Vice-prefeito, que começou a gestão tentando dar emprego político à mulher como assessora especial, agora reclama não ter funcionário e, por isto, usa sala “uma, duas vezes por semana”
O vice-prefeito de Anápolis Walter Vosgrau (PSDB) não poderá mais atender no terceiro andar do centro administrativo a partir deste mês. A sala reservada a ele foi destinada a outro uso interno da gestão municipal. O comunicado foi feito pela Secretaria de Governo no último dia cinco de outubro.
O vice-prefeito, que está politicamente rompido com a gestão municipal e o grupo que integrava, transformou o comunicado em um novo drama pessoal. Em entrevista ao repórter Lucivan Machado, Vosgrau reclamou ter sido “despejado” de seu espaço, embora tenha admitido usar o local uma ou duas vezes na semana.
A explicação para o baixo aproveitamento de seu trabalho presencial na Prefeitura de Anápolis, a qual recebe mensalmente R$ 22 mil, é não ter servidores à sua disposição. “Eu não tenho funcionário há pelo menos quatro meses”, afirma o vice para, depois, dizer que um dos servidores de seu gabinete cumpre função na Secretaria de Cultura.
Segundo ele, a ausência de servidores para lhe atender o impede de frequentar o local, agora, realocado para outras atividades. O local era usado pelo vice-prefeito poucas vezes por mês. “Eu entro lá uma, duas vezes por semana”, revelou na mesma entrevista.
DRAMA
O drama do despejo, no entanto, esbarra no próprio comunicado. O documento assinado por Bruno Rolim, secretário municipal de Governo, não sinaliza para um despejo, mas para o que é: uma realocação. O informativo designa ao vice-prefeito a missão de sinalizar a ocupação de qualquer outro local disponível dentro do ambiente administrativo para ser ocupado por seu gabinete.
Desde que rompeu com a gestão municipal por interesse político a fim de se tornar candidato a deputado federal, o cardiologista criou uma agenda de ataques à própria administração que – formalmente – ainda integra. Ao longo do seu périplo por diversos partidos, recuou do projeto nacional e passou a ser candidato a deputado estadual pelo PSDB. Como desfecho obteve 4.495 votos, sendo 3.395 em Anápolis.
HISTÓRICO
A trajetória administrativa de Vosgrau é meteórica. Se nesta semana, o vice-prefeito descobriu-se sem sala e sem servidores, seu começo foi de muita sede ao pote municipal. Ainda em janeiro de 2025, Vosgrau protagonizou uma manchete negativa da gestão recém-instalada: a tentativa de nomear a própria mulher como servidora.
A estudante Tatiany Vosgrau chegou a ser nomeada como “assessora especial do gabinete do vice-prefeito” com salário mensal que ultrapassa os R$ 13 mil. Tatiany não tem qualquer formação em alguma área voltada à atuação do cargo – fortemente ligado à atuação política – e o caso foi tratado como nepotismo. Diante da revelação do caso, feita à época pelo site do Anápolis Diário – o prefeito Márcio Corrêa (PL) disse tratar-se de um erro interno e cancelou a nomeação.





