É possível afirmar que futuro do prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL) está nas mãos do Tribunal de Justiça de Goiás, mais precisamente na mesa de despachos da desembargadora Rozana Fernandes Camapum.
A magistrada, que responde pela 2ª Câmara Criminal de Goiás, é quem deve analisar o pedido de autorização da Polícia Civil para investigar Corrêa no inquérito que trata dos crimes praticados pelos perfis Anápolis na Roda 1, 2 e 3.
A eventual autorização de Camapum, tornará o prefeito oficialmente investigado por supostos crimes como difamação e associação criminosa ao lado dos outros três já arrolados na apuração.
Mas, enquanto não há uma definição deste cenário, o que impera é o silêncio. Desde o dia 16 de maio, quando ocorreu a Operação Digital, que levou os dois responsáveis pela Comunicação da Câmara e da Prefeitura presos, Márcio Corrêa não fala sobre o assunto. São 21 dias de silêncio total sobre o espinhoso tema que levou seu secretário de Comunicação preso.
VIAGEM
Márcio Corrêa até ensaia uma postura natural, como se nada tivesse acontecido. Mas sua rotina mudou drasticamente. A começa pelo silêncio nas redes. Sempre comunicativo e “aberto”, o prefeito passou os primeiros três dias desaparecido das redes sociais. Se não falou sobre o tema, também não se reportou a mais assunto algum.
Na semana seguinte, Corrêa anunciou de supetão a participação numa viagem ao exterior ao lado do vice-governador Daniel Vilela (MDB), que só começaria na segunda-feira seguinte, dia 26. Mas, um dia antes de o Anápolis Diário revelar o pedido de investigação ao prefeito, Corrêa deixou a cidade em uma viagem internacional que começou ainda na quinta-feira, sem informar à cidade onde iria e se seria uma agenda pessoal ou algum compromisso oficial.
Quando a viagem do vice-governador começou, Márcio Corrêa só apareceu em fotos colaterais de outros integrantes da comitiva. Não houve nenhuma foto do próprio prefeito ao lado de Vilela ou mesmo nas redes do vice de Ronaldo Caiado (União). Ele também retornou ao Brasil quando a agenda internacional ainda nem tinha chegado à metade. Nenhuma explicação foi dada.

CÂMARA
Na Câmara Municipal o silêncio do prefeito sobre as prisões e o escândalo causa um estrondo. É o tema central do embate da base do prefeito e da oposição.
Na última semana, o vereador Domingos Paula (PDT) sugeriu à população que, ao encontrar o prefeito, o aborde sobre o assunto e registre o momento. O pedido foi tratado pelo líder do executivo, Jean Carlos (PL) como uma “incitação” contra o prefeito. Como se uma pergunta se tornasse sinônimo de uma violência pessoal. Só por aí já é possível o quanto o assunto é delicado ao grupo.

POSTURA
Ao contrário dele, alguns dias depois da operação, a presidente da Câmara Municipal, Andreia Rezende (Avante) promoveu coletiva na qual afirmou o mais esperado para situações como esta: ela disse desconhecer as práticas atribuídas ao seu então Diretor de Comunicação. Os debates sobre o tema correm livremente no Legislativo, sem qualquer interferência da Mesa Diretora.

Na última quarta-feira (04), dia da fala de Domingos Paula, o vereador Luzimar Silva (PP) se ausentou mais cedo da sessão plenária, alegando que compareceria à reabertura do Restaurante Popular na sua região.
A presença do prefeito estava confirmada já que seria aquela a sua primeira “entrega” de obra, que contou até mesmo com placa comemorativa. Luzimar disse na sua despedida que iria aproveitar para perguntar ao prefeito sobre o caso Anápolis na Roda. Coincidência ou não, Márcio Corrêa mudou a agenda e não compareceu à própria inauguração.






