“Eu era obrigado a passar parte do meu dinheiro e forçado a trabalhar em outro lugar sem receber nada. Eu era assessor legislativo na Câmara Municipal de Anápolis”.
Este relato feito por um ex-servidor do gabinete do então vereador Hélio Araújo (PL) foi o pontapé inicial para a investigação do Ministério Público de Goiás (MPGO) sobre a suspeita de corrupção passiva no gabinete do então vereador Hélio Araújo (PL).
Ao saber da denúncia, o então vereador e presidente do PL de Anápolis registrou um Boletim de Ocorrência contra o assessor, alegando ser vítima de um processo de calúnia e extorsão. Em outubro de 2023, Araújo disse que Sinval estaria caluniando sua imagem pública ao falar que ele praticava rachadinha e que desejaria receber R$ 15 mil para não levar adiante as denúncias.
O ex-assessor legislativo Sinval Cavalcante Júnior prestou depoimento à Polícia Civil sobre a acusação recebida pelo ex-chefe. Na ocasião, em 12 de dezembro de 2023, Cavalcante entregou seu celular para que fosse periciado. Conforme o inquérito policial aponta, Cavalcante Junior assinou uma declaração autorizando a perícia da Polícia Civil no aparelho, a fim de identificar se havia de fato extorsão de sua parte.
De acordo com a sequência de registros do inquérito 107/2023, foi a denúncia do próprio Araújo contra o ex-assessor que criou caminhos para que o celular de Sinval Cavalcante fosse periciado pelo sistema Cellebrite, do Ministério Público.
Em arquivos enviados pelo próprio Sinval Cavalcante, autor da denúncia de corrupção, há trechos de diálogos entre ele e o então chefe de gabinete do vereador, Elber Sampaio. Nas conversas, Sampaio aparece cobrando Sinval o repasse de valores e indicando nomes e contas para onde o assessor da Câmara Municipal deveria encaminhar dinheiro de sua conta.

O diálogo é de 21 de janeiro de 2022 e termina com Sinval enviando a Sampaio um comprovante de R$ 850,00 à manicure Valdezete Borges da Cunha, na mesma conta em que Elber Sampaio pede que o repasse seja feito.
Em depoimento à polícia, Valdezete afirmou não conhecer Sinval Cavalcante Junior, que a beneficiou com um repasse de R$ 850. Ela também negou qualquer relação com o chefe de gabinete Elber Sampaio. A manicure disse ter havido apenas um contato com o vereador em 2019 quando precisou de ajuda para a realização de uma cirurgia de seu companheiro, ocorrida em janeiro de 2020.
Segundo a depoente, que recebeu o valor sem nem mesmo questionar a origem do depósito, não houve contato posterior à cirurgia com o parlamentar. Ela também disse não ter qualquer relação com o então vereador, bem como diz não se recordar de ter recebido o dinheiro que Sinval mandou, e cujo comprovante foi enviado a Elber Sampaio.
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