Teve agradecimentos na tribuna, mas o lamento por falta de apoio ou dinheiro, além de considerar o anapolino pouco bairrista, foram os argumentos mais frequentes de quem disputou a eleição
Por Redação AD
A semana na Câmara Municipal de Anápolis foi marcada por discursos na tribuna que repercutiram os resultados nas urnas na eleição do dia 4 de outubro. Os vereadores candidatos agradeceram os votos, mas deixaram de lado a autocrítica do porquê não alcançaram êxito entre o eleitorado. A maioria terceirizou a derrota.
Falaram em falta de dinheiro e de bairrismo por parte dos anapolinos, que optaram por dar voto para candidatos de fora. Levantamento do AD mostra que na disputa para deputado estadual, 71% dos votos dos anapolinos foram para candidatos da cidade, um crescimento em relação ao pleito de 2022. Para federal, esse percentual foi de 39%.
Os vereadores-candidatos também lamentaram a ausência de padrinhos. Wederson Lopes (União), 5.357 votos para deputado federal, puxou a fila, mas disse que seguiria batendo na tecla de que a Anápolis perde sem alguém em Brasília para enviar mais emendas para a cidade.
João da Luz (Cidadania), que teve 2.383 votos para federal, foi mais específico quando falou das emendas: o prejuízo para a cidade sem a sua eleição seria de R$ 250 milhões. O vereador afirmou que o anapolino precisava “aprender a ser bairrista”. “Porque quando não elegemos representantes, prejudicamos essa e mais duas gerações, pois os investimentos não acontecem”, discursou.
CONTUNDENTE
Jean Carlos (PL), que teve 10.896 votos para deputado estadual, também desfiou lamentos: falou em briga entre líderes partidários, em compromissos não cumpridos e o fato de estar entre os mais votados da cidade, “mesmo sem máquina pública e com poucos recursos”. Jean teve 9.229 votos em Anápolis e recebeu R$ 66 mil da Direção Nacional do PL para a campanha, além de R$ 55 mil da candidata Magda Mofatto (PL) e R$ 14 mil de Wilder Morais (PL). Com outras doações ele teve receita de R$ 145,7 mil.
O vereador Alex Martins (PP), 7.145 votos para federal, não discursou na tribuna. Já o vereador Policial Federal Suender (PL) foi o mais contundente nas críticas, alegando falta de apoio de figuras de proa do seu partido, todas bem-sucedidas nas urnas, e que ele teria ajudado no passado. Suender teve 25.137 votos para deputado federal. Suender afirmou que fez uma campanha limpa, “nas ruas, com a sociedade, com cabos eleitorais que foram as pessoas”.
“Eu ganhei dos candidatos que tiveram como cabo eleitoral o próprio prefeito, que decidiu apoiar candidatos de fora”, comentou.
O vereador falou que sua estrela brilhou sozinha e que não precisou terceirizar sua votação, portanto considerava viver um “sabor de vitória”. “Por pouco a gente não consegue uma eleição. O próprio PL não deu a impulsionada que precisávamos. Eu estou com Flávio Bolsonaro, estou com o PL, mas o partido necessitava ter mais corpo na cidade”, disse.
Suender foi o sétimo do PL, que elegeu Fred Rodrigues, Magda Mofatto, Major Vitor Hugo e Fábio Sousa. Da receita de R$ 175.045,50 que o vereador teve para a campanha, R$ 100 mil vieram do PL, outros R$ 43.545,50 do próprio bolso do candidato e R$ 26,5 mil da esposa dele.
“POLÍTICA EXIGE OLHAR ALÉM DO UMBIGO”, REBATE JOSÉ FERNANDES
O vereador Policial Federal Suender foi respondido na tribuna por Jakson Charles (PSB), que afirmou que o prefeito Márcio Corrêa pensou no coletivo ao definir seus apoios para as eleições deste ano. Para Jakson não se pode difundir entendimento de que alguém não ganhou eleição por causa da preferência que o prefeito teve por outras candidaturas.
Durante a sessão de terça-feira, 6, após fala de Suender, o líder do prefeito, vereador José Fernandes, citou Ronaldo Caiado (PSD) se referindo a Marconi Perillo (PSDB). “O Caiado comentando a respeito de Marconi Perillo, disse que o candidato derrotado não tinha desconfiômetro”, disse o vereador, que presidiu interinamente as três sessões da semana.
O vice-presidente da Câmara resumiu o sentimento pós-pleito para alguns. “A política, a gente sabe, exige um olhar além do umbigo”, disse o vereador em entrevista à Rádio Manchester. Segundo ele, os mais otimistas, ou envaidecidos, querem puxar o protagonismo dos resultados.
José Fernandes aconselhou:
“Se a gente mantiver a preocupação com a sociedade, com o povo, a gente vai deixar essas questões internas que incomodam às vezes o coração da pessoa, que se sente injustiçada de não estar tendo o espaço que merece. Se a gente pensar na cidade, em especial Anápolis e os anapolinos, vai fazer sentido servir e deixar um legado”, afirmou à rádio o líder do prefeito.
José Fernandes afirmou que não fazia uma interpretação subjetiva do resultado das urnas, mas sim uma leitura dos fatos. Ele explicou que o apoio do prefeito a Célio Silveira (MDB) se remetia ao fato do parlamentar ter dado espaço a Márcio Corrêa quando ele ainda era suplente do partido, o que o ajudou a ganhar força para a vitória nas urnas em 2024.
“A gratidão foi o critério número um”, comentou José Fernandes sobre os apoios de Márcio Corrêa. Ele também citou o deputado federal eleito Major Vitor Hugo (PL), decisivo para a ida do prefeito para o Partido Liberal. “Não é uma interpretação subjetiva, é a leitura de fatos e é só ficar um pouco mais atento, deixando de lado as vaidades para enxergar isso”, cutucou Fernandes.

Para o vereador, Márcio Corrêa “sai gigante” do pleito, com “expressão estadual e nacional”. “Quando eu falo estadual, ele foi extremamente relevante na vitória do nosso governador Daniel Vilela no primeiro turno, quando ele, do PL, já manifesta o apoio público ao candidato e junto com ele uma ala do PL”, completou o vereador.
Márcio Corrêa também apoiou os senadores eleitos Gustavo Gayer (PL) e Gracinha Caiado (União). José Fernandes frisou que a construção de um grupo vai permitir ao prefeito tocar os projetos municipais, com a expectativa de que bons dias virão. “Hoje a gente tem um líder político que está com expressão nacional e a gente precisa valorizar isso e a ideia é agregar, não é dividir”. O vereador citou ainda o deputado federal Rubens Otoni (PT) como nome da cidade que pode trazer recursos.
José Fernandes também considerou que o MDB saiu “gigante” do processo eleitoral. “Se a gente for olhar, mais uma cadeira lá na Assembleia, saiu de seis para sete, nós agora temos aí o compromisso das eleições municipais daqui dois anos, a gente vai organizar o diretório, a comissão que está lá fazendo a gestão, mas o partido político sai gigante”.
“Nós temos hoje a oportunidade de estar no governo do Estado, o governador já manifestou sua posição para o apoio ao projeto do Flávio Bolsonaro, e estamos pensando grande. No fim, independente da organização partidária, como eu disse, estamos focados em servir a cidade e o Estado. Se isso faz sentido, é onde o partido vai estar, é onde eu vou estar particularmente, agora muito mais além do que vaidade pessoal ou meu próprio umbigo”, finalizou o vereador.






