Recém-empossado presidente do Sindicato dos Construtores de Anápolis (Sinduscon), Juliano Pereira dos Santos avalia como positivo o debate ocorrido na Câmara Municipal na última segunda (18) sobre o possível aterramento da fiação na cidade. O engenheiro detalha quais seriam os desafios para o município em promover o aterramento nas áreas já consolidadas, como o Centro. Por outro lado, demonstra otimismo em levar o debate adiante aos novos empreendimentos urbanos.
“Nós todos lamentamos as mortes causadas pelo abandono da fiação e, por isto, parabenizamos a gestão municipal em buscar estas soluções”, destaca. Em uma análise geral sobre o cenário urbano, o profissional diz que um projeto de aterramento demanda “muita cautela”.
“Os custos são exorbitantes. A cidade não foi planejada para isto, então um projeto assim impactaria em diversas outras redes, como sistemas de esgoto, de água, nas redes pluviais e até mesmo nas ligações dos ramais com as residências”, explica, referindo-se à necessidade de mudança e adaptação a fim de distribuir os espaços sob o chão.
“Além das escavações, há ainda a necessidade de abrir áreas técnicas para tornar a estrutura viável. Pode demandar até mesmo desapropriações”, completa Juliano, que coloca em dúvida se este seria o “momento da cidade” em tocar um projeto assim. O presidente do Sinduscon defende que haja um aumento da fiscalização e da própria regulamentação do uso da fiação aérea como soluções mais viáveis.
NOVAS ÁREAS
Juliano Pereira vê com bons olhos o debate sobre a adequação de fiação subterrânea em novos loteamentos. “Ficaria mais caro, mas possível de ser planejada e executada. Uma parceria entre os empreendedores e a prefeitura podem encontrar uma solução de viabilidade econômica”, sugere.
O líder classista propõe, ainda, um norte ao debate. “Uma desoneração nos custos de legalização, de contrapartidas em prol de uma infraestrutura enterrada é um ponto positivo de discussão”, emenda.
O empreendedor alerta o que considera um fato imutável no debate: “O importante é sempre entender que quem paga a conta é o cliente”. “Mas seria muito interessante que nos novos projetos a gente pudesse evoluir a cidade”, reitera.
CUSTO
Convidado a estimar – ainda que superficialmente – sobre o custo de impacto no metro quadrado num loteamento com o uso da fiação soterrada, Juliano diz ter feito um levantamento com loteadores da cidade a fim de apresentar um dado coerente.
“O custo da rede elétrica fica de cinco a oito vezes maior, a depender da característica do loteamento. Isso irá refletir em um aumento superior a 20% no preço de venda do loteamento”, aponta.






