A campanha de Oséias Varão (PL) para o Senado foi determinante para a vitória de Gustavo Gayer (PL), segundo avaliação do marqueteiro Rodrigo Tizziani, responsável pela estratégia e pela comunicação do candidato. Para ele, a decisão de concentrar esforços na conquista do segundo voto dos eleitores de Gayer foi fundamental para consolidar o senador eleito na primeira colocação.
A estratégia ganhou força ao longo da campanha e acabou sendo associada pelos próprios eleitores à dobradinha entre os dois candidatos, que passou a ser chamada de “Garão” — uma combinação dos nomes Gayer e Varão. A proposta buscava fazer com que o eleitorado conservador e bolsonarista que já tinha Gayer como primeira opção escolhesse também Oséias para o segundo voto ao Senado. “Desde o início, nossa estratégia era buscar o segundo voto do Gayer. Nossas pesquisas internas já projetavam que isto seria determinante para a consolidação dele na primeira colocação”, afirma Tizziani.
Oséias terminou a eleição em quarto lugar, com 676.930 votos, 10,13% dos votos, conforme os dados apresentados no levantamento eleitoral. Gayer, por sua vez, terminou na liderança, com 1.639.247 votos (24,53%), enquanto Gracinha Caiado ficou em segundo, com 1.458.522 votos (21,83%).
A diferença entre o desempenho de Oséias no início e no fim da campanha também é destacada pelo marqueteiro. Nas primeiras pesquisas divulgadas por grandes institutos, o candidato aparecia com aproximadamente 3% das intenções de voto. “O maior desafio da campanha era o grau de desconhecimento do Oséias Varão. Mais de 85% dos goianos não o conhecia no início da campanha”, afirma.
Estratégia pelo segundo voto
De acordo com Tizziani, a campanha não tinha como objetivo disputar diretamente o eleitor que já estava consolidado em outros candidatos, mas criar uma associação entre Oséias e Gayer dentro do eleitorado de direita. A lógica era simples: ao conquistar o segundo voto de quem já escolheria Gayer, Oséias poderia crescer sem necessariamente retirar votos do principal candidato de seu próprio grupo político. Ao mesmo tempo, a estratégia reduziria a possibilidade de dispersão desses votos entre outros concorrentes.
A dobradinha ganhou força principalmente entre eleitores identificados com o bolsonarismo e passou a ser explorada como uma estratégia de voto conjunto. “Eu acredito que os votos do Oséias foram determinantes para a vitória do Gayer, pois se os mais de 670 mil votos dele tivessem sido pulverizados entre os outros candidatos, a base do Governo poderia ter elegido dois senadores”, avalia Tizziani.
O resultado final mostra a força que a candidatura alcançou durante a campanha. Oséias Varão havia sido eleito vereador de Goiânia em 2024 com pouco mais de 7 mil votos. Dois anos depois, ultrapassou a marca de 670 mil votos na disputa pelo Senado.
Crescimento nas pesquisas
Outro ponto destacado por Tizziani é o momento em que Oséias passou a aparecer entre os candidatos mais competitivos nas pesquisas públicas. Segundo ele, os levantamentos divulgados pelos grandes institutos só passaram a registrar o candidato entre os quatro primeiros colocados nos últimos dias da campanha. Internamente, porém, a equipe já acompanhava uma ascensão mais rápida. “As pesquisas só apontaram o Oséias entre os quatro mais votados nos últimos três dias, mas nas nossas trackings internas ele já tinha ultrapassado o Mendanha e o Vanderlan há pelo menos 15 dias da eleição”, afirma.
O resultado oficial acabou confirmando a tendência observada pela campanha. Oséias terminou à frente de nomes como Gustavo Mendanha, que ficou em sexto lugar com 578.418 votos, e Vanderlan Cardoso, que terminou em quinto, com 633.843 votos.
“Quatro vencedores”
Apesar de Oséias não ter conquistado uma das duas vagas ao Senado, Tizziani considera que a eleição produziu resultados políticos relevantes para quatro candidaturas.
“Na minha visão, a campanha de Senado deste ano tem quatro vencedores. Dois com vitórias eleitorais – Gayer e Gracinha – e dois com vitórias políticas, Oséias Varão e Zacharias Calil”, afirma.
O bom desempenho de Oséias Varão também consolida Rodrigo Tizziani como um dos profissionais mais jovens a atuar em campanhas de grande projeção no estado. Aos 38 anos, ele acumula experiências em diferentes disputas eleitorais, incluindo campanhas para o Senado, e tem entre seus trabalhos a atuação junto a nomes da direita nacional, como o senador eleito pelo Mato Grosso José Medeiros (PL).






