, a gestão municipal arrecadou 26,07% da previsão da receita total prevista
DISCREPÂNCIA
Apesar deste cenário, há o indicativo de um saldo em caixa de R$ 5.936.783,93. Se, inicialmente, o resultado pode parecer positivo, o desdobramento da análise revela a criação de um cenário artificial. Isto porque embora o saldo de Restos a Pagar (RAP) processados seja baixo (R$ 357.851,63), o volume de Restos a Pagar não processados atinge R$ 10.924.430,70. Na prática é como deixar de pagar algumas contas para fazer o que o saldo bancário apareça positivo.
A cobertura de caixa para os restos a pagar não processados é de apenas 54,34%. Isso significa que, se todas essas obrigações fossem liquidadas e exigidas simultaneamente, o município não teria recursos em caixa suficientes para honrá-las, configurando um risco de insuficiência financeira no encerramento do exercício.
A Dívida Consolidada Líquida encontra-se negativa em R$ 6.457.108,06 (o que tecnicamente indica que os ativos financeiros superam as obrigações financeiras de longo prazo consolidadas), mas a pressão de curto prazo do caixa contra os RAPs exige monitoramento.






