Depois de uma bem-sucedida revitalização no Parque Ipiranga, a prefeitura de Anápolis levou obras ao Parque da Jaiara, que estão próximas da conclusão, e nesta semana iniciou a maior intervenção de todas. O Parque da Matinha, um dos históricos espaços de lazer da cidade, começou a ser recuperado dentro de um projeto que prevê diversas melhorias para trazer de volta um público que foi perdido após décadas de falta de manutenção.
Dos 12 parques urbanos, a administração já interviu ou iniciou revitalização em três deles, mas há outros no plano. Claro, também há parques novos que carecem apenas de ações menores ou rotina básica de manutenção, como o das Águas, Jardim Botânico e Linear da Av. Brasil Norte, todos com menos de quatro anos.
O Anápolis Diário preparou um raio-x dos parques locais e mostra que, embora os problemas estejam no radar do município, há ainda equipamentos que sofrerão por mais tempo com o abandono.
JÁ EXECUTADOS OU EM CURSO
PARQUE IPIRANGA:
Inaugurado em dezembro de 2010 e até então sem passar por modificações mais profundos, o Parque Ipiranga, no Bairro Jundiaí, foi o primeiro dos equipamentos públicos a passar por revitalização. A reforma, segundo a prefeitura, recuperou a estrutura do cartão-postal por meio da reforma de pontes, passarelas, decks e pergolados. O projeto incluiu a instalação de um novo playground moderno para as crianças, replantio de gramado e a implantação de uma academia ao ar livre com sistema de carga regulável – talvez a principal novidade. A iluminação, grande reclamação de quem frequenta ou trabalha no espaço, também foi recuperada.

PARQUE DA JAIARA:
O Parque Ambiental Doutor Luiz Caiado de Godoy, conhecido como Parque da Jaiara, inaugurado em 2018, também passa por sua primeira revitalização. Ele está situado numa área de mais de 42 mil metros quadrados e é o principal equipamento público de lazer da região Norte da cidade.
Desde junho, a prefeitura passou a trabalhar na revitalização. O projeto inclui a criação de um posto policial integrado à Polícia Militar pelo programa Linha de Frente, reforma das pistas de caminhada com nova ciclofaixa, uma central de calistenia, playground interativo, além da limpeza do lago e recuperação dos decks de madeira, além de bancos e mesas. Também serão realizados serviços de pintura dos postes de iluminação, requalificação dos gramados e poda de árvores.

PARQUE DA MATINHA:
Depois de várias décadas de abandono, o histórico Parque da Matinha teve ordem de serviço para a reforma assinada na última semana. O parque receberá novas áreas de lazer, com diversão garantida para as crianças com quadra infantil, playground de areia e emborrachado, espaço recreativo, fonte interativa e um xadrez gigante.
O projeto prevê novas opções de lazer, como campo de futebol com arquibancadas para o público acompanhar as partidas, quadra de basquete, pista de skate e academia ao ar livre. A Matinha contará ainda com um anfiteatro para apresentações culturais e eventos ao ar livre abertos à comunidade. Além disso, terá quiosques, restaurante e áreas de convivência, tornando-se um espaço completo para lazer, integração e bem-estar dos visitantes. Será implantado também um pet place.
A revitalização preservará a arborização existente, que será reorganizada para valorizar a paisagem e fortalecer a preservação ambiental. O projeto também prevê um lago com espelho d’água, praça, deck de madeira e mirante. O espaço contará com área administrativa, pavilhão, banheiros e estacionamento para os visitantes.
O PRÓXIMO
PARQUE ECOLÓGICO JK:
Construído na década de 60, no local do antigo clube campestre Jundiaí Praia Clube, o Parque Ecológico JK, no Bairro JK foi um dos primeiros parques de lazer de Anápolis. O lago de 44 mil metros quadrados, formado pelo represamento do Córrego Água Fria, foi outrora muito utilizado pelas motos aquáticas. No entanto, já há décadas que o uso de jet ski foi proibido no local depois de diversos acidentes.
Construído a partir de um espaço deteriorado pelos efeitos erosivos, o local conta com um total de 63 mil m², e hoje é destinado à prática de atividades diárias, como exemplo, a caminhada com uma pista de 1.1 km (1.500-passos) de distância, pista de skate, um quiosque lanchonete, banheiros, câmeras de videomonitoramento. No lago, pode-se usar o pedalinho. O Parque JK foi construído em uma área com grande processo erosivo, integrante da sub-bacia hidrográfica do Rio Antas e micro bacia do córrego Água Fria.
O espaço hoje tem problemas de manutenção e iluminação. A partir de setembro, a prefeitura promete iniciar obras de revitalização, que incluem a revitalização das pistas de caminhada e de skate, novos playgrounds e academia ao ar livre. A borda do lago também passará por processo de revitalização. Ademais, haverá substituição de mesas e bancos, troca da iluminação e paisagismo.

