“É o Suender da Esquerda”. A frase veio naturalmente de três parlamentares ouvidos pelo Anápolis Diário sobre a repercussão da sessão plenária da última terça-feira (18) quando inadvertidamente o vereador Rimet Jules (PT) passou a abertamente defender radicalismos em ações com forte contorno de ilegalidade na área habitacional.
O discurso – e a comparação com o extremista de direita da Câmara Municipal – não é um fato isolado. Há poucas semanas, o parlamentar vem promovendo ataques à imprensa de Anápolis, classificando a todos os veículos que lhe dão razão em suas pautas como “imprensa ligada ao prefeito”.
Na cosmovisão de Jules, a imprensa só é legítima se lhe ovacionar. Na legislatura passada este espaço era ocupado justamente por Suender Silva (PL) que reiteradas vezes atacou abertamente veículos de comunicação e agências de publicidade. Só ficou calado depois que se tornou governista. Os problemas, como mágica, sumiram.
Mas o passo mais importante na radicalização retórica do parlamentar, estreante na Câmara Municipal, veio na abordagem a um problema habitacional. Rimet defendeu o direito de posse de famílias que invadiram áreas urbanas do Polocentro, Jardim Panorama e Jardim Girassol.
Na visão peculiar do vereador os valores constitucionais se invertem numa lógica peculiar e, também, extremista. Ao tratar de um grupo que invadiu áreas, tratou a situação na condicional e reivindicou que os donos por Direito das áreas devem procurar a Justiça. “Se tem ali algum invasor de terreno, que o proprietário do imóvel procure o Judiciário”, argumentou. “Dezenas de famílias não podem ser punidas”, completou o parlamentar sem, no entanto, oferecer qualquer alento a quem saiu no prejuízo. “Que busquem a Justiça”.
Em seu discurso, Rimet Jules levantou dúvida sobre a posse de áreas públicas, com reconhecimento cartorial. “É certo que se a situação é irregular e se há divergência sobre a propriedade do terreno, a Justiça deve ser acionada”, reiterou. Na ótica de Jules, a tomada de um imóvel por uma parte deveria, automaticamente, se tornar objeto de disputa entre o que tomou e o que detém a posse.
Ainda em seu discurso, o vereador de oposição criticou a gestão municipal: “Tem perseguido famílias em situação de vulnerabilidade, com intimidação e violência contra pessoas que moram em situações inadequadas e algumas delas em áreas não regularizadas”.





