Anápolis pode não ser uma potência do agronegócio – longe disso – mas não deixa de ter bons índices de produção agrícola. A Pesquisa Agrícola Municipal (PAM), divulgada na última semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que o município mantém a liderança no ranking estadual de produção de banana e de mexerica.
Na soma das sete culturas produzidas em Anápolis, são mais de 40 mil toneladas – número considerado relevante para uma cidade que tem sua força econômica muito mais baseada em indústria e serviços.
A maior produção é de bananas, com destaque para os distritos de Souzânia e Interlândia. Em 2025, Anápolis somou mais de 27 mil toneladas de banana colhidas, o que rendeu valor bruto de R$ 47,3 milhões, conforme o IBGE. A mexerica, muito forte na região de Goialândia, rendeu 6.470 toneladas no ano passado, com valor bruto estimado de R$ 17,4 milhões.
Mas nem só destas duas culturas vive a agricultura anapolina. Produtores de laranja colheram 4,8 mil toneladas no ano passado, o que deu ao município o 12º lugar no ranking estadual. Anápolis ainda produziu 896 toneladas de látex coagulado; 132 toneladas de limão; 70 de abacate; e outras 10 toneladas de café – em apenas 5 hectares de plantação.
RENDIMENTO AINDA É DESAFIO
Embora lidere a produção total de bananas e mexerica em Goiás, a produtividade das terras anapolinas não fica no topo. Segundo a PAM, o município tem apenas a 44ª maior produtividade para bananas no estado, com 15.500 quilos colhidos para cada hectare plantado. A liderança é de Água Fria de Goiás, com 34 mil kg por hectare.
A produtividade de mexerica é a maior entre as culturas plantadas em Anápolis, mas apenas a 13ª em Goiás, com 22.700 quilos por hectare. O ranking liderado por Jaraguá, com 35 mil quilos por hectare.
O que falta para Anápolis equiparar-se à produtividade de outros municípios é tecnologia. O tema sempre aparece nas conversas com produtores rurais. No caso da banana, por exemplo, que rende o maior volume total de fruta produzida no município, o valor bruto da produção é apenas 60% do que Uruana, com colheita inferior, arrecada.
Como comparação, Uruana tem um perfil de agricultura altamente tecnicificado e intensivo. Há um uso maciço de sistemas de microaspersão e fertirrigação avançados. Em Anápolis, embora existam grandes produtores tecnológicos, há também um número expressivo de pequenas propriedades e lavouras tradicionais dependentes do regime de chuvas ou com menor aporte tecnológico por hectare.
Claro, para justificar o valor mais alto da produção de Uruana há outros fatores, como o fato de a cidade do Norte de Goiás produzir variedades de valor agregado mais elevado, como a banana-maçã, enquanto Anápolis tem a banana-prata como carro-chefe da produção.
Para ampliar a produtividade, o produtor Marcos Antônio Silva, que atua na Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Goiás (Faeg), aponta que falta “terra, água e investimento”. “O Piancó, muitas vezes, não pode ser usado porque precisa dele para suprir a cidade”, afirmou.
Segundo ele, a ausência de corpos d’água robustos são um gargalo para a alta produtividade. Em Anápolis não há rios, apenas córregos ou ribeirões. “Todos os rios são nascentes, nenhum rio grande passa em Anápolis. Na Bahia, por exemplo, existe o São Francisco. Luiz Alves, em Goiás, desvia do Araguaia”, aponta.
Uma das alternativas para otimizar a produção rural e, consequentemente, baixar os preços dos produtos do campo, as redes de irrigação ainda são pouco presentes em Goiás. A tecnologia existe em cerca de 270 mil hectares de terras produtoras em território goiano. As pesquisas e experimentos mais recentes mostram que ficou comprovado que áreas irrigadas trazem rendimentos maiores e gastam menos.
O presidente da Agrodefesa-GO, José Ricardo Caixeta, ressalta que o investimento em tecnologia para sistema de irrigação é um dos expoentes da alta produtividade. “Contribui muito, porque utiliza muito menos água. Nisso nós temos uma economia de água, mais disponibilidade hídrica e também economia financeira, porque ele gasta 10% menos que um sistema tradicional”.
Conforme Caixeta, também sana outras questões de produtividade, como o excesso de umidade que, segundo o superintendente, pode trazer doenças e pragas, aumentando os custos e diminuindo a eficiência na produção.







