A Urban já prepara melhorias para o transporte coletivo de Anápolis depois de receber o primeiro subsídio do poder público para o sistema. Logo que for efetivada a isenção do ICMS sobre o óleo diesel utilizado pela companhia, as primeiras novidades devem ser anunciadas. O decreto já foi assinado pelo governador Daniel Vilela (MDB) e terá um impacto milionário na planilha de custos da empresa.
A concessionária não divulga quais serão as novidades – isso ficará a cargo do prefeito Márcio Corrêa (PL), mas elas são certas. Entre as possibilidades admitidas pela Urban estão a implementação de um sistema de bilhetagem eletrônico, pagamento da tarifa via Pix ou cartões de crédito e débito e a criação de um aplicativo de monitoramento em tempo real dos ônibus para facilitar a vida dos usuários.
“O papel da Urban é operar o serviço conforme determinação do poder público. Desde o final do ano (passado), traçamos um cronograma de reestruturação do sistema. A concessionária apresenta diversas sugestões. Esperamos que sejam diversas medidas e que haja aporte público para que o sistema melhora. A Urban tem disposição e bagagem para oferecer um serviço de excelência”, disse ao Anápolis Diário o diretor jurídico da concessionária, Carlos Leão.
A partir dos números médios de hoje, a isenção do ICMS no transporte coletivo resguardaria cerca de R$ 350 mil por mês nos custos operacionais. Esse número varia, claro, de acordo com a quantidade de óleo diesel utilizado. Se houver mais passageiros e mais linhas, o impacto será maior. E vice-versa.
A Urban está otimista com a chegada de novos incentivos ao sistema, como o pagamento da integralidade do Passe Livre Estudantil. Hoje, o governo banca apenas metade do benefício no município. E, como Corrêa e Daniel Vilela admitem, a possibilidade da injeção de subsídio direto para reformular totalmente o serviço e, de quebra, baratear o preço da passagem, hoje mais alto que o da Grande Goiânia.
“(A isenção do ICMS sobre o diesel) É um passo salutar para o transporte público, mas um dos diversos que precisam ser adotados. O prefeito e o governador já se pronunciaram dizendo que é prioridade o transporte coletivo. É importante o subsídio na linha direta para baratear o custo para o usuário, pagamento integral para o estudante, outras desonerações e o próprio aporte para o sistema modernizar, avançar. E, simultâneo a isso, traga melhorias para a população. É fazer a roda girar no sentido correto”, frisou Leão.
O primeiro passo, como define a Urban, já vai diminuir o déficit do sistema. “Esperamos que em breve a conta esteja equalizada e os investimentos aumentem cada vez mais. Agora existe a sinergia para trazer os benefícios a Anápolis e sei que eles virão”, comenta o diretor jurídico da empresa.
MAIS MELHORIAS
Um dos grandes anseios do usuário do transporte coletivo é a redução da passagem, hoje em R$ 5,25 para cartão eletrônico e R$ 6 para o pagamento em dinheiro. Este é o fim perseguido pelo prefeito, que já criticou diversas vezes o valor e sempre cita que a tarifa precisa ser barateada, não só para caber no bolso do cidadão, mas também para estimular o uso do sistema.
Esta medida, contudo, ainda não tem data certa para acontecer. Antes disso, ao que indicam os discursos, devem vir melhorias estruturais. Estão na agenda, como admite a Urban, reformas no terminal – e talvez novos terminais – reformulação das linhas, reestruturação dos pontos instalados em ruas e avenidas e a renovação da frota. O município, inclusive, obteve crédito, via Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), para comprar quase duas centenas de novos ônibus. O detalhamento deste plano de troca, todavia, segue em sigilo.
Segundo Carlos Leão, “se trouxer tudo que tem na Região Metropolitana de Goiânia, Anápolis tem condição de entregar um serviço melhor e mais barato para o usuário”. A capital recebe, desde 2020, pesados subsídios estaduais e de um consórcio intermunicipal, o que levou a uma completa mudança estrutural, embora persistam reclamações sobre a operacionalização das linhas.






