Depois de receber o apoio do prefeito Márcio Corrêa (PL) à sua pré-candidatura para deputado federal, o vereador por Goiânia, Vitor Hugo (PL), se comprometeu a fazer, se eleito, um intenso trabalho para buscar benefícios para Anápolis. Ele também voltou a criticar o ex-prefeito Roberto Naves (Republicanos) e comentou a divisão de apoios de Corrêa.
Leia a entrevista na íntegra:
Anápolis Diário: De que forma recebeu o apoio, agora público, do prefeito Márcio Corrêa?
Vitor Hugo: Com muita alegria e felicidade. Exerci um papel muito importante durante a definição da candidatura dele. Gestos como esse de gratidão e reconhecimento ficaram cada vez mais raros na política. Mostra o caráter dele, o espírito de ser uma pessoa correta e do bem. Nós temos um sentimento comum de luta por Anápolis.
AD: O quão importante avalia que será este apoio?
VH: O apoio vai ser fundamental. Anápolis é a terceira maior cidade em termos de eleitorado e de população do estado. É uma cidade conservadora, de direita, cristã, talvez seja a cidade mais bolsonarista de Goiás. E o Márcio está muito bem avaliado. Tem mais de 90% de aprovação. Terceiro prefeito melhor avaliado entre as 100 maiores cidades brasileiras e vai ser fundamental na nossa campanha.
AD: Com este apoio, o senhor acredita que pode ser o mais votado em Anápolis na disputa para deputado federal?
VH: É difícil fazer projeções assim. Vou trabalhar muito. Anápolis é um dos nossos focos, como sempre foi. Quando terminou eleição para o governo, não venci, mas tive quase 50 mil votos em Anápolis. Tratei muito sobre Anápolis, o potencial logístico da cidade, com as BRs, o porto seco, o centro de convenções, as ferrovias, o Daia e tantas outras potencialidades que o município tem. No meu mandato como deputado federal, destinei quase R$ 15 milhões em emendas. Trouxe Bolsonaro e ministros de Estado a Anápolis. Procurei priorizar Anápolis e quero continuar na mesma linha. Quando começaram as pesquisas para prefeito, eu era o melhor posicionado da direita. Mas avaliei que o Márcio era o nome de maior probabilidade de vitória contra o PT. Ele é anapolino, empreende aí, sempre viveu e conhece a cidade.
AD: Qual compromisso o senhor faz com o eleitorado anapolino caso eleito deputado federal?
VH: Anápolis vai continuar sendo uma das atuações nossas mais importantes. E Anápolis, embora seja uma cidade muito rica e de grande arrecadação, tem dificuldades. Conversando com Márcio, ele me mostrou como recebeu a cidade em uma situação muito ruim. Anápolis depende muito de emendas e recursos federais. E é o que um deputado federal pode fazer. Não só com as próprias emendas, mas buscar recursos nos ministérios também, como sempre fiz.
AD: O prefeito te fez algum pedido especial?
VH: Ainda não teve um pedido específico sobre alguma obra ou equipamento de saúde, ou destinação particular. Mas conversamos muito sobre essa questão fiscal de Anápolis e o apoio que logicamente continuarei dando à cidade. Quando fui deputado federal, trouxe R$ 400 milhões a Goiás em emendas em 200 cidades. Ou seja, um média de R$ 2 milhões para cada município. Anápolis recebeu mais de sete vezes a mais que outras cidades. Anápolis já era prioridade e seria, ainda que não tivesse apoio do Márcio, pela importância da cidade. É muito importante. Mas a política também é feita de gestos e apoios. Logicamente o apoio dele vai se refletir na minha atuação futura.
AD: Além do senhor, o prefeito também declarou apoio à reeleição de Célio Silveira. Isso foi acordado entre vocês? Houve algum problema em relação a isto?
