A eleição de 2026 encerra-se com boa perspectiva para o prefeito Márcio Corrêa (PL). Se antes ele já contava com aprovação popular, ele conseguiu exprimir força política e eleger todos aqueles que apoiou – Ana Caroline Faria (MDB), para deputada estadual; Célio Silveira (MDB) e Vitor Hugo (PL) para deputado federal; Gustavo Gayer (PL) para senador e Daniel Vilela (MDB) para governador.
Com uma base consolidada na Câmara, Márcio Corrêa já tem encaminhados os apoios de ao menos 11 legendas. Além de seu partido, o PL, estão na órbita do Sistema Corrêa o MDB, Podemos, a Federação União Progressista (União Brasil e PP), o DC, PRTB, Novo, Democrata, Agir e PSD.
O MDB é comandado em Goiás por Daniel Vilela, um dos maiores aliados do prefeito. O União Brasil já tem no comando Amilton Batista de Faria, assessor especial no gabinete de Márcio Corrêa. A federação com o PP será liderada pela vereadora Andreia Rezende, que deixará o Avante na janela partidária de 2028.
O Agir, que tem Fred Godoy como presidente em Anápolis, também tende a embarcar na reeleição de Márcio Corrêa, assim como o PSD – apesar da mudança no comando estadual, com saída de Vanderlan Cardoso e chegada de Ronaldo Caiado.
Entre os pequenos, o Democrata, que hoje não tem constituição em Anápolis, já tem acordo para ter a chegada do grupo do vereador Jakson Charles, um dos aliados de primeira hora do prefeito. Este é o mesmo caso de DC e PRTB. As duas legendas são comandadas na cidade por Fred Caixeta, que disse ao Anápolis Diário que, a preço de hoje, a tendência seria de ter os partidos na coalização governista e não há disposição para lançar alguma candidatura própria. O Novo, como sigla auxiliar do PL, também compartilha o projeto.
Há poucas dúvidas entre os interlocutores do prefeito de que, confirmada a saída de Roberto Naves da presidência do Republicanos, Márcio Corrêa deve trabalhar para trazer a legenda para sua órbita. As duas vereadoras eleitas pela legenda – Cleide Hilário e Thaís Souza – já são da base na Câmara Municipal.
OPOSIÇÃO CONSOLIDADA É PEQUENA
Há apenas dois blocos consolidados na oposição a Márcio Corrêa. As federações Brasil da Esperança (PT-PCdoB-PV) e PSOL-Rede são as únicas que hoje se pode cravar que certamente não estarão na coalizão de reeleição. O PT deve liderar a oposição, mas provavelmente terá de lidar com o divã. Depois de três derrotas seguidas no segundo turno das eleições municipais, a legenda buscará renovar o discurso e provavelmente com outra liderança.
Candidato em 2020 e 2024, o deputado estadual Antônio Gomide já expressou internamente que não quer disputar mais eleições municipais. Há mais de uma década é ele quem lidera o campo progressista no município e detém a impressionante marca de uma reeleição com quase 90% dos votos em 2012.
Sem ele – e com o estabelecimento de um alinhamento ao conservadorismo bolsonarista na cidade – o PT terá dificuldades para lançar um nome que chegue com credenciais para rivalizar em pé de igualdade com Márcio Corrêa.
REDUTO DE NAVES?
O ex-prefeito Roberto Naves diz a aliados mais próximos que planeja disputar novamente a prefeitura em 2028. Ele, porém, vai encontrar muitas dificuldades de viabilizar o projeto a se confirmar a mudança de rumos do Republicanos – que caminha para as mãos de Marussa Boldrin, embora Naves ainda tente uma saída via Sandro Mabel para ter ascendência na legenda.
No mundo político, enxerga-se apenas uma rota para Naves, se ele desejar manter o projeto. Como não quer caminhar com o ex-governador Marconi Perillo (PSDB), pode sobrar-lhe o PRD – dentro da Federação Renovação Solidária, que tem o Solidariedade e tende a receber também o Avante.
Quem definiu os rumos do PRD em Anápolis em 2024 foi Magda Mofatto. No município, ela deu ao hoje chefe de gabinete de Corrêa, Clodoaldo Dias, a decisão sobre os rumos da legenda. Agora, porém, sem Mofatto, é Jorcelino Braga, secretário nacional do partido, que deve voltar a decidir o destino do partido.
Braga foi marqueteiro das duas eleições de Roberto Naves e tem ligação próxima com o ex-prefeito. Não se trata como improvável uma negociação que possa permitir o ingresso de Naves na legenda a fim de dar legenda a uma nova disputa pelo Centro Administrativo.

O vereador Domingos Paula, hoje no PDT, tem um acordo com Gustavo Mendanha, que preside a Federação Renovação Solidária em Goiás, para se filiar ao PRD.
Destarte, o bloco pode caminhar para se tornar o reduto da oposição. Isso porque a federação já abriga o deputado estadual Coronel Adailton (Solidariedade) e a vereadora Capitã Elizete (PRD), também críticos à administração de Márcio Corrêa.
PRA ONDE VÃO?
Há muitas incertezas que pairam sobre os destinos de PSB e PDT. Os dois partidos negociam uma federação. Em Anápolis, o vereador Luzimar Silva, hoje no PP, tem acordo com Aava Santiago para comandar o PSB na cidade a partir da janela de 2028. Não se sabe como fica o acordo a partir da formalização de uma provável federação. Luzimar está na base de Corrêa, mas não visto como um político efetivamente do grupo do prefeito. O PDT, por outro lado, ficará, ao menos por ora, nas mãos de Osmar Borges, mais alinhado a Corrêa.
Outra incógnita é o Missão, que em Anápolis é liderado por Ander Alves, que foi candidato a deputado federal. O partido ainda não sabe como vai se comportar em 2028 e trabalhará para montar uma chapa proporcional competitiva.
A Federação PSDB-Cidadania também não tem rumo definido, mas a aposta de hoje é que haverá uma candidatura própria. O vice-prefeito Walter Vosgrau está filiado à legenda e tem pretensões de comandar a prefeitura. Ele poderia liderar um projeto de oposição no ninho tucano – ou mesmo nomes como Rebeca Romero, com o intuito de manter vivo o marconismo em Anápolis.
Há ainda dúvidas sobre o futuro do Mobiliza, que não tem formação na cidade hoje, mas será uma legenda cobiçada por vereadores na tentativa de se reeleger. Nenhum grupo, no entanto, negociou com a direção estadual para assumir o comando.