NOS PLANOS
PARQUE DA CIDADE:
Talvez o mais esquecido dos parques municipais. Inaugurado em 2014, nunca caiu nas graças da população – embora oferecesse praticamente tudo que os demais ofereciam. A insolação – há poucas árvores no local – e a distância, que havia de ser caminhada a pé até o lago, por exemplo, são os principais fatores citados pelos moradores para evitar o local e preferir outros equipamentos, mesmo noutros bairros.
A falta de público levou a uma rápida deterioração das edificações ali construídas. Hoje não há nada aproveitável de pé. As pichações tomaram contas dos banheiros, que não são funcionais. No pórtico de entrada, a estrutura de madeira ainda resiste, mas a pintura desgastada na parede que o sustenta reflete sinais de descaso de mais de uma década. Praticamente todos os brancos estão quebrados e há muito lixo espalhado numa área que previa ser foco de recuperação ambiental na APA do Antas.
Ao Anápolis Diário, a prefeitura disse que não há previsão de intervenções no local ainda este ano. Contudo, diz que busca recursos para revitalizá-lo a partir de 2027. Ainda não há projeto.
A região deve ganhar em breve um ‘reforço’ de público, o que pode ampliar o interesse no parque. A sede da prefeitura se mudará para o Centro de Convenções, logo ao lado, e a futura delegacia-geral da cidade também será erguida no terreno imediatamente vizinho, que divide o Parque da Cidade do Centro de Atendimento Socioeducativo (Case).

PARQUE ONOFRE QUINAN (CENTRAL PARQUE)
Com 93 mil metros quadrados, o Parque Onofre Quinan marcou a infância de uma geração de anapolinos. O trenzinho que circulava por ele, ao lado da mata, o outrora imponente lago com vazão colossal e as tardes repletas de gente estão na memória de muitos moradores. Estes dias, no entanto, não passam de história. O Central Parque sofre, assim como tantos outros, com o abandono e a deterioração. Os problemas não são diferentes dos outros: bancos e mesas quebrados, banheiros inutilizáveis, sujeira.
Há, porém, um problema estrutural mais grave. Todos os anos o lago é assoreado. O avanço da malha urbana do município fez com que o volume de detritos acumulados depois do período chuvoso fosse cada vez maior. O lago praticamente morreu. E com ele, o parque.
O caso do Central Parque é semelhante ao do Parque da Cidade. Ainda não há projeto, mas já há um trabalho em busca de recursos para revitalizá-lo. O prefeito Márcio Corrêa externou estes planos em junho, num café da manhã com jornalistas, sem dar detalhes. Mas, à época, disse que, antes de lançar novos parques, era importante revitalizar os outros. “Não adianta ter parques novos se os mais antigos estão caindo aos pedaços”, afirmou à época.

SEM PLANOS
PARQUE DA LIBERDADE
O Parque da Liberdade, na região Central da cidade, foi inaugurado em 2012, numa área de erosão, e se tornou um dos cartões-postais únicos pelo seu relevo. Depois dos anos de glória, também sofre com a deterioração. Muitos dos bancos estão quebrados, bem como alguns dos balanços que outrora divertiam crianças e adultos. Há pichações e, o pior, denúncias de esgoto a céu aberto em alguns dias. Apesar dos problemas, ainda não há planos para revitalizá-lo.

PARQUE DA LAGOA BOM DIA
Desconhecido por muita gente, é um oásis para os moradores da região do Parque Brasília. Muito arborizado e com uma lagoa, é bastante utilizado para caminhadas e momentos de lazer. Os equipamentos ali têm um ou outro dano, mas nada que comprometa o uso do parque. O problema, segundo os frequentadores, é o mato que, no período chuvoso, cresce muito e as podas não acompanham a velocidade da natureza. Segundo a prefeitura, não há intervenções planejadas no local.

PARQUE LINEAR SÃO SILVESTRE (JD. ITÁLIA)
Inaugurado em 2019, o espaço ainda é bastante utilizado por quem vive no Jardim Itália e imediações. Muitos dos equipamentos foram afetados pelo tempo, mas o estado geral de conservação é regular. Não há problemas com lixo ou iluminação. A prefeitura também informou que ainda não há planos para obras de revitalização no local.
MAIS NOVOS
PARQUE DAS ÁGUAS:
Construído onde antes existiu o Clube Ipiranga, no Bairro Jundiaí, o Parque das Águas foi entregue em 2023 e ainda não carece de grandes intervenções. Muito embora já haja sinais de deterioração – sobretudo pelo mau uso que parte dos visitantes faz. As tabelas de basquete das quadras e os alambrados têm sinais de vandalismo. No entanto, a avaliação geral é que o parque ainda está em bom estado. Para um período próximo, não há previsão de obras de revitalização.
JARDIM BOTÂNICO:
Também entregue em 2023, o Jardim Botânico é um recanto de isolamento dentro de uma cidade que cresce e vive cada vez mais rápido. São 25,4 mil metros quadrados, com a imensa maioria do terreno ocupada por árvores nativas do cerrado, que há séculos habitam aquele espaço – repleto de nascentes. Um lago, numa das antigas piscinas do Clube Ipiranga, dá o charme de um cenário que é um dos mais conservados. O mau uso, porém, o ameaça também. É evidentemente proibido nadar no lago, mas a norma é desrespeitada dia após dia.

PARQUE LINEAR DA AV. BRASIL NORTE:
Entregue em 2023, na Boa Vista, o parque ainda preserva bons equipamentos. O desgaste do tempo ainda é pequeno e, como é mais utilizado para caminhada ou corrida, há pouca deterioração em bancos e nas quadras que o espaço abriga.