VH: Desde o início ele (Márcio Corrêa) disse isso, que apoiaria os parlamentares que houvessem trabalhado de maneira direta para o sucesso dele na eleição. O Célio fez isso também. Era do mesmo partido do Márcio (MDB) e se afastou do mandato para ele assumir. Assim como eu, quando conseguimos o PL para ele, o maior partido do Brasil, o partido de Bolsonaro. O levei a Bolsonaro, a Valdemar, diversas vezes, e o aproximamos do campo conservador, da direita. Por horas, no telefone ou pessoalmente, fazíamos análises sobre a situação de Anápolis, Goiás e país. Nada mais justo que ele divida esse apoio. Anápolis tem quase 300 mil eleitores. O apoio de uma cidade tão grande para apenas dois nomes, e bem avaliado como ele está, vai fazer muita diferença.
AD: Além de Anápolis, o senhor tem apoio em outros municípios?
VH: Estou rodando muito as cidades goianas novamente. Estou no Norte goiano, fui em Minaçu, Porangatu, São Miguel do Araguaia, Uruaçu. Nas outras semanas fui no Sudoeste, Entorno do Distrito Federal. É uma conversa para retomar as bases. Destinei R$ 400 milhões a 200 cidades. Todas as cidades que chegamos temos uma abertura porque temos trabalho feito, emendas enviadas, respiradores que levamos na época da pandemia, habilitação de leitos, centro de hemodiálise, equipamentos para as forças de segurança. Temos uma atuação muito grande. Passamos de município em município. Temos muito trabalho em todas as cidades goianas que nossa andança tem reavivado. Estamos muito animados em poder voltar a Brasília.
AD: Circulou um vídeo com um discurso do senhor em que aponta o ex-prefeito Roberto Naves como ladrão. Depois, ele mesmo divulgou um vídeo em resposta e o chamou de covarde. Como o senhor avalia e responde?
VH: Achei uma situação de muita baixeza moral. Um vídeo muito ruim dele. Quando fiz a fala não fiz menção específica a ninguém. A resposta para ele é das urnas, a que virá. Resposta que já houve quando apoiou uma candidata que teve uma votação muito pequena, apesar do apoio do governador (Ronaldo Caiado), que estava muito bem avaliado. E o Márcio Corrêa, apoiado por mim, por Bolsonaro e contra o legado dele, venceu as eleições. Estou focado na minha eleição, na pré-campanha, no meu trabalho. A urna dará a resposta a ele.
AD: No apoio às candidaturas para o governo, o senhor e Márcio Corrêa divergem. Embora lá atrás o senhor tenha defendido apoio a Daniel Vilela, hoje está com Wilder Morais, e o prefeito é amigo e declarou apoio ao governador. Há algum constrangimento por isso?
VH: Há duas imprecisões na sua fala. Não defendi uma união ao governo. Recebi o pedido do Daniel para levá-lo até o presidente Bolsonaro. Perguntei ao presidente se ele gostaria de recebê-lo, ele disse que sim e eu levei. A conversa foi boa. Ainda estava distante do pleito. Eu adquiri uma proximidade com Daniel por causa da campanha de Anápolis. Depois a imprensa e uma ala do PL à época que não queria uma união partiu para assumir que isso era defesa de união, mas era só uma conversa. Isso passaria pelo Bolsonaro, pelo Valdemar, como passou. A outra é que, até agora, do que eu entendi, falo da minha perspectiva, o Márcio vive um dilema moral, mas não se definiu. O Daniel realmente ajudou o Márcio a conquistar a prefeitura de Anápolis, não só porque o deixou sair do MDB sem infidelidade partidária. Foi a única cidade de Goiás que o então vice-governador foi contrário à candidata apoiada pelo governador e de quem ele espera e conta com apoio para vencer. Daniel colocou projeto dele em risco para apoiar Márcio. Wilder, que pensava em outras linhas para Anápolis, entrou de cabeça na campanha e apoiou o Márcio. O ajudou a vencer. Compreendo que na cabeça dele exista um dilema moral. Foi apoiado pelos dois e no momento certo vai definir seu apoio.






